O Poeta e o Passarinho
Dóra
Desafiadora sem se pronunciar,
As qualidades lhe obedecem,
São pertences a lhe enfeitar.
Remova a maquiagem,
E os acessórios enfeitados.
Seus dentes perolados ofuscam a retina,
Globos oculares castanho-esverdeados,
Fios alaranjados semelhados a tangerina,
Perfumadas e vibrantes bochechas de resina.
Graduada em hipnose,
Sentidos de rapina,
Em sua apoteose
Furtou-me a idolatria.
Desafio Dóra !
Desafiadora a me desafiar.
Tua dor de outrora,
Minha dor de agora, a descontinuar.
Metáforas da Aurora
Que hão de demorar.
Mitologia nossa, há de nos coroar.
O que delonga faz confiar,
O que demora faz confiar.
Desafio Dóra !
Desafiadora a se entregar.
Tua dor de outrora,
Minha dor de agora, a descontinuar.
Metáforas da Aurora
Que hão de demorar.
Mitologia nossa, há de nos coroar.
Tem gente que mesmo passado período pós pandemia vai continuar usando sua máscara. Não tem como desvincular. Já nasceu com ela.
Apresentados por sinestesia,
Leio sua escrita estonteante,
Nem conheço tua caligrafia,
Todavia a sutileza é palpitante.
Desprovido de outra qualidade,
Que a aura possa pronunciar,
Ofereço-lhe como depoimento,
A sonoridade que teimo cantarolar.
Sonoramente Falando
Apresentados por sinestesia,
Leio sua escrita estonteante,
Nem conheço tua caligrafia,
Todavia a sutileza é palpitante.
Desprovido de outra qualidade,
Que a aura possa pronunciar,
Ofereço-lhe como depoimento,
A sonoridade que teimo cantarolar.
As notas são presentes natos,
Em andamentos formosos.
Visualizo sua intensa súplica.
Interrogo meus ouvidos curiosos,
Ao passo que replicam imediatos,
Qual é o nome dessa música ?
Carlota era engraçada
Desde menina brincava com as palavras
Tentava combiná-las
Para confundir todos
Dizia coisas como
O prefeito cuida da rua
Todavia toda a via era esburacada
Carlota achava linda todas elas
Carlota cresceu
Carlota virou poeta
A Casa de Limões
Numa tardinha
Me atordoaram
C’um causo.
Encostado do
Moinho da Sardinha,
Perambulava um garoto,
Que vivia numa casa
Feita de limões.
Ouvi um cochicho
Sobre um jovem Javali
Que se tornou padeiro.
E outro buchicho
Sobre um centenário Jabuti
Que se formou doceiro.
Mas este boato
É de maior capricho,
O aposento do guri
No topo dum limoeiro.
Construção ecológica.
Amarrava a dentaria
Sua hospedaria.
Parecia até mágica
Bruxismo ou feitiçaria.
Agora eu entendia
Quando minha mãe dizia,
Que existiam pessoas amargas,
Difíceis de manter relações.
Também pudera serem azedas,
Vivendo numa Casa de Limões.
Para alguém mais corajoso,
Alguém mais inteligente,
Para alguém mais carinhoso,
Alguém mais competente.
Mas ela não nasceu para alguém,
Que ame-a mais, do que a amo.
Pois neste quesito, sou bendito e soberano.
Impressão Intensa
Nesta intenção impressa,
Uma impressão intensa.
Ela nasceu
Para alguém
Melhor do que eu.
Para alguém mais corajoso,
Alguém mais inteligente,
Para alguém mais carinhoso,
Alguém mais competente.
Mas ela não nasceu para alguém,
Que ame-a mais, do que a amo.
Pois neste quesito, sou bendito e soberano.
Ela nasceu
Para alguém
Melhor do que eu.
Para alguém mais belo,
Alguém mais consolidado,
Para alguém mais singelo,
Alguém mais dedicado.
Mas ela não nasceu para alguém,
Que ame-a mais, do que a amo.
Pois neste quesito, sou bendito e soberano.
E cá deixo clara,
Esta explícita sentença,
Nesta intenção impressa,
Uma Impressão Intensa.
A sensação aguça o paladar,
Prefiro o amargo à falta de sabores,
Mas com ela tudo se suaviza,
Voltamos a nos tratar como amores.
Gostamos de dosar,
Em medidas homeopáticas,
Práticas em equilibrar,
Debandar do amor apático.
Afago ou travessuras ?
Carícias ou ternura ?
Memorizando mais,
Limitaremos menos,
Mentalizando mais,
Teremos menos o que temer
E nos tornaremos mais.
