Noite Sombria
VIDA POR VIDA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já não gasto meu lume com gente sombria;
que resvala, ressente, mais mia que fala;
tem os olhos de ocaso e semblante contrito
como quem nunca sai da masmorra que leva...
Não vou mais à procura de gente sem cor,
passageira da dor que por vezes nem há,
resguardada e que nunca se confessa bem,
porque teme que o riso a denuncie fútil...
Afinal me cansei dessa gente remosa,
pesarosa e com ares de pura mortalha;
tem um luto constante, uma nobreza fria...
Quero gente mais viva, menos recolhida,
dou a vida por vida e negocio sonhos
que não cedem ao peso dos que nunca dormem...
O egoismo e a unilateralidade é o vampirismo e dependência selvagem de toda sombria e esquisita juventude digital contemporânea. Buscam revoluções ao gritos, aos deboches e a pauladas pois não possuem ideias, ideais, sonhos e muito menos intelectualidade para com discernimento conquistarem qualquer tipo de liberdade.
O racismo é a manifestação da impertinência de uma consciência sombria, triste e insatisfeita com a própria incapacidade de amar ou conviver com o proximo
"" A madrugada sombria,cedeu
O que era cativo se libertou
já não estamos em tempos de guerra
mas pela paz seremos heróis
até a certeza da aurora chegar
lutaremos com mãos de ferro
rompendo o dano causado pela noite
viva!!!
o nosso sonho amanheceu
vá e dê a boa noticia...""
Se esconder de si é querer se separar da própria sombra, a gente anda, mas ela segue ali, sombria, quieta e rastejando atrás de nós, todo tempo.
A vida é bela como a primavera, porém na maioria das vezes fria e sombria como uma noite de outono.
“Soneto” da Noiva
A noite cai à nostálgica sombria vem...
Não existe nada mais triste que um adeus deixado por sobre a terra fria.
Que funda mágoa, que mistério encerra por causa do amor.
Seu pranto é feito como geada fria, que traz o dia da grande dor.
Noiva do sonho, a demandar um beijo, buscado alento por um amor defeito.
Andando, por entre as nuvens, sonolenta...
Segue-lhe os passos, nessa marcha lenta.
Das estrelas o pálido cortejo.
Aos dúbios raios do luar, parece ver um anjo de vestes claras...
Caminhando na mesma direção clamado pelo amor ausente...
Adorando, ergue uma prece.
E pensa que é sua alma disfarçada...
Em noite que, no espaço, anda vagando...
Num manto de agonias rebuçadas.
Buscando um caminho para sua estrada.
No silencio da noite acorda assustada...
Por ver sua alma desamparada.
Na busca pelos anseios da vossa alma.
Não encontrando nada volta dormir.
A Flor Sombria que Desperta na Fenda da Existência.
Há instantes em que a alma, surpreendida por um fulgor íntimo, compreende que a dor essa matéria austera e indomável não é apenas ruína, mas semente oculta em territórios onde a luz parece inapreensível. Nesse reconhecimento silencioso, o espírito percebe que o sofrimento, longe de ser mero martírio, opera como lapidário inexorável, desvelando zonas adormecidas da sensibilidade e convocando energias morais que, sem a fricção do padecimento, jamais emergiriam.
A angústia, quando atravessada com lucidez, gera uma espécie de clarividência crepuscular. Ela não redime por si mesma; contudo, instiga o sujeito a perscrutar regiões profundas do próprio ser, onde repousam conflitos ancestrais, expectativas mortas, culpas silenciosas e afetos soterrados. Nesse mergulho introspectivo, a consciência experimenta um choque ontológico: descobre que nenhuma dor é totalmente estéril quando o indivíduo se permite interpretá-la, enfrentá-la e integrá-la ao seu itinerário de aperfeiçoamento.
A dor, assim compreendida, não é finalidade, mas catalisadora. Ela convoca a renúncia do orgulho, a diluição das ilusões, a revisão dos apegos e a refundação das crenças que sustentam a identidade. Por vezes, aquele que sofre percebe que a existência não se estrutura sobre garantias, mas sobre travessias. A vida floresce precisamente no ponto em que o coração dilacerado renuncia ao desespero, mesmo que ainda sangrando, e aceita a possibilidade de uma nova tessitura interior.
O florescimento advindo da dor é discreto, quase clandestino. Ele se insinua no recolhimento, na maturação silenciosa, na sobriedade de quem já olhou o abismo sem ceder ao aniquilamento. A beleza desse processo não reside no sofrimento em si, mas na metamorfose ética que dele pode brotar: uma consciência mais compassiva, uma visão mais ampla do drama humano, uma humildade que não se submete à fragilidade, mas a transcende com extrema dignidade.
Assim, quando o espírito reconhece que algo vivo brota da zona sombria da experiência, não celebra a desventura, mas a capacidade humana de transmutar o indizível em significação. É nesse instante lúgubre e luminoso que a existência revela seu paradoxo mais profundo: o de permitir que, mesmo entre escombros emocionais, surja uma flor silenciosa, feita de resistência, entendimento e serenidade moral.
