Nao Gosto do que Vejo
Não sei mais como
falar ao meu povo,
estou o desconhecendo,
ele luta por um projeto
de poder e ignora que
vive bem abaixo dele.
Não foi por falta de luta,
falei tanto e constatei
que ninguém me escuta,
onde foi que eu errei?
Não foi por falta de aviso,
mas quando alertei que
o sentimento pátrio havia
se esvaziado já imaginava
de que estávamos em risco,
e a democracia em perigo.
Não sei o quê fazer,
antecipo o meu desterro,
e a única coisa que fica
deste presente é o medo.
Não sei o quê fazer,
só sei que povo que
não age com civilidade
entre si colabora para
que tiranos se instalem
e se perpetuem no poder.
Não sei por onde começar:
mas sei que terei de algum
dia na minha vida recomeçar,
mistério do tempo samovar.
Chega um momento
que tudo o quê foi dito
a quem merece ouvir
não precisa ser repetido,
é melhor deixar o tempo
se encarregar de fazer
o papel de educar,
para que gente assim
não se sinta empoderada
para fazer ainda mais mal;
e a dor existencial
de ser ela própria não
castigar ainda mais
a quem não merece.
O anjo nas finas linhas
do destino ao povo assim
escreveu: "Não
esqueçamos
dos presos de consciência,
Não existem presos
de consciência de primeira
ou de segunda.
Todos sofrem o rigor
de pagar com a sua
liberdade de discordar
por suas idéias,
frente ao status quo;
quem não compreende
vai contra a história,
sobram os exemplos.
Lutemos pela LIBERDADE.".
Por saber que anjos
existem continuo a escrever os meus
poemas para lembrar que
as mil prisões políticas ainda
nesse século ao tempo resistem.
Não aceito mesmo
estando na condição
de poesia estrangeira,
e preocupação sincera,
aberta e continental,
Pois onde se prende
uma tropa inteira
por notório ardil,
e todos se contentam
de maneira submissa,
Até a fé já nem
é mais derradeira.
Sempre onde houverem
presos políticos,
serei poema que não
cala e não deixa
jamais ninguém se calar.
Desfila a falta
De compromisso
Com a razão bem
Na cara do povo,
Não sei se tenho
Dó, medo ou receio.
De quem assumiu
A Revolução como
Vingança e não
Como evolução,
Temo pela vida
De todos os que
Foram injustamente
Levados à prisão.
Desejo em prosa,
Verso e oração,
Todo o dia
Que ali paire e fique
O diálogo e a compaixão.
Não me lembro quem
falou que o pior castigo
para o preso político
não é a prisão,
mas o esquecimento.
Por isso a minha poesia
se colocou em missão
para não esquecer disso
a todo o momento.
Não vejo a hora de ver
o fim desse tormento,
pois não há como aceitar
nenhum falso justiçamento.
Não são meus filhos,
todo mundo sabe disso,
mas sinto como fossem;
esses tantos filhos
que partiram para
o plano astral,
filhos adoentados,
filhos em diáspora,
filhos que se encontram
presos injustamente
e incomunicáveis,
filhos que são pais,
e filhos distantes dos pais.
A minha especial
preocupação são
com as estrelas,
não aquelas que
se colocam nos ombros,
mas as que nasceram
para viver grudadas
para sempre no coração,
Por saber da vileza
do mundo: por elas não
canso de pedir o diálogo,
a paz e a reconciliação
em nome da merecida
e justa libertação.
Chegou o tempo de olhos
voltados para o céu,
joelhos dobrados,
mãos coladas
em gesto de oração,
corações curados
e plena superação.
Sem ver a luz solar
por nove meses,
Sem saber quando tudo
isso irá terminar
E não há jeito de saber
aonde está o Baduel,
E da mesma forma
quando sairá o Miguel,
mesmo não tendo a grandeza
do livro vinho tinto,
Eis poemas soltos
que como livros
São registros de mil
histórias para contar,
Po(ética) feita para
O ostracismo se incomodar.
