Noite Sombria
Estrada solitária
A estrada solitária, muda e sombria.
Musgos gélidos rangem sob meus pés.
Sigo... em frente prossigo.
Não me foi outra coisa ensinado...
Devo ir... prosseguir.
Avisto o rio que acompanha a estrada deserta.
Meu único companheiro de jornada.
Não há um pássaro sequer nas árvores desfolhadas...
Não há borboletas esvoaçantes, nem flores perfumadas.
Uma curva logo em frente se aproxima...
Meu coração bate acelerado.
O amor por mim será encontrado?
Mudada será minha sina?
A depressão é sombria e torturante, não saia dizendo por ai que você está com depressão só porque está triste e não quer levantar da cama. a depressão é constante, e parece que nunca vai acabar. Saiba diferenciar a sua tristeza da depressão de uma pessoa diagnosticada com depressão. Só tenho o direito de dizer isso porque fui diagnosticada com depressão.
As grandes descobertas da ciência, de Arquimedes a Newton, sempre pareceram magia sombria no início.
LUZ CONSTANTE
Tua claridade,
ilumina a noite mais sombria
em meus sonhos
és farol cintilante,
não vou manifestar
algo que me arrependeria,
sentir tal energia modifica meu semblante.
Se atraio oque penso
pretendo me iluminar
imaginação e sentimento
tento sincronizar,
buscando a conexão
no nível mais sútil possível,
luz e escuridão formam
um eclipse incrível.
Comungando gratidão
somente por tal existência
entrego minha centelha
em versos do mundo prana
em busca do afago de tua incandescente frequência
preso em minhas escolhas
por uma vaidade mundana.
E se um dia equilibrar
o nosso plexo solar,
a aurora vai chegar
e poderemos dançar,
poderei explicar porque
mudei o caminho,
previ ramificações
e permaneci sozinho.
Mas numa esfera sombria, os demônios se escondem, Criaturas infernais, onde o mal prevalece e se escondem. Com suas artimanhas, tentam desviar o caminho, Mas a luz de Deus sempre prevalece, não há empecilho.
Augúrio
Caminha a morte bela,
sombria e cambaleante,
a beber-me em doses lentas.
Está bêbada a minha morte,
bêbada de mim,
rindo-se de mim.
Não haverei de morrer de morte súdita,
nem súbita.
O baile continua, o gaiteiro continua, a dança continua,
Ela continua.
Ai de mim, coveiro amigo!
Ai de mim!
A NOITE DO CERRADO
Já bem sombria, oculta, a noite no cerrado
cerra o dia, o céu numa escureza pulsando
numa poética a noite as estrelas vai fiando
e a lua no horizonte num aparar alumiado
Anoitece o sertão em um tom cadenciado
que, a toada do pôr do sol vai ressonando
ouvindo o curiango a cantar, abençoando
a cada recanto do sem fim tão enturvado
O dia sepultado, no cerrado, a noite gesta
á sombra do cosmo, em uma diurna festa
inteiramente, diversa, e cheia de segredo
É cair da noite, é encantamento, o ir além
calmamente a esperar pelo raiar que vem
ninando os sonhos para um novo enredo.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/11/2024, 21’12” – Araguari, MG
Liana Sombria…
No vasto reino das florestas ancestrais, onde o sol beijava gentilmente as copas das árvores, existia uma planta que se destacava por sua aparência frágil e despretensiosa. Essa planta, conhecida como a Liana Sombria, serpenteava de maneira sutil ao longo dos troncos robustos, envolta em um manto de folhas esguias e flores pálidas como névoa matinal.
A Liana Sombria não possuía a força majestosa dos carvalhos nem a resiliência das coníferas, mas, em sua aparente fragilidade, escondia um segredo voraz. Ela se enlaçava suavemente em torno das árvores vizinhas, sussurrando promessas de sombra e abrigo, enquanto silenciosamente sugava sua seiva vital. Lentamente, as árvores sentiam seu vigor se esvair, suas folhas murcharem, suas raízes enfraquecerem, enquanto a Liana florescia exuberante, alimentada pela essência alheia.
Na quietude da floresta, esse ciclo parecia eterno, até que um dia uma brisa sutil trouxe consigo a sabedoria do vento. As árvores, antes resignadas, ouviram o murmúrio distante das montanhas, que lhes contou sobre o poder do desapego. Com um esforço coletivo, começaram a se libertar dos grilhões invisíveis, afastando a Liana de seus troncos e permitindo que a luz do sol novamente banhasse suas copas.
A Liana, desprovida da força alheia, definhou lentamente, suas promessas vazias dissolvendo-se no ar cálido da manhã. E assim, o bosque redescobriu sua harmonia, suas cores vibrantes retornando com um vigor renovado.
E, naquele silêncio reverente, as árvores compreendiam que às vezes era preciso deixar para trás aquilo que, em sua aparente fragilidade, esgotava seu espírito. Afastar-se da sombra ilusória era permitir que a verdadeira luz penetrasse, revigorando a essência e devolvendo ao mundo sua beleza intrínseca.
