Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Nunca devemos abdicar de nossos sonhos, por mais que no momento, bem impossível nos pareça. As verdadeiras vitorias são constitutivas da fé e da persistência. Pois na verdade, é a vida que silenciosamente transpõe as barreiras, do que é finitamente e geometricamente esperado. Tudo é possível.
Qualquer lugar que não preserva e honra sua historia e seus grandes personagens do passado, nunca poderá ter futuro e perde todo o aprendizado social, politico e religioso contra os graves erros. Vive toscamente a deriva da própria sorte, por que nada aprendeu com o tempo e distancia se cada vez mais, de ser chamada de soberana, viva e civilizada.
Meu Deus Universal, nunca poderá ser maior ou melhor do que nenhum outro das diferentes religiões e culturas humanas do bom e do bem. Pois se assim, o for, para mim não passará de uma manipuladora e terrível invenção terrena e com o convite de uma equivocada idolatria, de uma suntuosa imagem, adornada exageradamente de gemas preciosas e ouro.
A verdadeira historia da nação brasileira nunca foi contada verdadeiramente. Enquanto países de tamanho proporcional, como Estados Unidos da América teve desde o inicio uma politica de povoamento o Brasil continental desde o inicio teve uma politica sórdida de exploração. Hoje com alguns documentos e narrativas sobreviventes, e a própria cultura de resistência mulata, negra e indígena precisam serem reescritas. Advirto que o adjetivo mulato, nada tem haver com mula. Na verdade é um termo árabe - português, derivado da palavra "mulad" que eram os filhos mestiços de árabes com portugueses na época que o povo árabe ocupou a península ibérica.
o dom de me apaixonar por você outra vez.
O mais estranho é que eu nunca terminei de me apaixonar por você.
Eu apenas fui mudando o jeito.
No começo, bastava pouco.
Um olhar demorava um segundo a mais e alguma coisa dentro de mim já encontrava morada. Uma conversa se estendia pela noite e eu descobria que gostava da maneira como você ocupava o tempo. Gostava do seu jeito, da sua presença, das pequenas coisas que, naquele momento, pareciam pequenas demais para saber que um dia seriam enormes.
Depois veio outra versão sua.
E eu me apaixonei de novo.
Não pela lembrança do que você tinha sido, mas por aquilo que você estava se tornando diante dos meus olhos. Algumas coisas mudaram. Outras permaneceram exatamente onde estavam. E eu descobri que também sabia amar suas mudanças.
Me apaixonei pela mulher que você se tornou.
Pelas novas manias.
Pelas novas palavras.
Pelos novos silêncios.
Pelo jeito diferente de olhar para determinadas coisas.
Me apaixonei pelo que aprendi sobre você e, principalmente, pelo que ainda não sabia.
Depois me apaixonei outra vez.
E outra.
E outra.
É quase engraçado pensar que eu poderia conhecer alguém tão profundamente e, ainda assim, continuar encontrando lugares desconhecidos.
Como se você tivesse sido escrita em capítulos que o tempo insiste em reescrever.
Eu volto para a mesma pessoa e encontro outra paisagem.
O mesmo sorriso, mas com outra história por trás.
Os mesmos olhos, mas carregando coisas que antes não carregavam.
A mesma voz, dizendo coisas que eu nunca tinha escutado daquele jeito.
E eu me apaixono.
De novo.
Não porque esqueci o que senti antes.
Justamente porque lembro.
Lembro de cada versão de você que passou por mim e percebo que nenhuma delas precisou morrer para dar espaço à próxima.
Elas ficaram.
Ficaram em mim.
E talvez seja por isso que o meu amor nunca pareceu uma linha reta. Ele se parece mais com uma espiral volta ao mesmo ponto, mas nunca exatamente na mesma altura.
Eu volto para você e sinto coisas que não sentia antes.
Presto atenção em detalhes que antes passavam despercebidos.
Entendo gestos que um dia não compreendia.
Encontro beleza em coisas que antes sequer sabia observar.
E penso que me apaixonar por você novamente não significa repetir o que já vivi.
Significa viver de outro jeito aquilo que ainda continua sendo você.
Eu me apaixono pela sua força.
Depois pela sua delicadeza.
Pelo que você mostra.
Depois pelo que guarda.
