O Poeta e o Passarinho
“A MORTE É A ÚLTIMA QUE DORME”
Se uma nova vida da morte brota
Vivemos em um edênico e turbulento jardim
De epitáfios
Se a morte é outra espécie de vida
Aquém e além das vãs filosofias
Além e aquém de toda analogia(mortal?)
Somos o grão e o adubo
O graal e o escudo
O horizonte que emudece quando
O sol se deita em seu leito
Se aninha em seu peito
E num novo alvorecer, brada: estou aqui! Só para você!
Somos lápides e cinzas
Não de Quartas do final
Não da Quinta do Carnaval
Tigres sem Eufrates
Estige sem barqueiro
Chama sem candeeiros
Castiçais sem sombras de vela.
A vida nova morte é certeza
Qual a certeza que estamos por ora vivos
O que nos traz um parco conforto, um alívio efêmero
Que será tragado, deglutido
Pelo espaço e tempo, em úteros, convertidos.
O céu está ao nosso lado
O inferno também
O horizonte é o que nos cerca
Nos engole e nos dejeta
Num tépido e silencioso vai e vem
Como as ondas do oceano
Como o mendigo que agora observo
Resmungando como o poeta
A tradução mexicana da odisseia de Homero.
Vai acunam! Desfruta dos braços do horizonte
E em seu brado mais que demais retumbante
Desperte em luz e nos vários tons do alvorecer.
Luciano Calazans, Salvador, Bahia, 14/11/2017
À Manuca Almeida (in memoriam)
MÁSCARAS Y BOASCARAS
algumas caíram na primeira lufada
pelo desuso uma dessas foi guardada
a que caiu nunca tentou ser segurada
lantejoulas y band-aids
reparos pra novas datas
máscara do Máskara e qualquer objeto pude ser
dia que fui átomo/resma/abridor de lata
fui botão namorei zíper
cansei ao experimentar espelho
do hedonismo
ao tédio do desejo
máscara de gás y às tiranias não temi
ladrei / militei
dei às ruas cortisol / rebeldia / nem pleito eu tinha
justiças lacrimogêneas ainda assim
me feriam
máscara de Maragojipe para as tradições que
que adornaram as minhas sábias alegrias
ápices carnavalescos
amores que disfarço em frágeis fantasias
máscara cirúrgica - na Gira / na crença (eis anestesia)
estou quase pronto pra transmutar
um corte na terra
a raíz da história se aduba no mesmo corpo-lugar
máscara de argila a beleza de se cuidar
eperiquitar-me todo
as manchas de juventude
cada trecho é um conto a se contar
máscara balaclava talvez me atice
ao assalto da mão-amada - roubar pra ler?
não me reconhecerão suspeito
roubar o tempo da paciência
inocento-me pra aprender
máscara de oxigênio em todas as circunstâncias
que a teimosia de não praticar
diariamente pranayamas
evitar tabaco / lactose
lembrar que meditar é uma simbiose
do fora pra dentro
a mudança é de dentro pra fora
sem máscara sobrevivo
sou poeta que
sobra
Bicho-da-seda
Nascia
um belo dia,
emoção forte me causou vertigem,
mamei minha mãe na fonte
de leite fiz um verso virgem.
Dos rios mastiguei os córregos
dos sóis sorvi dourados bicos
tomei do alfabeto, os símbolos
com eles fiz um verso rico.
Mas, da primeira cobra
armada em botes,
aprendi as contorções molengas
tomei da angústia, vida fluída
ri um verso duro, capenga.
Sou hoje colheita descoberta
dos amores de auroras nas fazendas,
extração dos capitães de mato
e dos de Areia do Jorge.
Explico então:
o poeta é um bicho-de-seda...
que explode
Fotografia de Casamento
Abraço apertado e um sentimento
No horizonte do medo.
O que virá...
Columba e seu protetor.
Fecunda hostes que repetindo,
vôos de aves. Desde o começo.
Muitos não terminarão juntos.
Mas se assumiram em nome de Amor.
