Nuvem
A NUVEM DO MEDO
Haverá em breve lá fora, uma nuvem reincidente.
Querendo pôr no abrigo trancados, não deixando sair.
Dizendo que a nuvem pode matar toda a gente.
Fomentando sentimento de impotência, fazendo muitos desistir.
Alguns que falavam, já não discordam mais.
Agora brigam dentro de casa, todos na mesma mesa.
Parece ter acabado o tempo de sabedoria, de luz e de paz.
Alimentam-se de notícias de morte, de dor e de tristeza.
Se irritam facilmente com quem ousa discordar e sair sem "guarda-chuva."
Quem ignora o pavor imposto e a cínica exaltação dos malfeitores.
Gente que come queijo, toma vinho e planta uva.
Que não cede ao pânico, nem às notícias, nem aos temores.
Não vai chover, e mesmo que chova, é chuva passageira, é um teste.
É um experimento, para observar sua reação, uma nova onda, nova peste.
Doenças fabricadas, vírus fabricados e que precisam ser testados, coisas indizíveis.
Armas de guerra, sim, a crueldade não quer o estrago de mísseis.
A nuvem que quer voltar, já se forma no obscuro, no escondido, lá no fundo.
Almeja o momento em que consiga controlar o mundo, em milésimos de segundo:
Querem levantar o "vento" adequado, para soprar forte, trancar portas de mercados.
Precisando fazer todos ficarem em casa aterrorizados, assim o vento arranca o telhado.
Logo que o vento invade por cima e controla a mente, limita-se a sagacidade.
Ao ponto em que se acredita em tudo que se ouve e se lê, saiu na TV então é verdade.
Ninguém questiona nada, afinal, quem inquiriu, sentiu o peso do vento e a ameaça da nuvem.
Resta ainda a inteligência do respirar e esperar, a paciência de explorar o hiato.
De não se isolar como ilha, de se orientar em família, de brincar com o cão, beijar o filho e abraçar a filha.
Saber que a nuvem do medo esconde um segredo: que o queijo é a ruína do rato e a armadilha é o boato.
Que no fim, a nuvem invisível, acostumada a fazer muro no escuro, vai embora, pois o nascer do sol da verdade a humilha;
Pois a apreensão não faz a estação e, nuvem nunca brilha.
Sergio Junior
Vem a nuvem colocar asas de anjo na bela capela do outro lado da ponte
Além céu vai a bela
A capela decolar
Distante vai no céu escuro a fé voar
Voa pequena capela nas asas que a nuvem veio dar
Voa
vai distante
Longe do olhar
Leva teu templo ao céu
Ontem é teu lugar
Vai pra longe dessa terra
Bela capela
Flua com as asas de anjo que a nuvem veio te dar
As asas em ti dizem que aqui não é teu lugar
Deve habitar nos céus onde Deus está
ESPERANÇA
Um tempo fechado,
Um dia nublado,
O vento gelado,
Vem me encontrar.
A nuvem tão pura,
Que agora, escura,
Me lembra a amargura
Que em mim está.
O dia é tristonho,
E nada encontro
Parece um sonho
Que não posso acordar.
Feito uma criança
Fico na lembrança
Desperto a esperança
E volto a pensar.
Pra lua, eu vejo
Pra ela, almejo
Reforço o desejo
De te encontrar.
Por mal ou por bem
Eu penso em alguém
Será que também
Está a pensar?
Previsão do tempo:
Dos dias em que senti saudade
Dois foram de ti
Sumiste feito nuvem
[que o vento carrega
Errando a previsão
De que o dia estava para amor.
Em meio as águas calmas tudo flui na beira mar, mas de repente a nuvem condensa e urge precipitar.
A gota cai no chão e lá se vão um milhão de ondas inquietas que perturbavam teu mar.
A sombra da nuvem
Escondeu na verdade
A sombra do homem
Em castidade
Que por sua total impropriedade
Abdicou na pele da sua santidade
Deitou-se com outra por necessidade
Para esquecer a que ou trocou por maldade
Não era mais homem, nem santidade ...
Só era a sombra da nuvem que escondeu a verdade
E ele sentou olhando para o fim de tarde
Pensando naquela que era saudade ...
Quando o desespero dos pensamentos nos visita, não brigue com essa nuvem carregada de sentimentos: entenda-a como processo natural de aprendizado e cura.
O falso amigo é como uma nuvem escura que paira sobre nossas vidas, trazendo tempestades de fofocas e inquietação.
Vi uma rosa no céu
Em forma de nuvem escura,
Veio regar todas as rosas
Que no meu peito perduram.
Cristina Pinheiro Moita
Tinta trovadoresca
Vem e vão numa passagem
hora ligeira, hora travada.
Nuvem branca e nuvem negra,
Porventura não será ela a mesma?
Talvez sim, talvez não,
cabe o poeta distinguir.
Saberá a alegria de amanhã?
Saberá a angústia de ontem?
Não! Ou sim...
Afinal, o que interfere no poeta?
Ser como uma nuvem triste
É viver sem rumo e sem cor
É carregar a chuva que ninguém pediu
É se esconder do sol que tanto brilha
Ser como uma nuvem triste
É chorar sem ninguém ouvir
É se sentir sozinho no céu azul
É se desfazer no vento que sopra
Ser como uma nuvem triste
É não ter um lugar para ficar
É vagar pelo mundo sem destino
É esperar por um raio de esperança
O mundo cruel de cinza faz novos castelos nos céus, a nuvem da glória, e no seu aroma é cheiro de vitória contra os teus irmãos.
NUVEM DE ALGODÃO
No suave fluir do tempo, me senti pairando,
O universo, em sua dança, me transformando.
Leve como pluma, encostei no céu distante,
Uma energia sutil me levou adiante.
Teu aroma, amadeirado, preencheu o ar,
Como nuvem de algodão, eu pude flutuar.
No compasso do teu coração, batendo suave,
Parecia um sonho, mas tão real se fez, eis a chave.
Seria um desdobramento, um laço do destino?
Ou simples ilusão em meu caminho?
Por um instante, vi-me através de teu olhar,
E o mundo, de repente, parecia desvendar.
Voltando à realidade, aos poucos, retornei,
Sem compreender o que experimentei.
Busquei-te, então, compreendendo o querer,
Descobri que vi, por um momento, teu jeito de viver.
