O Poeta e a poesia
Riscos de sonhos desenham o céu
de uma madrugada forrada de estrelas,
fulgurantes, paradas em seu lugar,
lá onde imagina-se o infinito azul,
tão longe, mas o tocamos com o olhar,
esse, que lançamos em suave calma,
como se nada mais existisse além
desse momento de perfumados ares,
tocando noturnos, de onde vem?
talvez de algum lugar perto ou distante,
trazendo saudade de algo ou de alguém
A SANTA FEMINISTA
Vejo muitos a dizer da causa,
A causa boa,
A causa justa,
Mas quase nulo eu ver,
Algo sobre ela.
A santa feminista que lutou,
Que batalhou para libertar,
A França do julgo inglês.
Joana D'Arc que ouviu a voz de Deus, Não recusou, Não recuou,
E lutou!
E, mesmo no final,
Traída!
Seu heroísmo,
Sua luta,
Seu fulgor,
Lhe tornam a Santa bendita da França.
A PAZ PERDIDA
Tudo que me dava um minuto de paz,
Que me balançava,
Que me acalmava,
Foi-me tirado,
Foi-me abafado,
Foi -me cerceado.
Mas não se preocupem,
Já passei por coisas,
Outrora da mesma causa, Consciência,
E consistência de consideração da mesma.
Sei lá,
Não sinto paz,
Sinto que estou em um limbo,
De fracassos,
De desesperos,
Que vão,
Que iram acabar,
No dia em que eu partir de tudo.
Linda Livia...
desculpa por não ter,
te dado o devido valor,
no início era imaturo,
agora sofro no escuro.
Penso em ti todo dia,
manhã tarde e noite,
as vezes pouco... Ás vezes muito.
Agora sofro, e você, coerente,
não dá mais valor
para aquele jovem que achava
bonito e inteligente.
Penso em você tem 12 meses,
seu lindo rosto, calma,
me traz calma... Sua vontade
de se expressar e mostrar sua alma.
Dia 21 virei só mais um
dos(as) que não olharam, para o
grande amor, que estava ao lado
Uma noite irá
lembrar dos momentos
bobos que passamos,
uma noite qualquer,
mas não hoje.
Até tentei, mas a covardia...
Ah... A covardia... Me impediu
de ser feliz com você, Livia,
desculpa por ser um covarde
e esquisito.
Na natureza nada é estático
Se você reparar bem
O céu dança sobre nossas cabeças
Em milhões de formas e cores
As arvores e as flores conversam com o vento
Penso que assim é deve ser nossa vida
Sempre transformação e descobrimento
Compreendendo que a graça está na caminhada
E que os dias de chuva são tão necessários quanto os de sol.
Podemos só versos tristes fazer
sem no entanto ter tristeza
e também apenas sorrir
em versos que escondem asperezas
Poemeto
Ondas cantam no mar
em acordes de sal e sol
para a todos encantar
Acordes de sal e sol - metáfora criada pela autora
Nada feito
Lá se foi um verso inteiro
e eu não disse coisa alguma
Esse aqui já é o terceiro
e a rima mal se arruma
desperdiço meu tinteiro
escrevendo, assim, ligeiro
antes que a palavra suma
Biblioteca
Entre gritos abafados
no silêncio da Babel
Pensamentos empilhados
entre sonhos de papel
Ideais catalogados
deuses, reis empoeirados
Um inferno! quase céu...
Assombro
O nó seco na garganta
O meu passo meio manco
Nada disso me espanta
É preciso ser bem franco
O Terror que me encanta
vem da alma sacrossanta
dessas páginas em branco
Nu (flagra)
Quem pegou o meu soneto
e jogou metade fora?
Encontrei só um quarteto
Ai, meu livro! e agora?
Quando abri o meu terceto
Eu flagrei meu poemeto
Com redondilhas de fora
Escalando As Montanhas
A inércia dura e fria
da granítica muralha
que se ergue sobre a via
da humana e vã batalha
Guarda, em si, como quem cria
em seu ventre a fantasia
de um sol que não se espalha...
Passo
Sinto aperto no meu peito
Sigo andando meio manco
Sigo, canso e me deito
Sinto, tenho que ser franco
Num poema tão sem jeito
Eu percebo só ter feito
outra página em branco
Fogueira
Se pensar é meu pecado,
a caneta - qual cilício -
me flagela e vou, calado,
escrevendo meu suplício
pelo qual eu sou julgado,
torturado e condenado.
Eis aí meu Santo Ofício!
Livre-arbítrio
Quanto bem fica de lado
nas escolhas que alguém faz?
Lá, perdido no passado,
quanto amor deixam pra trás?
pensa Deus, desconfiado...
Com razão, pobre coitado...
Escolhemos Barrabás!
Pindorama
Solo santo invadido
Transformado em nação
Fruto podre, corrompido
Sem raíz, sem coração
Hoje o chão é devolvido
a um índio bem vestido
em camisas de botão
Lex talionis
Se os frutos que eu colho
minha vida é quem rega
de bom grado eu acolho
até mesmo quem me nega
Fico em paz e me recolho,
Pois, de tanto olho por olho,
a justiça ficou cega...
Lucas 6, 41
Não há cruz que me segure,
que me impeça de gritar;
não tem fé que me torture
e que faça eu me calar!
Quem quiser, pois, que procure
um remédio e se cure
de querer vir me curar...
Fome e sede
... e disseram: — foi bem feito!
Quem mandou roubar sua horta?!
Nunca mais esse sujeito
bate aqui na sua porta.
Uma dor me ardeu no peito:
— E do homem, que foi feito?
— Eu não sei, mas... Quem se importa?!
Pena
É prazer? É dor? vontade?
Ou será que você tem
a cruel necessidade
de ferir quem te quer bem?
Quem não vê que, na maldade,
mora um pouco de saudade,
de remorso e amor também...
