Nao Controlamos o que Sentimos
Na mente, tudo é uma forma de acreditar; até quando não se acredita, está acreditando que não acredita.
O medo das consequências de viver o que quer obriga as pessoas a viver presas no que não quer, por medo.
EXÍLIO
O pior exílio do Éden não foi Adão levar consigo a serpente, mas esquecer que levava também a árvore da vida que frutificou no segundo Adão, Jesus Cristo
O Paraíso perde-se duas vezes: por quem o nega, e por quem o cerca de doutrinas.
As Escrituras são asas, quem as transforma em cova, expulsa-se do Éden.
António CD Justo
Relação com o Mundo
Descobrimo-nos não apesar do mundo, mas através da nossa forma única de o habitar.
Ser pleno não é ser ilimitado, mas ser conscientemente limitado. E ser autêntico não é ignorar as influências, mas orquestrá-las conscientemente.
A ipseidade não se encontra, constrói-se, dia após dia, escolha após escolha.
MEDO
Um povo com medo aceita quase tudo.
Um povo que pensa o seu medo torna-se perigoso
não para os outros, mas para quem vive do medo deles.
A Lei do Sonambulismo
Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.
O Elixir do Poder
O poder não é uma ferramenta, é um alquimista. Ele não transforma o mundo; transforma primeiro a alma de quem o segura. O homem que toca no cetro acredita estar moldando o metal, mas é o metal que, silenciosamente, molda sua mão e depois seu coração. A embriaguez começa com o primeiro gole da ilusão: a de que se é diferente dos que estão abaixo, imune à própria corrupção. No ápice, o bêbado de poder já não ouve os gritos do vale; só ouve o eco de seus próprios decretos.
POLÍTICA NA DIÁSPORA
Não é de novos astros que precisa a astronomia política da emigração, mas da antiga gravidade da vergonha e do peso terrestre da responsabilidade.
António CD Justo
LIBERDADE
A liberdade não é o espaço onde estás, é a paisagem que carregas dentro das grades que te dão. Sou livre, dentro da prisão!
Perdoa para que a mágoa não te envenene, mas não confundas a paz que conquistaste com a inocência que o outro perdeu.
HERÓI
O herói que veneras tem falhas que não vês e o vilão que condenas tem virtudes que não queres ver.
LUZ
A mesma luz que glorifica o teu lado lança sombra sobre o outro, mas a sombra não é a realidade inteira.
António da Cunha Duarte Justo
NEUTRALIDADE
Neutralidade não é fraqueza, é a única arte de não herdar as guerras dos outros. Sim, porque o neutro não turba os ventos. Quem escolhe a tempestade alheia, esquece que a sua própria casa não tem tecto.
António da Cunha Duarte Justo
Falar é solução; não falar é difícil. Isso significa que contar com os responsáveis ajuda a melhorar a importância e compreensão dos valores, intenções, emoções e costumes. Além disso, fortalece a autoestima e diminui a conflitualidade. Isso é resiliente.
A prisão não é a solução para a violência; ela é parte do problema; isso significa que a prisão se envolve com problemas que violam a integridade, e a autoridade é acionada pela necessidade de conflitos alegados.
Estamos no Halloween
Tudo pode acontecer
Se não queres ser apanhado
Vais ter que te esconder
Esta noite é tão escura
Não há lua para ver
Lobisomens ou vampiros
A ganhar ou a perder
Esqueletos a dançar
E morcegos a voar
Esta noite é tão estranha
Até já vi uma aranha
"Viver sem ti é um fardo que não ensaiei carregar. Mas se a dor for o pedágio para a minha paz, aceito o pranto agora para florescer melhor amanhã, livre de um sentimento que foge da responsabilidade de ser abrigo.
Amar no vazio não faz sentido.
O amor só se cumpre quando encontra quem queira, de fato, fazer parte do nosso destino.
Isso é reciprocidade: um alinhamento perfeito, como ondas de rádio sintonizadas no mesmo pulsar."
A cidade respira em mim como uma ausência iluminada — janelas acesas que não aquecem, prédios que se erguem como lembranças que não voltam — e no meio desse concreto, há um silêncio que grita teu nome, como se Hilda Hilst sussurrasse ao pé do ouvido que amar também é perder-se em si, enquanto Caio Fernando Abreu me ensinaria que a dor tem um jeito bonito de permanecer, quase digna, quase fé, e ainda assim, caminho — meio quebrado, meio inteiro — porque existe algo maior que essa penumbra que insiste em ficar, algo que pulsa mesmo depois da despedida, algo que H. G. Wellington talvez chamasse de força invisível: essa estranha coragem de continuar, mesmo quando tudo dentro de mim ainda está indo embora.
