O Poeta e o Passarinho
A vida é muito boa
Para deixar de ser vivida
Não deixe que uma ferida
Te tire do rumo da proa
Não deixe que uma pessoa
Venha seduzir demais
Não autorize jamais
Que uma coisa negativa
Impeça a perspectiva
E atrapalhe seus ideais.
Deus concedeu ao homem
A proeza que ele tem
Deixando que nos diplomem
Para sermos pai também
E esse foi o maior bem
Não tendo outros iguais
Deus permitiu aos casais
Dispor do pujante brilho
Que é conceber um filho
Logo, "Feliz Dia dos Pais"
O destino pôs a gente
Para cruzar o olhar
E igual a adolescente
Faltou coragem pra falar
A timidez atrapalhou
Quando o olhar paquerou
O meu olhar o olhar dela
E a vergonha não deu trela
Para uma conversação
Porém a imaginação
Só me faz pensar nela.
Sou nordestino da gema
Que a faceta traduz
Sou nordestino de força
E acredito na cruz
Sou nordestino de fé
Sou tomador de café
Idem comedor de cuscuz.
Eu peço sempre a Jesus
Que nunca venha faltar
Comida na minha mesa
Ou em qualquer outro lar
Eu oro e peço pelo irmão
Que nunca falte no coração
A tal vontade de amar.
Muita expectativa
Acarreta frustrações
No mundo das emoções
Esta forma negativa
Atrapalha e desmotiva
Inúmeras convivências
Então tenha paciência
Vá devagar com as pessoas
Não se estresse á toa
Pra não perder sua decência.
Poetas contam em versos seus segredos.
Revelam seu passado,
Descreve seu presente,
Idealizam seu futuro.
Faz o triste sorrir,
E o alegre por amor chorar.
Entre rimas e frases,
Poesias e reflexões,
Nos presentes com lindas canções.
A lágrima te ensina
O valor de um sorriso
Aonde o tempo é preciso
Ao alcance da retina
Mas um dia ele termina
Ligeiro igual trovão
E o efeito da tua ação
É o que faz você colher
Felicidade ou sofrer
Para o seu coração.
Erros servem de lição
Para trilhar o caminho
A idade é um cursinho
Que te dá graduação
Sendo esse o galardão
Através de muita dor
Você se torna o pintor
Que pinta a aquarela
Da sua vida mais bela
Com as cores do amor.
Mesmo no vale da sombra
Nunca temerei a morte
Pois Ele está comigo
E eu tenho fé, não sorte
Pois minha vida dispus
Quando entreguei a Jesus
Minh'alma de passaporte.
Não quero nunca deporte
Da minha vida feliz
Pois quando em oração
O Senhor sempre me diz
Que é apenas o começo
Que a glória não tem preço
E o verbo não se contradiz.
UTOPIA
Aquela estrela é minha
Aquela, pequenina,
Na esquina do Universo, escondidinha.
Eu, que não tenho nada além dos meus chinelos,
Além dos meus poemas, além dos meus anseios,
Sou feliz proprietário de uma estrela,
Uma que eu inventei, e para vê-la,
Fecho os olhos na hora de sonhar.
Aquela estrela é minha, senhores astronautas,
Vagabundos do espaço de ninguém:
Cuidado, ela é frágil, assim como meus versos,
Astrônomos, que fuxicai pelo Universo,
Se um dia descobrirem essa estrela,
Ela tem nome, chama-se Utopia.
Aquela estrela é minha, senhor Deus,
Que pastoreais nuvens no Infinito,
E que semeais sóis e tempestades
Não leves a mal a pretensão do poeta,
Mas, aquela estrela, ainda que feia, é minha,
Não faz parte do elenco dos teus astros,
Eu a fiz com as mãos, o sonho, o coração.
Aquela estrela é minha, senhoras e senhores
E, quem quiser passear na minha estrela,
Numa tarde qualquer, de chuva ou sol,
É só me dar as mãos, ser meu amigo,
Compreender minhas incompreensões,
E caminhar comigo.
Mas não reparem se, de madrugada,
Não houver mais estrelas nem mais nada
É que ,às vezes, acordo mal dormido,
Oprimido, homem e pingente,
E minha estrela, triste, vai embora,
E só regressa numa nova aurora,
Quando eu volto a ser gente..
