Nao Machuque o meu Coracao
É claro que minha áurea é clara.
É claro que minha pele é preta e o meu sangue é vermelho, por isso tenho orgulho de ser RUBRO NEGRO.
É claro que somos os maiores do mundo e todos querem vestir o nosso manto, por isso orgulho tem as cores VERMELHO,PRETO E BRANCO.
SAUDAÇÕES A TODOS QUE VESTEM ESSE MANTO. VENCER,VENCER E VENCER. UMA VEZ FLAMENGO, FLAMENGO ATÉ MORRER. SAUDAÇÕES RUBRO NEGRAS!
Que eu faça dessa meditação uma oração.
Que essa uma oração se torne um sagrado meu e de Deus.
Porque eu estou muito feliz
Porque a vida é agora
Cartas para Antônia
Toda vez que te revejo
Lembro-me do meu pampa
Tens nas pontas uma rampa
Te achatando sobre o meio
Com jeitão do arreio
No cavalo que se encilha
Transportas tudo pra Ilha
Pra garantir seu custeio
O único intervalo de paz que me acontece é quando entro no meu carro para dirigir. É o único momento em que consigo trocar mensagens com o contatinho, sem que minha esposa ou marido desconfiem. E quando vejo o semáforo prestes a ficar amarelo e depois vermelho, já reduzo a velocidade para ter um tempinho extra com ele/ela...
Ah, sim, adoro quando me transformo em um ponto fixo de atraso para todos ao meu redor, afinal, quem não ama esperar impacientemente enquanto eu finjo ser uma âncora na corrente do trânsito? Ah, o prazer de ver os outros motoristas bufando de frustração enquanto eu me afundo nas profundezas de um debate de WhatsApp sobre qual é o melhor sabor de pizza.
Outro dia até aconteceu uma cena hilária: fechei um motoqueiro fazendo uma curva sem dar seta e ultrapassando uma faixa ao virar. Vi o coitado caindo pelo retrovisor, mas eu precisava concluir o áudio que estava mandando e acabei esquecendo de parar. Deus, tomara que ele não tenha anotado minha placa.
E não podemos esquecer aquele momento mágico em que alguém buzina impacientemente, fazendo-me perceber que tenho uma fila de carros atrás de mim que poderiam estar em qualquer outro lugar, mas decidiram se juntar à minha caravana do entretenimento móvel.
Ah, que sensação maravilhosa! Realmente, quem precisa de terapia quando se pode ter trânsito e celular?
A lua me guia
Andando pela rua escura
A lua ilumina o meu caminhar
Meu caminho até você
Apenas a lua entende meus sentimentos
Me de a Lua
Meu maior presente (Para você)
Me de a Lua
Meu maior presente (Para você)
Vou seguindo e contando os passos
Até chegar a você
Meus sentidos já não fazem mais sentido
Palavras já não ecoa pelo ar
Apenas me de a Lua
Meu presente maior para você
Meu desejo único para você
Meu maior Presente (Para você)
Me de a Lua
Meu maior presente (Para você)
Me de a Lua
Meu maior presente (Para você)
Fazem filmes com roteiros mais vergonhosos que o meu, e o público ainda os assiste.
Vergonhoso?
A existência em si é sempre vergonhosa, não sabia disso?
O fato de que respiramos e vivemos é vergonhoso.
Continuar a viver e comer é vergonhoso, e ser dito que é uma vergonha é vergonhoso.
E o que diabos há de errado em ser vergonhoso? É algo para se morrer?
Não consegue viver atrás da vergonha, você não pode aceitar, não é?
Mas eu não morrerei porque estou envergonhado, e é porque sou o vencedor, entendeu?
Viverei sendo pisado pelas pessoas, ouvindo elas falarem coisas horríveis do trabalho que escrevi, e vou viver envergonhado até a morte, então me deixe em paz!
O meu mundo se acabou por alguns milésimos de segundo. Cheguei ao ponto de jogar tudo para o alto e dizer chega. A minha sorte é que continuei, e olha onde cheguei!
Florilégio
Sou uma pessoa
muito simples.
Meu único luxo
é ler Cruz e Sousa
e Murilo Mendes
no original.