A voarem juntos, por esse sentimento.
Não entendendo, de inicio.
Mas pendido apenas, as bênçãos do céu.
E quantos acertos e erros. Quantas confusões.
Passaram pelo céu. Levando o tempo nas costas.
Deixando seus frutos. E Coragem vinda,
Desse sentimento.
Que os fizeram voar.
Nova descendência, habitando a terra.
Como poderia ser pecado...
Erraram.... acertaram.....
Responsabilidade da criação.
Sem saber, o caminho de chegada.
Foram heróis.
Não , não há nada a lamentar.
Fizeram a melhor parte.
Te deram um corpo. Uma Vida.
Algum dia já agradeceu seus pais....
O dom da vida que jogas aos pouco,
No tempo, no posso, que continuas a cavando...
Desejas culpar mais alguém.....
Quanta injuria. Porque até para culpar
Precisas da força. Que gasta açoitando os ventos
da sua ingratidão.
Quem não agradece aos pais,
Estão órfãos.
Não possuem alma. Paz. Amor.
Não sabem de onde vieram, e nem
Tão pouco, para onde vai.
Assim como. Um pássaro perdido
Numa ventania sem fim.
Lamentando a falta, daquilo que nunca precisou.
Obrigado meu Pai. obrigado minha Mãe.
Marcos fereS
"Preciso"
Porque chuva tem que molhar,
sol precisa aquecer
e a vida existir...
Não sei sentir a imprecisão.
"Chuva vem lava tudo, só não lava minha alma despedaçada ! A dor parece maior , na escuridão de um quarto onde só se encontra tristeza e solidão "
Pertences ao teu ser e divide-se em dois
Proclama no desespero do teu silêncio, a lágrima escondida
Feres a ti mesmo, como feres ao pai.
Que o desejo de me encontrar perdida em lágrimas forje mais um dos belos sorrisos
O poeta jamais deixará de ser um sofredor rico, rico de esperança, ganhas o tempo com palavras doces e estimuladas, contenta-se o fraco.
Limita-se a amargura destinada ao coração...
O atraso constante de idéias não poetizadas me coloca na cara um sorriso único de alegria,
que saudade do tempo em que eu nem percebia e mesmo assim, sorria.
Elegância em flor
Elegância em flor. Traço forte, natural.
Vestida com dote inteligente.
Projetando sua imagem
nesse jardim.
Sustentando. Sente. Se preciso.
Encantar.
E apontar um norte,
Para o bem viver.
Quantas forças precisa uma flor.
Para doar-se, em esplendor.....
No silencio de seus próprios sonhos.
Porque é natureza.
Fazer-se elegante.
Natureza elegante.
Por ser natural.
Inexiste lugar para culpa.
Atrair fascínios, ao passar.
no mar do tempo.
Desvanecendo sonhos bonitos
Para a Vida sustentar,
Nesse Planeta.
Senão; como haveria polinização.....
No meio dessa imensidão desejos e ideais .
Enquanto atravessam as brumas
Nuvens de ilusões.
Que permeiam o jardim que ora,
Encantas.
Marcos fereS
"Os poetas se encontram
No escuro de um canto,
Jamais visto de outro ângulo
Se não o próprio.
Solitários, profanos
Enganadores, fingidores
Escondem no fundo
Suas dores, seus ardores
Extraem versos enfeitados
Da vista de um naufrágio
De um barco a deriva
Deixam fascinante
A forma de ver a vida.
Mesmo em meio ao caos
Do seu lado, os versos
Se formam na expressão
De uma conquista"
Como seria explicar?
Que o barro usado,
Da limpeza dos olhos do cego
É o mesmo que; que compõe seu corpo?
Que passando a enxergar.
Deixa de possuir impressões.
Imaginarias.
As impressões simbólica,
Deixam de fazer sentido.
Entendendo o porque.
E observando a realidade.
Para de queimar-se do fogo da ilusão.
E; com experiências, acumuladas.
No tempo e espaço.