PINGOS DE SANGUE
Às vezes me deixo magoar
Por pessoas insignificantes
Pessoas que juram amor
De maneira apedrejante
As perguntas sobre meu avesso
Parecem óbvias aos meus olhos
E não conheço uma resposta
Que satisfaça meus anseios
Mas sou poeta, sou poeta!
Posso me transformar no que quiser
Por ser poeta sou profundo
Sou pobre, sou rico, sou imundo
Mutações são necessárias
Quando há insignificâncias
Que perturbam a mente
Talvez o que me incomoda
Esteja na importância dada aos fatos
E há uma força incrível
Que me mantém de cabeça erguida
Mesmo pingando sangue.
POESIA É CAPASSO
Poesia é compasso, com melodias
Suaves que musicam o bom viver
Suas cadências são visões luzidias
E ao ledor se torna graça a prover
E esse par, de fato, são harmonias
Que nos levam ao doce alvorecer
De quimeras, sonhos e fantasias
Que ao agrado traz o bem querer
Sussurram os diversos cotidianos
Traçados, feitos e outros planos
Do Bardo, que tira da sensação
Cada verso o ritmo a nos aninar
Adentrando a alma pra lhe falar
Dos ousas cadenciando o coração
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 janeiro, 2022, 10’06” – Araguari, MG
Às vezes, falar o que você pensa cria um abismo entre você e outras pessoas; outras vezes, expor os teus pensamentos constrói pontes sobre abismos já existentes.
Por isso, construa pontes, não abismos.
PEÇA PERDÃO, AINDA QUE VOCÊ SE SINTA VÍTIMA. VAI QUE A RAZÃO ESTEJA DO OUTRO LADO!!!
Altamira, teu segredo foi revelado
Você mata inocentes e inocenta culpados...
Culpados por Belo Monte...
Culpados por tantas águas
Que trazem no horizonte
Um rastro de violência
Escrita em muitas tábuas
Transformadas em cruzes
De flores adornadas.
E o que se faz?
Nada e Nada e Nada!
O fazer também JAZ!
A caneta.
O grito mais alto do mundo.
Plangente de solidão,
algente de tão profundo
que tolda o coração.
Adágio de uma canção,
prelúdio sabotador
nas mãos do compositor.
SONHOS DO MUCURI.
O infinito abissal habita a fonte do prazer investigativo que afaga e nos reduz.
Sonhos do Fonte Grande, da Lagoa da Pampulha, do belo horizonte.
Rasga meu âmago para jorrar o sangue do meu elemento anímico.
O tilintar do relógio anuncia o surgimento de mais um dia, uma aurora anunciada com os raios solares.
O silencio se interrompe pela mensagem que movimenta meu terno pensamento.
Paro na avenida principal da urbe, palpita meu coração de loucuras das reminiscências.
Um encanto a mais, uma saudade que corrompe minha epiderme
O dia chega ao seu fim, mas logo o clarão desperta-nos para a vida, deixando para trás um melancólico e saudoso passado.
O ontem me roubou a rotina com suas centelhas de saudade e assaz sofrimento.
O poeta se reflete no silêncio da saudade e se realiza na calmaria das estrelas incandescentes.
Nas frestas das janelas, o sol reduz o símbolo da primavera.
Não nos enganemos, o amanhecer, com seu colorido primaveril nos convida para a vida.
Pensou ser poeta, nasceu a inspiração na fonte inesgotável do Mucuri.
QUIMERAS DE OUTRORA.
As luzes, o crepúsculo, as edificações
O tempo ficou na mente do jovem pensador.
O tempo apagou as agruras de outrora, restando impregnado as reminiscências pueris,
O poeta lírico um dia sonhou esses momentos de êxtase.
Efervescência de estrelas reluzentes
Hoje, duas décadas depois, meu mundo verdejante
A luminosidade da fonte da praça a jorrar para o infinito
A beleza, o luxo, a autoafirmação, honrada e altaneira
Nascendo no poeta sua pureza de espírito e alma elevada.
A quimera me surpreende com a mansidão da majestosa e amada cidade
Um belo horizonte a encantar meus olhos umedecidos pela saudade do amor que um dia esvaiu na atmosfera do tempo...
