Não Existe uma Pessoa Certa

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Por trás da racionalidade com que justificamos nossas escolhas existe uma vontade que frequentemente decide antes que a consciência encontre argumentos para explicar a decisão.

Entre preservar a própria vida e trair a própria consciência, Sócrates ensinou que existe uma forma de sobrevivência que pode custar ao homem aquilo que torna sua existência digna.

A certeza sobre o que existe além de nós exige mais do que percepção: exige fundamentos capazes de resistir ao interrogatório da razão.

Onde existe uma realidade, a razão procura também compreender por que ela existe; conhecer o fato sem investigar sua razão é interromper a investigação antes de seu fundamento.

A razão não existe para fabricar certezas convenientes, mas para conduzir a consciência na busca disciplinada pela verdade.

A razão aproxima os seres humanos porque procura aquilo que existe de comum entre eles, enquanto o fanatismo frequentemente transforma diferenças em fronteiras.

A alegria amplia nossa potência de agir; a tristeza a reduz. Entre ambas existe uma parte silenciosa da política: aquilo que uma sociedade produz na capacidade de seus indivíduos viverem, pensarem e agirem.

O Iluminismo ensinou uma verdade jurídica revolucionária: o homem não existe para servir à lei; a lei existe para proteger a dignidade do homem.

Entre a ignorância que nada sabe e o conhecimento que compreende, existe o vasto território das opiniões que apenas imaginam saber.

Não existe conhecimento verdadeiro onde a crença não aceita apresentar suas razões diante da crítica.

Onde existe poder, existem possibilidades de resistência, inclusive diante de estruturas jurídicas aparentemente consolidadas.

O sujeito não existe completamente separado das práticas sociais que o constituem, nem das normas que regulam sua conduta.

Nenhuma identidade humana existe completamente fora das relações sociais e normativas.

Entre o interesse militar e o direito à informação existe uma fronteira que somente o Direito pode delimitar.

Entre aquilo que o Estado sabe e aquilo que a sociedade tem direito de saber existe uma zona de tensão essencial ao Estado Democrático de Direito.

Entre o céu observado e o documento classificado existe uma pergunta jurídica: quem controla a informação controla também a narrativa sobre o fato?

Existe diferença entre explicar como algo funciona e explicar como é vivenciá-lo.

Perguntar como o cérebro funciona não é exatamente o mesmo que perguntar por que existe experiência, distinção relevante para o debate sobre responsabilidade e consciência artificial.

Existe injustiça quando determinados grupos têm sua capacidade de produzir conhecimento sistematicamente diminuída.

Nenhuma instituição é racional apenas porque existe; sua legitimidade começa quando pode sobreviver ao exame da razão.