Perdendo o medo das formas fantasmagóricas.
Que possuíam seu corpo.
Passando a cuidar da vida.
Assim como. Se cuida de uma casa.
E; estando limpa a casa.
Deixa de ser tomada por outros pensamentos.
Que nunca fizeram parte do existir.
Mas que a todo momento. Invadia a sala.
E permaneciam inebriantes.
Ocupando espaços, que não
Lhes convinha.
Como explicar no deserto da mente.
Ora aparecendo, ora se escondendo.
Pensamentos que sentimentos.
Que não se encaixam,
Com sua felicidade.
Seriam hóspedes que não possuam mais casa.
Mas todos insistiam em entrar pela sala.
Mesmo , sem serem convidados.
Como explicar essa invasão?
Perda natural, da energia Vital,
Lembrança acumulada que já não são.
Há muito tempo?
E; agora, vampirizam.
Na porta da sala. Indo e voltando.
A todo momento. Durante a vida.
Se tornando íntimos e fortalecidos
Em uma mentira sem fim.
Quando empurrados para quartos escuros
Tentam ser esquecidos.
Acabando a cegueira.
Não escravizam mais.
Sem mais errar. Continuam sua caminhada.
Mas sem causar tribulações,
no espirito em auto engano.
Que; com reservas suficientes.
Se tornam senhores de sua história pessoal.
canalizando suas próprias forças.
Escapando das fantasmagorias do medo
E da culpa.
Vindas Das sombras daquela Caverna.
Compreendendo os simbolismos;
Os totens e tabus.
E, enxergando a Realidade influenciando os sentimentos,
como parte, do conjunto do edifício da mente.
E todas as experiências são experimentadas,
Com mais lucides e suavidade.
Somente por você. E que podem ser entendidas,
Obtendo a vida. Novo sentido.
Canalizando cada Energia
com maestria, na criação do
estado de bem estar aqui. Na terra.
E reconhecendo, que existem momentos,
Que nada podemos fazer.
O que, não se explica?
Mas sentimos. Que a vida
É o aqui e o agora.
Marcos fereS
Para o pintor, uma parede branca, suja e esburacada...
Transforma-se em tela e fantasia...
Horizonte e linhas do céu...
Um pouco de tinta...
Um pincel...
Para o poeta...
Um momento...
Palavras ganham novos sentidos...
Em pedaços de papel...
O poeta tece em palavras...
Como o pintor retrata em cores...
A arte vai imitando a vida...
e a vida inspirando a arte...
Sandro Paschoal Nogueira
Amanheceu...
Frio intenso...
Árvores chorando em sereno...
Nem brisa sussurrando...
Em meu jardim só ?
Pensava ele = o poeta triste =
Rumor dos mortos...
Nunca esquecidos...
Caminhando....
E no silêncio presente...
Doce perfume inebriante pairava...
Nem uma abelha zumbia...
"De onde vem esse perfume?"
Indagava para si, tal qual sino silencioso,sem receber afago merecido...
Enquanto no frio agonizava...
Seus chinelos no chão arrastava...
Em penosa caminhada tremida...
Olhos lhe aguardavam...
Todo seus movimentos sentidos...
"O que será que o poeta vai fazer?"
Perguntam os pássaros uns aos outros...
Sussuravam baixinho...
A hora e o momento não pediam...
Alegres gorjeios...
E na aurora que o dia bebia em taças...
Pelo mel no ar ele se guiou...
Cada pétala...
Cada flor ele encontrou...
Estrelas deixadas na madrugada...
Com as quais se enamorou...
Eis que setembro chegou...
Olho-de-boneca floresceu...
O quanto Deus é generoso...
Só para fazer o poeta sorrir...
Plantou orquídeas em seu jardim...
Sandro Paschoal Nogueira
Sê presente
Um prato de comida;
Uma dose de boa vontade:
Um trabalho produtivo;
Um desapego sábio;
Uma Natureza cuidada;
Uma fé quando acordar;
Um lugar onde encostar a cabeça;
Um abraço demorado na pessoa querida;
Um adormecer despreocupado dos laços do viver;
Um intensidade de Amor. Para reforçar os laços
que acumulam o bom animo;
Utopia?? A terra continua girando.
