Nao Gosto do que Vejo
Não nasci
alheia,
me aturem,
Mas não
me lancem!
Porque se
for assim
para longe
eu corro,
para criar
impulso.
Do destino
a dançarina
predileta
do abismo,
eu sou provocadora,
notória
e declarada
ironia.
Nota celestial
da canção
de um mês,
Escândalo
vizinho
da onde
o silêncio
virou freguês.
Você não imagina,
Não é fantasia,
A poesia é íntegra,
É cheia de motivação.
Real é a intenção
De converter
A tirania evidente
Em plácida libertação.
Virão mais poetas,
Porque a história
Nos pertence,
É secular a redenção.
Ao inocente os louros
da glória evidente,
Aos poetas a vitória
Na imensidão,
Ao povo o direito
de restituição.
Durante
a espera
convicta
destes
trinta dias,
Não há
quem
não pare,
De querer
de você
notícias,
Não há
quem não
se perca
no tempo,
Porque muito
é o silêncio,
Um preso
de consciência
pertence a todos,
Por Humanidade
até a Família dele
já nos pertence,
O humanitarismo
que nos reune
em lealdade,
Nos faz uma
grande Família
pela liberdade.
Não há mais como
disfarçar o espírito
hostil que possuis,
pois a sua ideologia
serve só a vontade
de roubar o sorriso
de quem lhe cerca.
O seu radicalismo
na verdade é para
mascarar a sua
índole perseguidora
que serve a um plano
que não lhe pertence.
Na nossa terra ser
dessa sua maneira
já se convencionou
como grave rotina,
é gente como você
que agride no meio
da rua a Maria Corina.
Colocaram as armas
em plena campanha,
e não estão respeitando
nem mais as crianças
bem nas nossas caras,
derreteram a moral.
Cada cabeça a
sua santa sentença,
aprenda a respeitar
a minha presença
que segue em greve
em tempo fome,
e não estou na
situação do Jorge.
O meu continente
é farto de tudo:
de sanções, tramas,
conspirações,
e de perseguições;
mantém um General
inocente na cadeia
em nome de gente
cheia de alucinações.
Se você consegue
fingir que não viu,
que nada sabe
e que não tem
boca para reclamar,
fique sabendo
que quando um
tirano faz
de alguém
um preso
de consciência,
essa pessoa
não pertence
mais a ninguém;
ela passa
a pertencer
a Humanidade inteira,
e como sou feita
de sonhos, fibra e honra
não tenho como parar
de pedir que tudo venha
à tona para te libertar.
Quando sabem
que se tem
consciência
do que está
errado,
Falando ou não,
ela sempre
incomodará,
Darão à ela
sem pena
a punição,
Farão qualquer
comparação
para a sua
importância
evaporar,
Cercearão
o teu direito
a defesa
Para o mundo
não te escutar,
Porque aquele
que prende
uma consciência
acusando-a
de traição,
O destino já
se encarregou
de desmascarar.
Se soa do
jeito dele
como vós,
ele não
pertence a nós,
mesmo que
tente reescrever
a história tal fato
não apagará
da memória:
ele não é santo,
ele se trata
de um algoz,
ele é feroz.
O mascarado
proferiu
que ele soa
como
os 'deles',
não há
como fingir
que não,
o quê saiu
da boca
o condena,
e agora
quer fingir
que nunca
foi investido
na discórdia,
mas Deus está
evidentemente
vendo e não
há como
dissimular para
Ele e para quem
sabe observar,
só Ele concede
a misericórdia,
ele quer apagar
a História.
Ofendendo
da pior maneira
quem quer
defender
a sua existência
fazendo a justa
resistência,
ele não merece
a sua confiança
porque é incapaz
de debater e de
colocar freios nos
seus servos,
e sobretudo
nos seus lacaios
das profundezas
dos infernos.
Falar em moral
nessas eleições
é escárnio,
onde reinou
a mentira
não abro
concessões,
foram tão ruins
comigo que estou
em plena exaustão,
é possível que ainda
eu declare voto,
mas depois de tudo
creio que não.
Votar sob pressão
é melhor anular,
votar sem pensar
não faço questão,
voto para ter
qualidade deve
ser estudado
para ser votado
com o coração.
A covardia foi
além dos limites
para ocultar
a manipulação
mascarada
de apoio alcançou
notoriamente
o subsolo da moral,
e virou noticiário
internacional:
porque jogou
população
contra população
para obter voto
sob pressão,
está explícito
que é tática
de repressão,
se a moral humana
melhorasse iríamos
dar outra condução.
NÃO
se trata
de uma
ausência
de sete
de segundos,
sete minutos,
sete horas,
sete dias,
de três
ou quatro
semanas,
e SIM
de uma
PRISÃO
POLÍTICA
que completa
SETE MESES
sem saúde,
sem provas,
e sem nenhuma
COERÊNCIA,
repletamente
COVARDE,
coisa de gente
sem nenhuma
HUMANIDADE.