“Amo as cores. Elas são vibrantes e me deixam ler você, mas tenho medo da cor cinza; ela é sombria e me torna gélida.”
Instinto de Aço
Na fria névoa da manhã sombria,
Surge a fera, moldada em valentia.
Olhos de brasa, alma em combustão,
Traz no peito a força da superação.
Não há espaço para lamento ou receio,
Ele avança — firme, sem devaneio.
A neve no rosto, cicatriz do caminho,
Prova que até no gelo se segue sozinho.
Encontre a maneira, rasgue a cortina,
Não há desculpa que valha a rotina.
Se o medo ladra, que ladre ao vento —
A coragem ruge no mesmo momento.
Quem vive na sombra, teme o luar,
Mas quem é forjado para lutar,
Sabe que o impossível é só disfarce…
Para quem se recusa a fazer parte.
Gota sombria que escorre no vento,
Perfume amargo de um último lamento.
Vem sutil, como beijo em silêncio,
Trazendo o fim num toque tão denso.
Não grita, não chama, apenas sussurra,
Seu cheiro é flor que ao toque ezala.
Mistura de medo, mistério e sorte,
Na pele, a marca: o cheiro da morte.
Goteja no tempo, invade o ar,
Como se o mundo parasse pra olhar.
Não tem cor, nem rosto, nem norte —
Apenas perfume... gota de morte.
E quem respira, sem saber, se entrega,
À dança final que a noite carrega.
Mas há beleza, mesmo no fim,
Na gota que leva e dissolve o "sim".
O mundo está girando invertido, e estamos sendo sugados por essa energia funesta e sombria, num prenúncio de um fim chegando ou um novo início se aproximando...
Conforme observou Jung, a Sombra nos é necessária porque não podemos ser tudo aquilo que, em princípio, poderíamos vir a ser. Precisamos escolher quais aspectos em nós mesmos vamos expressar no mundo. Todavia, se enganarmos a nós mesmos, transmitindo a falsa impressão de que somos só doçura e luz, então a nossa irada e rancorosa Sombra vai manifestar-se em outra parte – nas outras pessoas, em nossa visão do mundo, em nosso corpo e em nossos sonhos (talvez como uma figura sombria e escura, ou através de uma personalidade inteiramente desagradável). A nossa Sombra vai rapidamente nos provocar: "Olhe para mim! Estou aqui!" e podemos ou fingir que ela está "lá fora" ou fazer um sério exame em nós mesmos.
Se expusermos as Sombras à luz, elas desaparecerão como que por magia. Contudo, a maioria de nós tem medo ou, simplesmente, vergonha do nosso lado Sombra; assim, ele permanece escuro e, à medida que aumentamos a intensidade de luz que incide sobre nosso eu consciente, a sombra se aprofunda.
Isso não significa que devamos dar vazão ao lado "escuro" da nossa natureza. Tudo que precisamos fazer é reconhecer nosso eu Sombra, para que não mais precisemos projetá-lo sobre o mundo exterior. Enquanto nos enganarmos com a ideia de que nem sequer poderíamos imaginar-nos desejando a morte de alguém, por exemplo, aqueles impulsos assassinos serão substituídos por outros, como um espelho da nossa Sombra. Não basta dizer as palavras "Acho que eu poderia matar alguém"; precisamos tê-las dentro do coração. Somente quando possuímos a nossa Sombra é que nos tornamos inteiros. ("CRESCENDO E EVOLUINDO COM ALEGRIA", de Gill Edwards)
O seu problema é como você escolhe se expressar. Em vez de permitir que sua vida seja severa e sombria, você deveria transformá-la em uma aventura, como uma história em quadrinhos.
A parte de minha vida que tive de arrancar às potências sombrias ofereci-a em sacrifício aos poderes luminosos. Meu fim não era o prazer, mas a pureza; não a felicidade, mas a espiritualidade e a beleza.
(Demian)
Ainda há lindas e verdes montanhas
ao longe, sob luzes de primavera,
por trás delas, certamente
há belezas e se tecem quimeras
Há tempestades de intenso pó
nos desertos onde reina o estio,
mas há o céu profundo bem acima,
enfeitando de azul o infinito vazio
Há noites sombrias em florestas
d'alma, ali murmuram brisas em sentimentos,
sorrisos, lágrimas, abraços e descompassos
nos laços de todos os reais momentos
Em sintonia com todo o belo universo
reina em cada um a verdade concreta,
a eterna procura pelo melhor de si e do outro,
porque amar, do ser humano é a meta !
Ode um Kill
Na minha coleção não tenho troféus de esportes.
Nela mantenho muitas memorias.
Ela não fica exposta para todos admirarem.
Mas eu a mantenho disponível pra todos ingressarem.
Cada corpo, cada membro e cada ferramenta.
Contam sobre o meu presente, futuro e passado.