E o tempo?? Bem aí. Na sua frente.
marcos fereS
QUINTAL
Varias picadas no caminho.
Com tuias, uma ao lado de outra;
Com portinholas de ferros em formas
De grades.
Intercalando com cupinzeiros de vários
Andares. De onde se observam as cabecinhas.
Olhando para o horizonte pensando? Sei lá o que?
No solo, massa negra e pedra. Para não sujar
As solas dos pés. E evitar que o magnetismo,
Retorne para a terra. Já acumulados pelas nas solas do
Sapatos.
Os Rios e nascentes já canalizados, não se conseguem perceber.
Apenas peneirar e retirando, se possível , as shigellas e correlatas.
Com a água preta tirada do poço. Se movimentam-se corcéis
De dois mil quilos feito de ferro, que pessoas usam para irem,
Trabalhar na roça.
De tanto engajamento, vão liberando enfileirados; gás carbônico, já servindo para eliminar zicas e dengues.
Sanitarizando .O Rios e nascentes já canalizados e esquecidos,
De onde; não se percebem mais. E apenas peneirando e retiram, quanto possível as shigellas e outras. E devolvem pelos canos, por onde existiam os bambuzais.
No ar, Aves gigantes silenciosas, transportando trezentos; cem passageiros. E libélulas girando suas elicies a todo tempo,
Indo para lá e para cá. Indo sei para onde?
Algumas arvores não frutíferas e fuligem , enfileiradas em calçadas, fazem as sombras para os caminhantes que; se movimentam para inalarem o oxigênio batizado para transportá-los ao organismos já acostumados.
Caminhantes que andam com uma caixinha na mão. Olhando a todo instante. Aprendendo, apreendendo, apreendendo.
Que só observando a Natureza. Que o Homem pode se reconhecer.
Qual a natureza do homem que nasce e vive nesse quintal?
Para essa pergunta. Deixo uma palavra chamada futuro.
marcos fereS
Deus está sonhando
O Criador está sonhando.
Como saber?
Sua mente não está cheia
de pensamentos ocupando
espaço. É porque ali. Algo foi criado.
Se funcional? Depende como e quando
foi creado. Por isso, as diversas formas,
o o sente. Se feliz. É leve. É porque
é funcional o bastante para crear uma
realidade. Verdadeira. Boa , ou não tão boa.
Mas está ali. E um dia ela, se encaixa em
alguma história que foi plasmada.
Preenchendo o vazio do uni-verso.
Com a energia da Vida.
Da Vida nada se perde.
O que é bom para um. É mau para outro.
O que é mau para outro. É bom para um.
E assim o universo se amplia.
Pensante, vivido e sofrido.
Mas chegará o momento.
diferença não existirá.
Porque ambos os lados serão
indiferentes. Pela seleção natural.
Há de equilibrar os contrapesos.
a ponto de extinguir sentimentos sofridos.
Porque o Criador, também está aprendendo,
no agora. Ele sorri. Quando sua creação sorri.
E chora quando sua creação sofre.
O fato é: A Vida jamais se extinguira.
Pela fato de se passar para outros planos de consciências.
Ou mesmo , transmigrar para outros corpos.
Para continuar novos ciclos.
Do Criador não se perde nada.
E Ele se conhece através de nós.
E sua Neutralidade permite a justiça
na distribuição de todas as forças
realizadas.
Por isso. Não existe, nós e eles.
O bem e o mal.
Um cochilo do Criador. E tudo
muda de lugar.
Deus toma partido da Vida.
E Justiça e Misericórdia.
Ainda vão habitar o coração
das criaturas da terra.
Quando as forças já equilibradas.
o sofrimentos , ora observados
serão como o cair natural de um
fio de cabelo.
Bons sonhos Criador.
marcos fereS
