Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra

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Há lugares na natureza que parecem imóveis, mas movem-nos mais do que qualquer viagem.

Há caminhos que são destinados
somente para quem caminha com
a alma descalça

Habitares em ti
é aceitar que há
quartos escuros que
só tu conheces.

Há epidermes que só
são permitidas tocarem-se
no mundo onírico.

Há quem carregue no coração a ternura das flores e isso, por vezes, pode ser maior do que o jardim inteiro.

AS FLORES NASCEM MESMO SOBRE OS SEPULCROS.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Há dores que chegam silenciosamente.
Não quebram portas.
Não anunciam despedidas.
Apenas entram.
Sentam-se dentro do peito.
E começam a transformar a alma em um inverno sem aurora.
Foi assim com certas perdas.
Primeiro veio o vazio.
Depois o eco das lembranças.
Depois aquela sensação insuportável de caminhar entre pessoas enquanto uma parte inteira do espírito permanecia enterrada em algum ontem inalcançável.
Existem lágrimas que nunca descem pelos olhos.
Elas descem pela existência.
Transformam o modo de olhar o céu.
O modo de ouvir músicas.
O modo de tocar objetos antigos.
O modo de suportar a própria noite.
E durante muito tempo pensamos que jamais iremos sobreviver à ausência.
Porque há pessoas que se tornam estruturas internas.
Elas não ocupam somente espaço em nossa vida.
Elas sustentam partes inteiras de nossa sensibilidade.
Quando partem, o mundo perde equilíbrio.
As manhãs tornam-se pálidas.
As madrugadas parecem corredores infinitos.
E o coração passa a respirar como uma casa abandonada coberta de poeira e memórias.
Mas existe algo que a própria dor ensina lentamente.
Nenhum amor verdadeiro desaparece completamente.
Ele muda de forma.
Aquilo que antes era abraço torna-se lembrança.
Aquilo que antes era voz torna-se presença invisível.
Aquilo que antes era convivência transforma-se em permanência espiritual dentro da consciência.
E então compreendemos algo profundamente humano.
As pessoas que amamos não vivem apenas ao nosso lado.
Vivem dentro daquilo que nos tornamos depois delas.
Há uma espécie de eternidade escondida no afeto sincero.
Por isso algumas lembranças doem tanto.
Porque ainda possuem vida.
Contudo, até os jardins devastados pela tempestade conhecem novamente a primavera.
Mesmo depois do luto.
Mesmo depois das noites insones.
Mesmo depois das despedidas que pareciam destruir completamente a alma.
A esperança retorna devagar.
Não como euforia.
Não como esquecimento.
Mas como uma pequena luz humilde atravessando as frestas da escuridão.
E um dia percebemos que já conseguimos olhar o céu sem chorar imediatamente.
Conseguimos ouvir aquela música sem desmoronar por inteiro.
Conseguimos recordar sem morrer junto da lembrança.
A cicatriz permanece.
Mas já não sangra da mesma maneira.
Porque o tempo não apaga o amor.
Ele apenas ensina o coração a carregar a saudade sem transformar-se em sepultura.
E talvez seja esta a maior dignidade da alma humana.
Continuar amando.
Mesmo depois da dor.
Continuar acreditando.
Mesmo depois da ruína.
Continuar florescendo.
Mesmo tendo conhecido profundamente o inverno.
Porque algumas flores mais belas da existência nascem exatamente sobre os sepulcros que imaginávamos eternos.

Em cada um há sombra e luz, cabe a você escolher qual delas quer enxergar em mim.

A vida é feita de contrastes.
Há momentos em que tudo parece incrível, e outros em que o mundo pesa demais.
Há dias em que o sol brilha forte,
e dias em que até a luz parece cansar.
Horas em que sorrimos sem motivo,
e outras em que o silêncio nos ensina a chorar.
A vida é assim, um equilíbrio frágil entre o belo e o doloroso.
Às vezes, ela nos coloca diante de alguém que nos fere,
para que possamos entender mais sobre ela… e sobre nós mesmos.
Mas também, de forma silenciosa,
ela te mostra alguém maravilhoso que sempre esteve ali, bem ao seu lado, alguém que te ensina, com gestos simples, como a vida deve ser realmente vivida.
Afinal, a vida é assim.

⁠Há um tipo de solidão que é mais que estar sozinho, pois é a solidão da alma, do mais profundo dela, que se revela sem explicação, implacável e até assustadora. Mesmo cercado de pessoas, no trabalho e até na diversão, há o vazio que não se preenche nunca no ser que sofre este mal. Trava-se uma batalha interior, uma guerra que parece não ter fim e que precisa ser vencida, passo a passo, num estratégico plano que só a pessoa mesmo pode fazer. Ela é a doença e ter que ser a sua própria cura.

