Não Existe uma Pessoa Certa
Se não existe bem sem o mal, então o diabo, com sua maldade, também emana bondade, como exemplo do que não fazer. Louvemos, então, a bondade que vem do mal.
Se deus existe, ela é mulher, e sua grandeza está acima do ódio que certos cristãos insistem em pregar.
Se deus não existe, o religioso é o devoto do vácuo: ninguém adora o nada com tanto fervor quanto aquele que santifica a mentira.
Deus não existe, mas os fanáticos que acreditam em deuses falsos existem, e querem dominar o mundo, calando todos que não se curvam às suas mentiras.
Não existe criação do nada absoluto, apenas transformação da matéria anterior. Se deus existe, ele teria que usar partes do próprio corpo para criar o universo.
A inveja existe. Mas quem vê "inveja" em toda crítica em geral revela um ego inflado, uma necessidade constante de se sentir superior e uma mente viciada em comparações.
A onipotência é frequentemente apresentada como poder absoluto. Porém, existe um limite que nem mesmo um poder ilimitado parece ultrapassar: a identidade.
Se um deus destrói completamente uma pessoa e depois cria outra exatamente igual, com as mesmas memórias, personalidade e aparência, ele não trouxe a pessoa de volta. Apenas criou um clone indistinguível. Compartilhar as mesmas informações não é suficiente para preservar a mesma existência.
A identidade não é apenas uma coleção de dados. Ela também depende da continuidade do próprio ser. Se essa continuidade é interrompida de forma definitiva, não há recriação que transforme uma cópia no indivíduo original.
Assim, a ideia de que um ser onipotente poderia destruir completamente alguém e depois restaurar exatamente o mesmo indivíduo enfrenta um limite lógico. O máximo que poderia fazer seria produzir uma réplica perfeita, não reverter a ruptura da identidade.
Se a identidade não pode ser recriada após sua destruição absoluta, então a onipotência não consiste em fazer literalmente qualquer coisa imaginável, mas apenas tudo aquilo que não viola princípios lógicos fundamentais.
Amor vitae sine fato: a vida é aqui e agora. Não existe necessidade dum propósito maior além do direito de respirar. A evolução surge apenas como efeito colateral duma alma perfeita que nasceu pelo simples prazer de viver a experiência humana.
Existe uma contradição no desprezo declarado: ao anunciar que alguém não importa, você demonstra que essa pessoa ainda importou o suficiente para receber sua voz.
Por que existe algo em vez de nada? O nada absoluto é impossível, pois sua própria concepção depende de uma estrutura lógica que já permita distinguir ausência e presença. Assim, a lógica é anterior e mais fundamental que o nada absoluto!