Pela sua presença.
Depois pela falta dela.
Pelo que você foi comigo.
Pelo que é agora.
Pelo que ainda está aprendendo a ser.
E continuo descobrindo maneiras.
Essa é a parte que mais me impressiona.
Eu poderia passar anos tentando explicar o que sinto e, ainda assim, bastaria você mudar uma pequena coisa no jeito de existir para eu encontrar uma palavra nova.
Um sentimento novo.
Uma forma nova de ficar.
Meu amor por você não precisou ser recuperado porque nunca foi embora.
Ele só ficou quieto em alguns lugares.
Esperou outras fases.
Aprendeu outras formas de respirar.
E quando você apareceu de novo, ele não precisou ser chamado.
Reconheceu você.
Como se soubesse exatamente onde estava.
E foi assim que aconteceu mais uma vez.
Eu me apaixonei.
Sem precisar esquecer das vezes anteriores.
Sem precisar escolher qual versão sua amar.
Amei a que chegou.
Amei a que mudou.
Amei a que permaneceu.
Amei a que eu conheci por acaso em pequenos detalhes.
E sigo amando a que ainda estou descobrindo.
Porque o que sinto por você não parece ter sido feito para caber numa única experiência.
Ele se repete sem ser repetitivo.
Volta sem ser o mesmo.
Recomeça sem ter acabado.
E toda vez que penso que finalmente entendi como é amar você, alguma coisa acontece.
E talvez não, com certeza, eu esteja muito ocupado sendo seu para me apaixonar por outra pessoa*
Você sorri de um jeito diferente.
Diz alguma coisa que eu nunca tinha ouvido.
Me olha por alguns segundos a mais.
E pronto.
Lá estou eu outra vez.
Me apaixonando por você.
Pela mesma pessoa.
Pelo mesmo amor.
Por uma versão que eu ainda não conhecia.
Assim mesmo, redundante como sou, e mesmo sendo.
E, pela primeira vez, não quero descobrir onde isso termina.
Quero descobrir quantas vezes ainda vou conseguir me apaixonar por você antes de perceber que, no fundo, nunca parei.
A sua grandeza machuca os maldosos justamente porque nasceu de um coração que nunca deixou de ser humilde.
Regue suas cicatrizes com gratidão e deixe que a sua paz seja o silêncio que a inveja nunca ousa perturbar.
Onde o Tempo Não Existe
E se o tempo nunca tivesse existido?
Se aquilo que chamamos de ontem,
hoje
e amanhã
fosse apenas uma maneira limitada
de organizar o infinito?
Talvez exista algum lugar
onde eu ainda tenha um ano.
Onde minhas mãos ainda sejam pequenas
e eu não saiba que um dia
vou aprender o significado da palavra saudade.
Nesse mesmo lugar,
eu tenho cinco.
Corro sem saber que estou correndo
para longe de uma infância
que passarei o resto da vida tentando encontrar.
Tenho dez.
Ainda existem pessoas ao meu redor
que, em outra parte dessa linha,
já não estão mais aqui.
Eu olho para elas,
converso com elas,
e não faço ideia
do privilégio que é poder ouvir suas vozes.
Tenho quinze.
Acredito que a vida está começando.
Tenho vinte.
Acredito que tenho tempo.
Tenho trinta.
Começo a perceber
que algumas portas se fecharam
sem fazer barulho.
Tenho quarenta.
E talvez já olhe para os vinte
como quem observa uma pessoa
que um dia conheceu muito bem.
Tenho cinquenta.
Sessenta.
Setenta.
Cem.
E se todas essas versões de mim
não estiverem esperando para acontecer?
E se elas já existirem?
Agora.
Todas juntas.
Talvez em algum lugar
o menino esteja sentado ao lado do velho.
O menino pergunta:
“Quem é você?”
E o velho responde:
“Sou aquilo que aconteceu com você.”
Mas talvez o velho também pergunte:
“E você, quem é?”
E o menino sorria:
“Sou aquilo que você perdeu.”
Então os dois ficam em silêncio.
Porque nenhum deles está realmente no passado.
Nenhum deles está no futuro.
Somos nós que atravessamos a vida
acreditando que deixamos versões nossas para trás.
Mas e se ninguém tiver ficado para trás?
E se a criança ainda estiver brincando?