Cantiga de caminho
Sou filho de mãe mineira
meu pai é de Minas Gerais
sei rezar latim pro nobis
sou primo do preto Brás
Sou filho de pai mineiro
mamãe é de Minas Gerais
vou vivendo como vivo
faço o que ninguém mais faz
Desde menino eu misturo
o antes, o agora e o depois
sei somar zero com zero
e ainda divido por dois
Desde menino eu misturo
o antes, o agora e o depois
sempre que posso eu passo
o carro à frente dos bois
Sou filho de pai mineiro
mamãe é de Minas Gerais
sou rosa e pedra no caminho
sou capaz de guerra e paz
Sou filho de mãe mineira
meu pai é de Minas Gerais
dou volta e meia no mundo
e o mundo não acaba mais
Álbum de família
Meu pai viu Casablanca três vezes (duas
no cinema e uma na TV). Meu avô
trabalhou na boca da mina. Meu bisavô
foi, no mínimo, escravo de confiança.
No dia do meu Enterro -
No dia do meu enterro
quero que os sinos se calem
minha vida é um erro
não quero que a dobrem.
No dia do meu enterro
quero silêncio na rua
na verdade que encerro
minh'Alma irá nua.
No dia do meu enterro
não quero luto nem pranto,
quero a morte, primeiro,
só depois algum canto.
No dia do meu enterro
irá meu corpo a passar
e nesse instante certeiro
minh'Alma a voar.
Abismo Profundo -
Em meu corpo que dia a dia se levanta
levo o negro de uma roupa que vesti
levo o peso da mágoa de quem canta
na loucura destes versos que escrevi...
Tanto que meu corpo em silêncio te falou
mil versos meu punho em tantas folhas te escreveu
fui aquele que um dia pela vida mais te amou
perdido nos abismos desse amor que era só meu!
Tinha no meu peito o teu amor! Quem mo roubou?
Quem pisou a dor destes versos desfolhados?
Meu lamento, minha taça, meu sangue envenenado ...
Afinal o que tenho e o que sou?!
Sem ti que faço?! Nem sei aonde vou...
Vou sem vida, pela vida, mal amado.
Espectros -
Desde a hora em que em meu peito entraram versos
que nunca mais a paz em mim pairou
e na loucura de poemas controversos
meu destino desde então se consagrou!
Mas foi loucura ter aberto o coração,
o mundo não me entende, sou cravo num canteiro
que procura água na secura, solidão,
num jardim de rosas em Janeiro!
Assim é a vida destes seres sonhadores,
diferente, num mundo imenso e abissal,
onde nada nem ninguém acolhe as suas dores ...
Homens livres, na verdade, sem sorte,
vencidos na vida, afinal,
destinados a triunfar depois da morte!
Louco sem chão -
Meu corpo de esperar-te envelhecido
sente a mágoa de um destino solitário
do meu peito, o teu olhar, em vão perdido,
como um crente rezando diante d'um sacrário.
Não vejo nada, só a tua ausência,
e vou no mundo, passo a passo, no vazio,
no mistério, na esperança e na clemência
da morte me afogar na dor de um rio.
E tudo passa, tudo acaba, que loucura,
que destino, amar e ser esquecido,
por alguém que parte sem ternura.
Por ti, de ti, em ti - saudade!
Em mim, de mim, por mim - perdido!
Um louco, sem chão, pelas ruas da cidade ...
REVÉS
Minha existência é a maior opressão de minha vida
Vem de mim o caos que rodeia meu ser
Cobro do espírito uma dívida que eu jamais pagaria
Compreendo que não sei entender
A prefação da carne é o proêmio do declínio pessoal
Além de todo holocausto do provérbio não dito
O sôfrego do sentir reflete a resolução do mal
Fazendo o ábdito contradizer o mito
Pêsames são cânticos para a minha cognição
Tenho como castigo suportar o peso do tino
Jamais senti o gosto da retidão
Muito menos li as linhas do meu maldito destino
Diante de tantos infortúnios, meu coração é lânguido
Manifestando o feitio da desventura
Vejo que tal descrença não merece as risadas do espanto
Então fiz uma rebelião contra minhas próprias torturas
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