Não se perdoa
A conta-gota,
Não se libera
Pela metade,
Jogue fora
A sua vaidade.
A vida prega
Peças por si só,
É melhor optar
Pelo desapego,
Para viver a vida
Com a simplicidade
De que não tem medo.
Porque Pátria
É mais do que
Um pedaço de chão,
Ela é feita de gente
Que se leva no coração,
Vamos de mãos dadas
Pedir a total libertação.
Podemos ter
mil diferenças,
Não devemos
alimentar
a incoerência,
Devemos dar
mil oportunidades
a resiliência,
Jamais fortalecer
os monstros da
indiferença,
E superar todos
os dias as nossas
resistências,
Porque a lei
da vida
é bem clara
quando diz
que é preciso
dialogar,
se reconciliar
e perdoar para
não deixar o trem
da história passar
e na estação do
tempo nos abandonar.
A roda viva não para
De somar vítimas,
Ela vai condenando
De fome e os doentes,
Se alguém gritar
Ela segue girando,
Porque a preferência
Evidente é sempre
Capturar os inocentes.
Não há mais como
esconder o caráter
dos incoerentes.
Não há mais como
apagar a injustiça
dos impertinentes.
Não há mais
como retroceder,
Depois de tudo
o quê fizeram,
Só nos obrigam
seguir em frente.
Quebraram a minha coluna
A câmera e o microfone,
Você não faz idéia,
Me jogaram no chão,
Arrancaram o gravador
E a minha filmadora,
Só para dar voz a censura.
Assim como poesia que se
Propôs, surgiu e virá,
Virei tanta gente que nem
Faço idéia de quem são
E quantos são e em qual
Prisão política eles estão.
Porque eu poderia seguir
Sendo o quê sempre fui,
Para o amor que virá,
Porém, optei redigir
Por amor a liberdade.
Segue a tropa prisioneira,
Eis alguns recortes
Da grave situação:
O tenente acamado,
O General desaparecido,
E mais de um militar
Falsamente de crime imputado.
Não preciso nem dizer quem
Deu beijo na bandeira,
Depois disso tudo,
Entendi que foi ofensa.
Camboriú Originária
De volta ao passado
quando teus carijós
não tinham sido
escravizados mergulhei
na camba do Rio Camboriú
(e me deixei levar
pelas correntezas
até desembocar no mar
emBalneário Camboriú);
No teu Rio Peroba
a inspiração de sobra
é distribuída sem conta
e sem hora marcada.
A Mata Atlântica
leva a alma romântica
a aspirar à viver tudo
o quê não vivemos
e a ver o nosso mundo.
(No teu Rio Pequeno
saúdo as heranças
do nosso tempo
e as nossas esperanças).
Camboriú Originária,
minha terra adorada,
para sempre e sempre,
por mim eternamente
será adorada e louvada
No Rio do Braço lembro
do beijo que foi roubado,
e deixou o coração
ainda mais apaixonado.
O calendário ao teu
lado sempre fez
a minha vida ficar
diferente e querer
não olhar para fora.
No Rio dos Macacos
escrevo por destino
o quê irá nos levar
ao auge desta vida:
só ali para inspirar.
No Rio Canoas bem
na camba nunca
me esqueci que foi
por ti que cheguei aqui.
No Rio do Meio, filho
do Rio Itajaí-Açú,
por toda generosidade
honro os nossos ancestrais
que lutaram por liberdade.
Não há beleza hipócrita que
caiba em falsos perdões,
Da mesma forma que não
Se aceita ver a alma
amada nos braços de outro,
É bem dessa forma que
se encontra a liberdade
Nas mãos de quem nada vale,
não calo, não deixo calar
E não sossego nenhum pouco.
Seguem presos pelo menos
dois cirurgiões e nessa altura
Pode haver até bem mais
até sob tortura e eu nem sei,
Só sei que não vou parar
de falar enquanto não
Restabelecerem a paz,
que só a liberdade pode trazer.
