Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra
Há saudades que nos cicatrizam
Existem dois tipos de saudade: aquela que cresce em tamanho, mas que a vida nos permite enfrentar, trilhando o caminho e superando todos os esforços. Fazemos isso com todo o fervor, sabendo que, ao final, saciaremos aquela saudade.
Entretanto, há também a saudade que não cresce; ela se aprofunda, abrindo uma cratera entre os amores e as memórias. É aquela saudade cuja profundidade já não conseguimos enxergar, mas que ainda permanece, garantindo apenas a impossibilidade de qualquer encontro iminente.
Há saudades que nos cicatrizam; há outras que são cicatrizes. Você se tornou as duas em mim.
Nem toda curva da vida tem placa de aviso,
Nem tudo que se perde de fato é um prejuízo.
Há dor que desperta, há fim que liberta,
E sonho que nasce quando a alma está aberta.
Caminho incerto, mas cheio de lição,
Tropeço que forma o rumo da missão.
A ausência ensina o valor do abrigo,
E o tempo revela quem anda contigo.
Não temas o escuro, nem temas a queda,
Às vezes é no breu que a luz mais se enreda.
A vida é estrada sem mapa preciso —
mas todo desvio pode ser um aviso.
“A infância que vive em mim”
Há quem diga que crescer é endurecer.
Que ser homem é calar o choro, esconder o afeto, vestir a couraça da indiferença e marchar rumo a uma vida prática, mecânica, “funcional”.
Há quem diga que o adulto de verdade não corre com crianças, não ri alto, não se importa demais, nem se curva ao sentimento.
Mas eu digo:
Que espécie de adulto é esse, que matou dentro de si a melhor parte da vida?
Que espécie de maturidade é essa, que exige sepultar a alegria sóbria, a leveza consciente, o riso genuíno?
Eu cresci.
Mas não endureci.
Não porque minha vida foi leve —
mas justamente porque ela foi pesada demais.
Fui ferido cedo, por mãos que deveriam me proteger.
Fui machucado por palavras que deveriam me ensinar.
A vida me mostrou seu lado mais cruel ainda na infância —
mas em vez de repetir o ciclo,
eu decidi quebrá-lo.
Não com raiva,
mas com carinho.
Não com revolta,
mas com escolhas firmes.
Hoje eu cuido.
Cuido da casa, do corpo, da mente.
Faço minhas obrigações, limpo o chão e a alma.
E quando tudo está em ordem,
eu calço os tênis e vou correr com o vento.
No campo, entre crianças que ainda não sabem o que é dor profunda,
eu brinco, eu sorrio, eu permito que a luz entre.
Não sou um crianção.
Sou um adulto que carrega dentro de si uma criança viva, curada, acolhida.
Sou o reflexo do que eu gostaria que tivessem feito por mim.
Sou o abraço que eu não recebi, o riso que me negaram,
a presença que me faltou.
Brincar com uma criança, ouvir suas gargalhadas, ver seus olhos brilhando com algo tão simples quanto uma bolinha de plástico —
isso não é perda de tempo.
Isso é reconciliação com a vida.
É lembrar que ainda vale a pena viver.
A sociedade não entende.
Rotula. Julga. Distorce.
Acha que maturidade é viver cansado, seco, amargo.
Mas eu aprendi que viver de verdade é manter a alma limpa, mesmo depois de toda a lama.
E que o amor, quando é consciente, é a forma mais elevada de sabedoria.
Minha mãe talvez nunca entenda.
Talvez ninguém entenda.
Mas tudo bem.
Porque eu entendo.
E essa compreensão me basta.
Ser adulto, pra mim, é ter responsabilidade sem perder a ternura.
É saber quando falar firme e quando calar em respeito.
É saber que a dor do outro importa, mesmo que ninguém veja.
É limpar uma casa e limpar uma alma no mesmo dia.
É correr atrás do vento sem fugir da realidade.
Não vou me tornar morto por dentro só para caber no molde do que dizem ser "adulto".
Não vou me tornar frio porque o mundo se esfriou.
Vou seguir aquecendo corações com o que me restou de luz —
e com o que eu reconstruí com minhas próprias mãos.
E quando alguém me chamar de “bobo”, “infantil” ou “sensível demais”,
eu sorrirei,
porque só um tolo confunde pureza com fraqueza.
Eu sou forte —
porque escolhi amar mesmo depois da dor.
Sou maduro —
porque cuido da vida que existe em mim e ao meu redor.
Sou feliz —
porque reconheci que ser adulto de verdade é nunca abandonar a criança que sobreviveu dentro de você.
Será que há pássaros? Será que há formigas? Será que há mamangavas para as passifloras? E as jataís? Será que têm girassóis formosos como os das floriculturas? Há um girassol enorme no céu, um jardim flutuante e um chuveiro frio.
Se tem jardins que flutuam, há os que habitam, há os que voam. Tem jardins que dançam e uns que florescem; portanto, floresçam onde D-us te levar.