Sou estrela já sem brilho
muito longe sempre estou
sou trem saído do trilho
que há muito descarrilou

No mundo há tanta falsidade,
as vezes vem de onde nem esperamos,
pessoas que fingem a amizade
e por trás nos querem ver em maus panos

O PESO SONORO DA CONSCIÊNCIA.
Há em certos instantes da existência uma ressonância grave que não provém do mundo exterior, mas do íntimo mais profundo da alma. É como um sino antigo, espesso, que não anuncia festividade alguma, mas convoca o espírito ao recolhimento severo de si mesmo. Esse sino não se ouve com os ouvidos, mas com a lucidez dolorosa da consciência que desperta para aquilo que sempre esteve ali, silenciosamente aguardando.
A melancolia filosófica não é fraqueza, tampouco simples tristeza. Trata-se de uma elevação da percepção que, ao ampliar os horizontes do pensamento, revela também o abismo que os sustenta. Quanto mais se compreende, mais se percebe o quanto escapa. E nesse intervalo entre o saber e o não alcançar, instala-se esse badalar grave que pesa sobre o ser como uma verdade irrecusável.
Não é o sofrimento vulgar que aqui se manifesta, mas uma espécie de dignidade trágica do pensamento. A alma, ao contemplar o fluxo do tempo, a transitoriedade dos afetos e a inevitabilidade das perdas, não se desespera apenas. Ela aprende a ver. E ver, nesse sentido, é carregar o peso de tudo aquilo que não pode ser desfeito.
Esse sino toca sobretudo para aqueles que ousaram pensar além do conforto das ilusões. Ele chama à responsabilidade de existir com lucidez, sem anestesias. Cada badalada é um lembrete de que a vida não é apenas vivida, mas interpretada, e que toda interpretação traz consigo o risco da dor.
Contudo, há uma nobreza silenciosa nesse estado. Pois aquele que escuta esse sino não é mais o mesmo. Ele torna-se guardião de uma consciência mais vasta, ainda que mais solitária. Aprende a caminhar sem o amparo das certezas fáceis e a sustentar o próprio ser diante do vazio que outrora ignorava.
E assim, entre o som grave e o silêncio que o sucede, a alma não se aniquila. Ela se aprofunda. E nesse aprofundar-se, encontra não a leveza dos que não veem, mas a solidez austera dos que compreenderam que existir é, antes de tudo, suportar o eco da própria verdade."

Há quem possua inteligência superior à dos grandes filósofos da Antiguidade, mas a ausência de busca pelo saber o rebaixa ao nível de um ignorante munido de alguma informação.

Há no silêncio…
um mundo que grita baixinho,
um espaço onde os pensamentos
ecoam mais alto que qualquer voz.
Há no silêncio…
lembranças que voltam sem aviso,
sentimentos que se revelam
quando ninguém mais está por perto.
Há no silêncio…
um refúgio e também um abismo,
onde a gente se encontra
ou se perde dentro de si mesmo.
E às vezes,
é nele que mora a verdade
que o barulho do mundo
não deixa a gente ouvir.

Há excesso de sentimentalismo e ritos externos, mas carência de arrependimento profundo, abandono do pecado e compromisso com uma vida santa.

Há muito de homens em nossos cultos e pouca direção do Espírito de Deus, este fato tem sido o declínio do mundo religioso, precisamos acertar as arestas e voltar a presença suave do Espírito, ser dirigidos por Deus e voltar a fazer da igreja um lugar santo.A santidade começa em nós, em cada um de Nós, homens santos e regenerados, homens transformados, salvos.

Repetição


Há um lugar que é o centro de tudo e este lugar é em qualquer lugar. A consciência está em toda parte e se manifesta também aqui. O universo está dentro de um grão de areia e o grão de areia é o universo. O odor de terra molhada, o céu coberto de nuvens, as andorinhas se precipitando das alturas, tudo isso se repete pelas eras. Os músculos da minha mão se retesam para um estalar de dedos. Algo assim já faziam os antigos romanos quando queriam se despertar e eles o fizeram há séculos.

A Verdade é o que há de mais abrangente.

Há um hiato entre o que acontece e o que percebemos, por isso, para nós, o presente é sempre passado.

Droga
A minha casa eu conheço há tempos. E ela sempre fica maior. Já sonhei sonhos de álcool, mas ao primeiro gole eu vi que não era nada disso, era algo deprimente até na alegria forçada. Como se eu fosse uma múmia química ganhando a consciência da minha pequenez e do enjoo misturado com a tontura. Parei por aí e deixei as drogas antes de começar a usá-las. A minha droga é a imaginação e a sensibilidade. Os sonhos que me vêm da massa de árvores verdes acinzentadas. Das manchas do teto e daquele facho de luz quando estou na cama e olho para cima e vejo que é Deus.
Sim, Deus vem toda a noite por sobre a minha cama e toma a forma de um triângulo de luz amarela, silencioso e imutável. É um raio de luz, e eu sei que é Deus. Poderia ser qualquer outra coisa, mas quando eu levanto os olhos ele se revela e fico a pensar e admirar a sua imperfeição. As noites de insônia são muito estimulantes. Eu viajo e mantenho contato telepático com a pessoa ao lado. Uma vez eu pensei que dormia ao lado de um demônio, e eu tinha razão. Que saudades do súcubo!