Não Existe uma Pessoa Certa
A justiça humana será tanto mais justa quanto mais compreender que por trás do ato existe um ser em processo de evolução.
Toda decisão administrativa deveria lembrar que sua assinatura pode alterar concretamente a existência de alguém.
A legalidade pergunta se a regra existe; a sabedoria pergunta o que sua existência está fazendo com os seres humanos.
Entre aquilo que sabemos e aquilo que tememos existe um território onde a religião frequentemente constrói seus deuses.
Não saber se existe um Deus pode ser intelectualmente mais honesto do que inventar certezas para preencher o silêncio.
Entre a fé que afirma e a razão que investiga, existe a dignidade de não pronunciar um veredicto sobre o infinito.
Entre o dogma e o ceticismo absoluto existe um território mais difícil de habitar: o pensamento livre.
Se Deus existe, minha dúvida não O diminui; se não existe, minha honestidade não precisa inventá-Lo.
Entre a certeza de que Deus existe e a certeza de que Deus não existe há um espaço intelectualmente raro: a coragem de suspender o julgamento.
Não saber se Deus existe não significa saber que Deus não existe; a honestidade começa justamente onde essa diferença é preservada.
Existe uma dignidade silenciosa em atravessar o mistério sem tentar possuí-lo, nomeá-lo definitivamente ou transformá-lo em propriedade da própria consciência.
O fanatismo religioso é como febre alta: a ilusão de decretar certezas absolutas onde só existe o desconhecido.
Ouse questionar quem diz falar por Deus. Se Ele existe, com certeza prefere a nossa sinceridade cética ao medo cego de dogmas.