Nesse instante atravesso
sem notícia e isso é
Como ficar sem saber
o quê fazer e sem a luz solar;
Estou presa inocente,
sem provas e sem julgamentos,
Porque não vejo a hora
Dessa história acabar.
Que me custe
asua simpatia,
E mesmo que
eu fale muito,
Ainda não será
o suficiente,
Pois falo não
para agradar,
Mas para colocar
os fatos no
Seu devido lugar.
Abro o paraquedas,
salvo o verbo para
Que salvem as letras,
em missão de dar um
Fim na tirania e dar
asas à liberdade
Do lado dos profetas.
Que me custe
aantipatia alheia,
Não me importo,
sou ouro e crisol,
Sei lidar com
aalucinação insana
Que não reconhece
que a política
Também faz os seus
militares presos,
E supõe quea
libertação deles
Não nos adianta,
e que não resolverá
O problema do país,
a arrogância jamais
Irá me impressionar,
pode virar a cara
E levantar o nariz!
Abro o suficiente
a verdade,
E sei que adianta,
porque nada se faz
Quando não se tem
Mais a liberdade.
A estrada da espera
tem sido dura e longa,
E só tem aumentado
a repressão a tropa,
Não dá para saber
o final da história.
Só sei que não se
deve parar de falar,
Não deixar ninguém
nos intimidar erguendo
A cabeça para a bandeira
do amor juntos hastear.
A promessa não foi
ainda cumprida,
Não sei o quê está
acontecendo,
A fórceps a Justiça
foi retirada,
E está em exílio,
Para ver a liberdade
raiar, eu não desisto!
Não há mais como
ocultar a preocupação,
Pois há um mal acordo
a caminho da segunda
Pátria que atrairá o Deus
da Guerra para dançar
Sobre o continente.
O Arcanjo se encontra
amarrado e com ele
uma legião de Anjos,
O tirano não entende
que precisamos deles
Em liberdade para nos
proteger de todo o Mal,
E que a reconciliação
tem tudo de celestial.
Eis a letra torturada
que escorre das mãos
Do cirurgião que foram
cruelmente quebradas,
Eis a oração de joelhos
da esposa do missionário,
Assim segue o poemário.
A consciência tem dado
Voltas em círculos,
Porque levantar
Não tem conseguido,
Há um povo coagido,
A Justiça em exílio,
Quem pensa tem sido
Preso ou perseguido.
A Ditadura ganhou
Um jogo por ela perdido
Feito de falsa promessa;
As flores do calabouço
Devem ter desaparecido,
Nem os generais mais
Antigos escaparam
Do brutal autoritarismo.
A firmeza das ruas vazias
Tem feito a sua cabeça
Com a melodia, eco e refrão,
O mundo vê a agonia
Da Estrella pedindo justiça
Em nome do amor no coração.
Rodeio, a poesia dos arrozais
Moro no Brasil
e você não viu
que estou entre
os brotos sempre,
nas mãos dos
nossos colonos
e nas colheitas
eis-me igualmente.
Você não sabe
que sou toda
esta linda História
de amor indo
em frente há muito
tempo silente
e corajosamente.
Sendo quem sou,
eles me sendo e nós
a Deus agradecendo:
Assim somos Rodeio,
a poesia dos arrozais,
com tradição e paz.
Uma idéia para quem não quer um político naquele local: ir ao menos um dia antes ou ir um dia depois, daí você não encontra ele, dã!
Azovstal
Não há nada que dimensione
o sentimento sobrenatural
de entrega total a Pátria
vítima de uma invasão brutal.
Na batalha final ser um dos últimos
a resistir enquanto o socorro
não vem em Azovstal que cercada
da covardia da tropa inimiga
continua sem nenhuma guarida.
A Lei da Vida precede a Lei da Guerra,
resgatar uma tropa ferida
é uma máxima que sempre deveria
ser seguida em toda a Face da Terra.