Testemunha daquilo
que eu não vi
ao mundo tenho que
fazer esse relato:
ecoou o som do
berimbau quebrado,
no chão o Moa
foi estirado por
causa das doze
facadas de um
sujeito autoritário.
Avança a violência
política programada,
só não vê a verdade
aquele que não quer:
avança o plano da
instalação de um
regime de exceção,
engulo a seco o meu
receio por ser mulher.
Implacável é a dor
pátria que sinto no
meu peito que ecoa
a indignação contra
os repressores dos
dois lados que com
ambas as retóricas
tornaram o diálogo
quase impossível
impedindo que o
povo unido encontre
o melhor caminho.
Dizem que as urnas
não funcionaram
no primeiro turno,
uns até as filmaram,
eu não sei o quê irá
daqui para frente
conosco acontecer.
O povo mesmo que
não cedeu a sedução
passou por um
caminho apertado,
e os que caíram
na tentação do papo
estão arrependidos.
É triste ver que
tem gente que
não se permite
fazer o caminho
de volta porque
reduziu a sua
crença na vida
em viver da
aprovação alheia
só por achar que
pode fazer uma
plateia para
sempre satisfeita.
Você que gosta de
zombar com os
nervos alheios só
para aparentar
fazer parte de um
plano que nunca
te pertenceu,
é bom que saiba
que a vida cobra,
e que tens a total
a responsabilidade
de responder pela
democracia que
ajudou a esconder.
Quando o segundo
turno passar não
adianta querer
fingir que a mim
não provocou
e que a honra
de ninguém atingiu,
porque o quê
deveria ser falado
por causa da
sua baderna
foi impedido de
ser esclarecido,
e levará o país a
um destino maldito.
Enquanto não houver
nenhuma notícia
ou alguma direção,
Oferecerei o melhor
de mim que é são
e nos salva
de quem não tem
nenhum coração,
Não adianta mentir,
e tampouco inventar
os meus poemas falam
por quem vocês
souberam prender
e do mundo inteiro calar.
E sem licenciar
mesmo ciente
que a agonia
não tem
como soprar,
Porque não há
uma clara
direção,
Permito
perder-me
na mística
da rima,
Para não diluir
a delicadeza
neste
Dia de Paixão,
Se você nasceu
filho do silêncio,
Fique sabendo
que eu não!
Para se tornar
um preso
de consciência
não é preciso
de muito,
e não é preciso
ter feito nada,
não é preciso
nem ter
ter vestido
ou não alguma
vez na vida farda,
Aliás, a roupa
não faz a menor
diferença;
Para se tornar
um preso
de consciência
só é preciso
de duas coisas:
decência
e dizer aquilo
que o mundo
precisa ou tudo
o quê você pensa.
Não tenho
o menor
interesse
em desestabilizar
a tua Nação,
a minha luta
que não é luta
segue a via
do convencimento
para pedir
a libertação,
porque quem
em nome
da amizade
conclama
pela reconciliação,
também estará
ao teu lado
em dias
de inverno
ou em dias
de verão,
pois dessa história
o verdadeiro
prisioneiro é
aquele que não
entende o quê é
viver o amor
de amizade
e o valor do perdão.
Evidentemente
no mesmo
destino,
partilhando
da exata
agonia de mais
um dia,
por não saber
mais notícia,
escrevo para dizer
o quê sinto,
porque quem disse
o quê pensa
está preso,
não nasci para
me calar,
e nem para ser
escrava do medo.
Enquanto eu
não ouvir
a voz daquele
que defende,
Serei oceano
de versos
em transbordamento,
Porque já pelo signo
do destino,
Tens mais do que
a glória suficiente,
Você mergulhou
para salvar a tua gente,
E eu a distância serei
um poema por dia
Com as cordas
do meu coração
pela tua libertação.
Não te conheço de perto,
mas os teus sonhos
de liberdade ultrapassam
as fronteiras
e são suficientes,
para eu aplaudir,
porque creio demais
que a Pátria Grande
irá voltar a sorrir.
Se você acha
que calar
é melhor,
Não acha
que os meus
versos fazem
sentido,
Não poderá
se queixar
quando
você não for
mais ouvido.
Não sei mais como
falar ao meu povo,
estou o desconhecendo,
ele luta por um projeto
de poder e ignora que
vive bem abaixo dele.
Não foi por falta de luta,
falei tanto e constatei
que ninguém me escuta,
onde foi que eu errei?
Não foi por falta de aviso,
mas quando alertei que
o sentimento pátrio havia
se esvaziado já imaginava
de que estávamos em risco,
e a democracia em perigo.
Não sei o quê fazer,
antecipo o meu desterro,
e a única coisa que fica
deste presente é o medo.
Não sei o quê fazer,
só sei que povo que
não age com civilidade
entre si colabora para
que tiranos se instalem
e se perpetuem no poder.
Não sei por onde começar:
mas sei que terei de algum
dia na minha vida recomeçar,
mistério do tempo samovar.