Se o adolescente ainda estiver sofrendo
por algo que hoje parece pequeno?
Se aquele dia perfeito
ainda estiver acontecendo em algum ponto
que nossos olhos já não conseguem enxergar?
Se as pessoas que perdemos
ainda estiverem sentadas naquela mesa?
Se aquela porta ainda estiver aberta?
Se aquela voz ainda estiver dizendo nosso nome?
Talvez o tempo seja apenas uma parede
que nos impede de ver tudo de uma vez.
Porque seria insuportável.
Imagine olhar para uma pessoa que você ama
e enxergar simultaneamente
o bebê que ela foi,
o adulto que ela é
e o último dia em que você poderá abraçá-la.
Imagine olhar para si mesmo
e ver todos os seus rostos.
O primeiro.
O de agora.
E o último.
Talvez seja por misericórdia
que enxergamos apenas um instante de cada vez.
Talvez o presente seja uma pequena janela
aberta sobre algo infinitamente maior.
Mas às vezes…
em certos sonhos,
em certos cheiros,
em certas músicas,
em certos silêncios,
parece que alguma coisa quebra.
Por alguns segundos,
temos cinco anos outra vez.
Dez.
Quinze.
Vinte.
E não estamos lembrando.
Estamos lá.
Talvez seja por isso que algumas lembranças doem tanto.
Porque talvez a memória
não seja exatamente olhar para trás.
Talvez seja tocar, por alguns segundos,
um lugar onde aquilo ainda está acontecendo.
Um lugar onde ninguém envelheceu.
Ninguém foi embora.
Nenhuma despedida aconteceu.
Onde todas as nossas idades
estão sentadas na mesma sala,
esperando umas pelas outras.
E talvez, quando tudo terminar,
não exista um fim.
Talvez apenas descubramos
que nunca estivemos caminhando por uma linha.
Estávamos dentro de algo eterno.
E então veremos:
o primeiro choro,
o primeiro passo,
os amores,
os erros,
as perdas,
os reencontros,
a juventude,
a velhice,
todos acontecendo
no mesmo instante.
E talvez finalmente entendamos
que o tempo nunca levou nada.
Nós é que só conseguíamos enxergar
uma parte da eternidade por vez.
A expressão genuína e o direito de escolha florescem onde há decência e limites morais, nunca na desordem e na destruição promovidas pela libertinagem.
"Podemos viver com dignidade, mas nunca morrer com ela."
— Dr. Gregory House, em House, MD, por Hugh Laurie
você pode perder muitas coisas na vida,
mas nunca deve perder a si mesma.
Se escolha sempre.
Você também merece ser prioridade.
Helaine Machado
Memórias póstumas e sua beleza
"Tempo que foi, não volta. Tempo que vem, mas que nunca chega.
Tempo que tudo leva e nada deixa; nada além de memórias póstumas e sua beleza. Tarde demais nos ensinou a amar, tarde demais nos ensinou a aproveitar.
Segundos parecem tão pouco, mas daria algumas décadas para ter de volta um segundo do seu riso. Lembro do gosto do seu bolo de trigo. Fui a um excêntrico chef em Paris, mas ele não conseguiu replicar o gosto daquele bolo.
Talvez não se trate de gastronomia. Talvez sejam suas mãos, mágicas e cheias de amor. Seja o que for, nada me trará novamente aquele sabor. Tentei ir a um show de humor, mas nem mesmo a melhor piada já contada me faria rir como você me fez.
Talvez, um dia, eu ame, delire de amor e escreva versos apaixonados.
Mas nenhuma amante poderá me presentear com os seus cuidados. O seu colo era um lugar sagrado, onde, em questão de segundos, o homem virava outra vez menino. Sinto falta daquilo.
Ah, tantas palavras que gostaria de ter dito, mas que hoje são só versos escritos; doce delírio da eternidade, em que, mais uma vez, encontrarei seu riso, em que, de novo, teremos aquela tarde com café e bolos de trigo, onde serei, novamente, o teu menino.
Teu doce e distraído menino.
Amo-te. Sonho que saiba."
Miguel Espinoso
Nunca confessei abertamente meu amor, mas, se é verdade que os olhos falam, qualquer idiota perceberia que eu estava perdidamente apaixonada.
