Nao Vou Mentir
Ela havia prometido: -Nunca mais vou me apaixonar.- E assim passou de pessoa para pessoa, todas já com um prazo de validade, mal se passava um mês, e o amor de sua vida, já era substituída por outra, sem rodeios, sem meras despedidas.
Sim, ela era intensa, embarcava sem medo e sem olhar para trás até a próxima estação e um “obrigada pela carona”. Hã, se ela soubesse como o coração pode ser traiçoeiro às vezes. E foi assim, em uma noite como qualquer outra que mais uma pessoa preparava o navio, mas esse era diferente, pois desta vez não era ela que iria embarcar.
Ana se sentou, meiga, quieta, dava para contar nos dedos as palavras que, vez ou outra, deixava escapar de sua boca. Enquanto isso, Dulce, mal deixara espaço para o silêncio, e entre pequenas pausas, perguntava dentro de si, quais mistérios esse corpo escondia.
A curiosidade fisga, e foi assim que a noite lhe deu uma surpresa espetacular do quanto alguém pode despir suas máscaras quando se está em quatro paredes, porque é bem nesse momento, que qualquer pessoa se torna frágil, a boca cala, mas o corpo, o beijo e o olhar falam mais do que deveriam.
Passaram-se minutos e os detalhes, aqueles que ela havia esquecido, iniciaram a palpitação de seu coração. Era a mão tocando no rosto, os olhares fixos um no outro, atravessando a armadura que ela tinha feito com tanto cuidado.
Passaram-se horas e o toque batia com força em sua alma, não deixando sinais a olho nu, apenas as marcas da vontade, os arrepios que eram desenhados a dedo.
Passaram-se dias, e ela, que nunca tomou cuidado com as palavras, agora, as escolhia minuciosamente. Buscava a melhor pessoa em si, aquela, guardada a sete chaves em que jurara entregar apenas a quem merecia.
Passaram-se as noites, e tudo começou a mudar. A luz que entrava pelo seu quarto, não era mais a que deixava as paredes e os móveis em preto e branco, era o brilho natural que combinava com a pele daquela menina, mulher, tão delicada, tão natural.
Singelo era mesmo quando ela deitava de costas. Dulce observava o coque que ela fazia em seu cabelo, a mistura de alguns fios soltos e outros presos, parecia tão peculiar que depois de algumas horas observando, encostava seu corpo no de Ana e respirava fundo o ar que, agora, era de uma só.
E assim foram se passando, minutos, horas, dias, noites, noites, dias, horas, minutos até os segundos de suas últimas palavras, do último encostar de mãos em seu rosto, do último beijo de despedida e da última estação em que Ana parou- Adeus, obrigada pela carona- E o barquinho continuou navegando.
"Vou esperar você"
Bem mais que querer
Bem mais que ser
Vou estar bem
Vou viver
Se os dias correm
Eu não quero saber
Se as horas voam
Vou esperar você
Mais que pensar
Mais que desejar
O que quero tem nome
E o sobrenome é amar
Guardei as chaves da esperança no cofre de minha vida, vou dedicar-me ao que interessa para meu bem estar.
O calor convidava a um sorvete. Hora de colocar a mão na massa e trabalhar. Vou juntando no liquidificador um tanto de amor, mais uma quantidade de saúde, pitadas generosas de paz, sucesso a gosto e uma colherzinha de açúcar. Colocar tudo para bater no liquidificador e depois é só esperar que gele para amenizar o calor. Engraçado, posto todos os ingredientes sempre paira uma dúvida no ar: será que esqueci de alguma coisa? Em seguida o coração acalma, passando todos os itens pela cabeça vem a certeza de que não esqueci de nada. Agora é só esperar a felicidade vir refrescar o corpo e a alma.
O primeiro erro da minha vida foi logo quando nasci…
Mas como todo o ser o humano, vou aprendendo…
Feliz ou infelizmente ainda nem comecei a viver,
E aos poucos já vou morrendo…
Ventos aos rios,
Riu aos ventos,
Como as águas
Vou correndo,mas
Sem me preocupar
Com o tempo,
Nas mãos de Deus
Sigo sem me afligir com
O sereno,garoa ou mal tempo.
Vou me abstraindo, por seguir um pensamento que toda questão é plural... Eu sou feita de contrários...
