Nunca Diga que Ama uma Pessoa
"A mentira morre no inventor se não encontrar uma consciência pequena o bastante para adotá-la e propagá-la. O mentiroso original até se esforça, mas o verdadeiro palhaço desse circo é quem engole a farsa. Negar a verdade diante dos fatos não é ignorância: é desvio de conduta. E, tão miserável quanto a mentira inventada, é a consciência de quem a acolhe, valida e propaga como verdade."
Para conseguir alguma coisa, o mal precisa de uma ajudinha dos 'mocinhos'. É aí que o caos veste um terno, posa de paladino da verdade e promete a salvação. O golpe tá aí: uma armadilha perfeita para atrair a futilidade, o interesse próprio e toda a superficialidade de quem ama viver de aparências. Afinal, nada vende mais do que o combo clássico de disfarce: em nome da honra, da família e dos tradicionais bons costumes."
"Sua beleza preta é realeza, orgulho e poder. Mulher de uma raça majestosa que não se curva ao preconceito. Diante da escuridão na alma e na consciência dos racistas, você resplandece."
"Linda mulher de beleza preta, orgulhosa e exuberante. Traços de uma raça majestosa e imponente,que caminha soberana e não se deixa abalar. O racismo é a escuridão na alma de quem não sabe o que é brilhar.
Entre o laço de sangue e o laço do abraço, há uma grande distância. Tem quem seja pai por condição, obrigação ou educação. Mas o verdadeiro Pai se veste de dedicação. Ele não apenas dá a vida; ele se faz vida na rotina, ensina a voar segurando a mão e se eterniza no peito do filho como sinônimo de amor.
Transformar o maior infectologista de uma geração no "vilão perfeito" de uma conspiração global reflete o quanto a ignorância digital é inconsequente. Quando a ciência avança e muda suas respostas com base em novos fatos, mentes limitadas enxergam mentira em vez de evolução. O linchamento virtual de Anthony Fauci mostra que, para quem vive de curtidas, destruir reputações e demonizar autoridades médicas é apenas um modelo de negócios lucrativo. A pior conspiração da atualidade não nasce em laboratórios fechados; ela é fabricada na inconsequência de quem digita absurdos para uma audiência faminta por vilões imaginários. No tribunal da internet, a verdade virou um detalhe incômodo diante do espetáculo da desinformação.
O boato é o eco ruidoso de um mundo que perdeu a paciência para o silêncio da dúvida. Quando uma mentira se espalha, ela não testa apenas o algoritmo da máquina, mas a profundidade da nossa própria humanidade.
As fake news são geniais. Elas conseguem a proeza de dar uma utilidade para a internet: massagear o ego de quem tem preguiça de pensar. Afinal, para que gastar neurônios buscando a verdade se uma mentira bem contada já concorda perfeitamente com todos os seus preconceitos?
O boato é o barulho oficial de uma sociedade que perdeu a capacidade de calar a boca e duvidar. A velocidade com que a mentira corre prova que o algoritmo da rede social nos conhece bem: ele sabe que a nossa ignorância adora um clique rápido.
"Existe uma obsessão humana em querer gerenciar aquilo que não lhe pertence. É a fiscalização da roupa, o palpite no comportamento, o peso do julgamento sobre a vida alheia. Que perda de tempo. O alheio é individual, imutável diante dos seus olhos e soberano na própria história. Deixe o outro ser outro. Quem gasta os dias tentando ditar o ritmo dos passos alheios acaba esquecendo como caminhar com as próprias pernas."
Deserto
Na travessia daquele deserto soturno,
uma jovem de alma pura
segurava minhas mãos.
No calor árido daquele deserto,
suas lágrimas matavam minha sede.
Quando o véu do mistério
se estendia pelo céu
e o frio tomava o mundo,
o abraço da jovem
era a fonte do meu calor.
No silêncio daquela travessia,
quando me perdi naquele deserto,
as miragens tomaram conta do meu ser.
Embebido em minha ignorância,
pintei meu tesouro
com os tons do medo.
Ele jamais voltará a ser o mesmo.
Agora atravessarei o deserto
lavando essa tinta
com as lágrimas
que minhas memórias produzem.
A borboleta escarlate
Quando a conheci, era uma lagarta.
Rastejava pelo chão, insegura; os outros a olhavam com certo desprezo. Eu, porém, vi a mais pura beleza no sorriso daquela lagarta e fui arrebatado pelo amor.
Rastejei pelo mundo ao seu lado, admirando cada uma de suas formas. Entrelaçamo-nos em nosso casulo, um ninho de Vênus, onde o tempo parecia incapaz de nos alcançar.