Há um encanto silencioso em ser tocado pelos raios de sol num dia frio... Mas há ainda mais poesia no calor de um abraço quando a solidão nos gela a alma.
Há noites que paramos para observar o céu e tentar contemplar a Lua, mas só recebemos de volta a escuridão.
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E de repente, nos damos conta, qua a escuridão tem a sua beleza também. 🖤
De todas as maneiras que há de amar nós já nos amamos.
A confiança é realmente um elemento-chave para construir relacionamentos duradouros. Quando há confiança, as pessoas se sentem seguras para se abrir e se comunicar de forma autêntica. Isso pode levar a uma conexão mais profunda e significativa com os outros.
Há algo em ti que te faz pensar que és muito importante para mim, mas, acredite, é apenas uma ilusão!
Bom dia!
Simbora agradecer por mais um dia que chegou...
Sabe há um poder imenso nos pequenos cuidados: acordar com gratidão, respirar fundo antes de responder, desejar sinceramente o bem a quem cruza o nosso caminho. Yes!
Há um lugar onde o disfarce cai, onde o som da própria consciência fala mais alto do que os cânticos, onde o que está escondido se torna impossível de ignorar. Esse lugar não é um tribunal. É uma mesa.
Há um engano perigoso que se repete ao longo do tempo: participar da comunhão dos santos sem desejar a santidade do Santo.
Tomar o pão sem largar o orgulho. Beber o cálice sem confessar a culpa. Sentar à mesa com os irmãos, mas carregando pecados que ainda não foram entregues.
“Nem todo silêncio é ausência de voz, às vezes, é presença de sabedoria.”
Há momentos em que o melhor argumento é o silêncio. Especialmente quando alguém está convicto de uma verdade que não abre espaço para escuta, insistir é como tentar acender uma luz em quem escolheu fechar os olhos.
Manter-se em silêncio diante de certas certezas alheias não é sinal de fraqueza ou de omissão, mas de maturidade emocional. É compreender que nem toda conversa precisa de resposta imediata, e que nem toda batalha merece desgaste.
Silenciar, nesses momentos, é um ato de autocuidado, respeito e inteligência.
É confiar que o tempo ensina o que o ego ainda não permite aprender.
ENCARCERAR (soneto)
Encarcere no verso, a prosar, tudo quanto
Há encanto, riso, tanto, toda ímpar poética
Que pulsa e soleniza em um eterno canto
Ritmo e sentimento. E a emotiva dialética
Que vibre sensação, imagine doce recanto
Em um movimento de ação e arte cinética
Traçando a poesia com versar sacrossanto
Em um heroico acalanto e fala energética
Guarda do amor, a suavidade. Dedicatória,
Tenha. Não tenha qualquer rima escassa
Junte no estilo toda aquela boa memória
E poete, faça simbiose na paixão, seja terso
Na expressão. Com toda sua leveza e graça
Assim, então, encarcere o notável no verso.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17 junho, 2025, 19’33” – Araguari, MG
Acho que tu escreves porque há uma incompletude que persiste em nos rodear. Uma incompletude que precisa ser um pouco menos incompleta.
Conseguiste continuar a ser raiz, mesmo depois de aprenderes a voar?
É que há dons que florescem nas alturas… mas só frutificam se a alma permanecer enraizada.
Há momentos em que os sonhos se esvaem justamente quando mais sentido pareciam fazer, como se a própria vida nos lembrasse de que até as maiores promessas são passageiras.
Ela o ama, e cada gesto é brilho,
O perfume dele dança no ar leve,
No cristal de seus olhos há um rio,
Que reflete um coração que o ama até breve.
Mas ele se afasta, em sombras se enrola,
A voz dela, às vezes, não o alcança.
E ela se pergunta: amor ou ternura só que consola?
Há piedade no olhar ou só esperança?
Ele mal retribui esse fogo ardente,
Será que acolhe? Ou apenas comove?
Ela se vê iludida, mas ainda vivente,
Quer crer que entre os dois o amor se move.
Amor não floresce quando é só um lado —
Sem reciprocidade, é jardim murado.
UM LADO
Tenho um lado que ninguém vê...
Tenho um lado que ninguém viu
Onde há essência em meu ser
Que transborda naquilo que crio...
Tenho um lado que vive livre...
Que não se prende a ninguém
Tenho um lado que vive triste
Por medo de quem o detém...
A minha natureza é diferente...
Mas requer toda a felicidade
Que não se encontra latente
Onde não se há cumplicidade...
Eu apenas exijo de um outro...
Que tenha e que possa me dá
Todo esse apoio, esse conforto
Que nunca acaba quando doar...
Sendo sensível e melindroso...
Que no poder do amor acredita
E o que restar sendo duvidoso
A gente somente cala e evita...
(UM LADO - Edilon Moreira, Outubro/2024)