Se esconder de si é querer se separar da própria sombra, a gente anda, mas ela segue ali, sombria, quieta e rastejando atrás de nós, todo tempo.
A VOZ DA SOLIDÃO
No vão da noite sombria, deserta
Tão silenciosa, envolta em arrelia
O repouso torna a cena irrequieta
Em um tenso sussurro de agonia
A enodoada alta noite terrificante
Povoada de uma vontade, irradia
Aperto, onde não há o que cante
Nem o poema sem a melancolia
Na treva da escuridão a coruja pia
Rompendo o vazio no tom dolente
Tal um cântico de acerba sensação
O pensamento da gente silencia
O coração arrepia tão vorazmente
E, merencória fala a voz da solidão.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
20 abril, 2024, 13’58” – Araguari, MG
Na agonia da insônia, numa noite sombria, trago a correria do dia a dia como companhia.
Os ponteiros do relógio giram na mente trazendo a agitação do dia. A insônia persiste, sem dar trégua ao tormento que tanto aflige.
Oh, como anseio pelo descanso tão merecido, longe do frenesi que impede dormir.
Que o silêncio acalme a tempestade em meu peito, e que o sono, enfim, traga o alívio perfeito.
Madrugada sombria
Na rua sombria
Meu coração esfria
Como uma simples pessoa
Sua alma arrepia
Na madrugada veja a escuridão
E a Luz sem exceção
Cinco e meia da madrugada
E eu aqui lutando por nada
O simples sentimento é o Amor
Mas basta aguentar a dor
A dor que me corrói
E a dor que me constrói
A dor virou sua amiga
Não te deixa sozinha
Eu tenho que aguentar
Por que, se não errado vai dar
Você é o que almeja e deseja
Então levante e preparado esteja
Refúgio em Noite Sombria - Vida de Cael Arcanus.
Na calada da noite, aos treze anos,
Uma aflição cruel me consumia,
Reflexo antigo, em ciclos sobre-humanos,
Que desde os nove a sombra já trazia.
Corria aos braços dela, mãe tão guia,
Seu toque leve, a paz me devolvia,
Com mãos que afagavam minha agonia,
Até que o sono enfim me acolhia.
Gigante o mundo, e o peito se oprimia,
Mas em seu colo a calma se achegava,
E em seu carinho a dor se dissolvia,
O mal, aos poucos, dali se afastava.
Aos quinze foi-se a sombra que me via,
E a paz que ela trouxe em mim ficava.
noite vazia, chuvosa e sombria
mais uma sexta que me encontro sozinha
as gotas caem no ritmo em que meu coração bate
sabia que ele esta gritando de saudade?
“Amo as cores. Elas são vibrantes e me deixam ler você, mas tenho medo da cor cinza; ela é sombria e me torna gélida.”
LABIRINTO QUE HABITA EM NÓS
Na paleta sombria da vida em preto e branco,
Caminhamos nós, em loop infinito,
Onde o riso é efêmero e a tristeza é constante,
E a felicidade, apenas um breve aflito.
Ansiedade e cansaço, amarras que nos prendem,
Em meio a uma sociedade de máscaras e mentiras,
Nos sentimos como naufrágios solitários,
Em uma ilha deserta de almas vazias.
Cada passo é uma dança na corda bamba da existência,
Onde o sol se põe em tons cinzentos de resignação,
E a lua brilha com um brilho melancólico,
Sobre os destroços dos sonhos sem direção.
Somos peões em um tabuleiro de ilusões fugazes,
Onde o amor é um espelho quebrado de desilusão,
E a esperança se dissolve como areia entre os dedos,
Neste teatro de sombras, sem redenção.
No eco dos dias, ecoam vozes de silêncio,
Entre a multidão, nos sentimos estranhamente sós,
Como um quadro em branco, esperando a cor que não vem,
Somos poemas inacabados, em versos sem voz.
Não há final feliz nesta sinfonia de desencanto,
Apenas a melodia triste de corações desencontrados,
Onde o tempo se arrasta em um ciclo impiedoso,
E o vazio preenche os espaços, sombrios e deixados.
Assim seguimos, entre sombras e clarões passageiros,
Na dança eterna da busca por algo que se perdeu,
No labirinto de nós mesmos, nos encontramos perdidos,
E a vida em preto e branco, continua, sem adeus.
aqui no fundo do mar, em sombria água
busquei redenção como náufrago fantasma
para sempre vivendo nos versos esquecidos
na escuridão do fundo do mar em um livro
Riz de Ferelas
Livro de poesia Novos Ventos
Sempre foi assim, uma existência sombria, um apagão na alma, cicatrizes, dor, peleja, sacrifício, martírio, solidão, tristeza e angústia. Nada do que sonhou, realizou-se. Ninguém que amou, correspondeu-a. Nenhum lugar onde foi, existia. Nenhum chão que pisou, resistia.
