O Amor Nao Morre apenas Adormece
Sorte é de quem morre apenas uma vez, tenho morrido constantemente e devo confessar, não é nada agradável.
Apenas sei que dizem, que quando acaba, morre, vira pó! Talvez não morra, adormeça ai dentro em algum lugar. Num quanto qualquer dessa sala vazia. Talvez vire retrato na parede, livro de cabeceira ou sonhos na madrugada. Pode ser! Mas se morre, porque vive na memória e nas lembranças. Porque dói tanto a saudade de ver portas e janelas se fechar? O abraço afanado, o beijo por dar, o andar que se perde e a voz que se cala. Ainda penso, ainda sinto, mesmo morrendo, ainda vivo tudo isso aqui dentro. Mesmo sabendo que virou estrela cadente! Posso fazer um pedido? Faça? Me acorde quando isso tudo acabar!
Quando nasce uma mãe, não morre uma boa profissional, ela apenas se transforma em uma profissional extraordinária.
A gente não morre apenas quando para o coração, a gente morre também de saudade, tristeza e desilusão.
O vaidoso e orgulhoso não se lembra que o corpo é apenas um saco de bosta. Se cair estoura e morre! O mais importante é buscar a beleza que não se acabar, e que não tem fim. A beleza espiritual.
Cabelo é apenas cabelo. Cabelo cai, cresce, embranquece, pode ser comprado, você morre e não leva o cabelo, não leva nada. Você tem que ser lembrada muito mais que pelo cabelo, mas parece que nessa sociedade fútil vale mais o seu cabelo do que seu caráter, do qualquer outra coisa.
Toda estabilidade desgasta, morre e mata. Eu diria que até o amor enjoa de amar sempre da mesma forma.
Entre um homem e uma mulher, o que nasce primeiro o amor ou a amizade? E qual morre primeiro? Qual, pelo menos, dura mais?
A morte do amor é indolor pois é silenciosa, vai acontecendo aos poucos. O que dói de verdade é quando você acorda e enxerga ele aos seus pés, te olhando uma última vez. Você volta lá atrás, e procura saber qual foi o momento em que você deu a ele o último e mais letal gole do veneno, O amor morre sim, quando a gente não fica ligado, quando a gente não acampa, não cuida, quando a gente só ''deixa rolar''. Quando a gente oculta. Quando a gente esconde, quando a gente não é capaz de jogar limpo. Quando a gente escapa pra outro mundo, porque o amor não tá legal, ao envés de sentar ao seu lado e cuidar para que recupere-se. Ao envés de levá-lo pra tomar um ar, passamos a sufocar ainda mais na esperança de que ele sobreviva. Ao envés de preparar surpresas, de reanimá-lo. A gente dá as costas e escolhe alguma fuga. O amor morre sim, e é sempre nossa culpa.