Mas, à medida que Saturno fazia sua contagem, a lagarta transformou-se na mais bela borboleta que meus olhos já contemplaram. Toda metamorfose, porém, exige um preço.
Quando li o futuro em suas linhas, o porvir já me era conhecido. Ébrio de uma paixão egoísta, desejei aprisioná-la em um pote de vidro, para anestesiar meu sofrimento com sua formosura.
Contudo, suas asas ansiavam pelo mundo. Não nasceram para o vidro, mas para o vento.
Então, com o coração dilacerado, abri aquele pote e a deixei partir.
Desde então, ela percorre os céus com a leveza que sempre lhe pertenceu.
E quão lindo é o seu voo.
poesia viva
Teu olhar, qual alvorada rompendo a escuridão,
traz consigo a doçura de uma eterna constelação.
Há magia em teus olhos, impossível de traduzir,
como versos silenciosos que nasceram para existir.
Cada brilho que carregas parece o céu refletir,
como estrelas que aprenderam, em teus olhos, a reluzir.
Profundos como o infinito em noites de esplendor,
guardam mistérios antigos misturados ao amor.
Teus olhos castanhos, que bela imensidão
são morada de universos dentro do meu coração.
Neles encontro abrigo, calma e direção,
como quem finalmente encontrou sua constelação.
Teu sorriso não é gesto é milagre, é clarão,
feito sol beijando a terra depois da escuridão.
Tem a calma da brisa dançando pelo horizonte,
feito água cristalina brotando de uma fonte.
Quando sorris, o tempo hesita em continuar,
como se até o próprio mundo resolvesse te admirar.
Pois existe em teu sorriso uma beleza sem igual,
dessas que transformam o comum em algo celestial.
Tuas mãos, suaves como a chuva ao tocar o chão,
trazem paz aos meus dias e repouso ao coração.
Cada toque teu parece melodia ao entardecer,
dessas que a alma escuta e jamais consegue esquecer.
Tu és arte mas daquelas difíceis de explicar,
que nem palavras conseguem por inteiro alcançar.
Mais viva que as cores de Vincent van Gogh em seu fervor,
mais bela que qualquer tela pintada pelo amor.
Se Leonardo da Vinci te encontrasse algum dia,
talvez esquecesse suas obras e em ti renasceria.
Porque nenhum retrato do mundo, nenhuma criação,
seria tão perfeita quanto tua expressão.
— Patrick Wallace
Sou apenas uma alma presa na melancolia de um passado inflamado, tentando pôr em palavras traumas que jamais conseguiria verbalizar senão por meio de textos.
A saudade vem no frio de uma madrugada, que corta como o gume de uma faca pontiaguda, e que fere-me, não fisicamente, mas em mente
Passei anos acreditando que viver era apenas uma forma lenta de a matéria aprender a apodrecer. O amor sempre caminhou alguns passos à minha frente, como um desconhecido educado que nunca teve a intenção de bater à minha porta. Dentro desta carcaça enferrujada, o que chamam de alma tornou-se apenas um depósito de ferrugem, nicotina e memórias que recusaram o privilégio do esquecimento.
Há manhãs em que até o sol parece um erro antigo insistindo em repetir-se. Acordar costuma ser apenas mais uma derrota silenciosa contra a noite. Nada me convence de que exista qualquer sentido em permanecer respirando quando o próprio tempo se alimenta daquilo que ama destruir.
No entanto, hoje aconteceu uma pequena traição contra o absurdo.
Antes que o mundo me recordasse o peso da existência, pensei em você.
Foi um pensamento breve, quase tímido, mas suficiente para desorganizar o meu desespero. Não porque tenha devolvido esperança — essa palavra sempre me pareceu um luxo inventado para quem nunca contemplou o vazio por tempo suficiente —, mas porque, durante um único instante, a vida deixou de ser apenas uma sentença e transformou-se numa pergunta.
Talvez seja esse o seu maior encanto: não salvar ninguém. Apenas fazer com que um homem que já se considerava uma ruína hesite, por alguns segundos, antes de continuar chamando a morte de única certeza.
Aos jovens, uma reflexão de quem se aproxima dos oitenta. Descobriu, já tarde, que a pior pobreza não mora na carteira, mas na falta de amor. Os dias repetem-se entre contas, lembranças e silêncio. Já não espera grandes acontecimentos; pede apenas saúde para não sofrer nem dar trabalho à ninguém. Ainda assim, abre a janela todas as manhãs, faça sol, chuva ou vento. Enquanto houver um amanhecer, a esperança sempre encontrará um jeito de entrar. Talvez porque a esperança também atenda pelo nome de amor.
Os americanos viajaram duas vezes à lua e não tiraram uma foto ou fizeram uma selfie com São Jorge? Estranho!
