O Poeta e o Passarinho
Senti hoje o peso da indiferença. Ela pesa o mesmo que o esforço feito para ficar naquele lugar de escárnio, que é o lugar comum.
Como as palavras andam! Rodam o mundo e voltam, mas sempre voltam carregadas de impressões. São as impressões que as tornam universais.
As palavras não têm beleza alguma, as palavras são como tijolos cinzas ou vermelhos, elas precisam se abraçar para ficarem belas.
Não reconheceram minhas palavras como ouro ou trigo, mas amanhã se levantará um grito que tropeçando se arrastou por toda vida dentro de mim.
Vem brandamente em grades usando janelas para me ver e na cópula sorri dos hunos entre minhas pernas.
Sozinha a paz estava ali embriagada de sombras sem amor. Como um elefante eu ia passando a multidão, rasgando o entardecer...
Bebo rosas para embriagar teu coração e Brasília enrubesce naquelas nebulosas histórias de canteiros e flores.
Para acreditar em pássaros é preciso voar na imaginação, mas para crer nos aviões é preciso por o cinto e segurar o saquinho de vômito.
Para acreditar em algo é preciso buscar a alma dela. Geralmente a alma das coisas está jogada em qualquer lugar distante da imaginação.
Vi poesia pelo caminho, isso não me privou de ver a indecência dos políticos brasileiros que desviam da educação os analfabetos brasileiros.
Quando fazemos algo com a desculpa da loucura, estamos a fazer algo imbuídos da sabedoria dos deuses.
