Nao Consigo te Odiar

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⁠quando não tenho nada,
tenho tudo de que preciso,
quando preciso de tudo, nada tenho;
mas o que me levará
a tal necessidade de existir;
quando só o fato de existir
já me traz tantas necessidades...

Inserida por tadeumemoria

⁠Não falo muito de amor, acho que o amor é parente próximo do silencio.

Inserida por tadeumemoria

⁠ Acho que não tive, antes que me vissem daquele jeito, a oportunidade de falar-lhes de madrepérola. Agora ela estava ali pendurada num armador de redes, eles ao meu redor e eu sem voz para contar-lhes de como fomos felizes. Ah, quem pode entender todos os mistérios do mar, suas profundidades, suas essências; tudo isso se refletia na alma de Doralice. Agora eu estava ali sob o olhar penalizado dos meus entes mais queridos; lacrimejavam, sussurravam coisas que eu não conseguia ouvir direito, mas que eu supunha perfeitamente. O mogno de minha bengala à minha cabeceira mirava a perfeição de madrepérola, sabíamos desse encanto e sua verdadeira recíproca; quantas vezes empunhei o lenho quando o meu corpo oscilava nas minhas debilidades. Quantas estações, quantas tempestades, ventanias, quantos fantasmas cingiram aquela que me apoiou por décadas. Doralice foi levada por mais ou menos uma dúzia de entes, provavelmente irmãos, primos, filhos... notei seus olhos numa ruivinha com cabelos cor de cobre, que me lembrava os finais de tarde cor de bronze dos finais de dezembro ali em Petrolina. A brisa à margem do velho chico lacrimejou aqueles olhos e acariciou aqueles cabelos; era assim que a via, saltitava à praia do rio como se a eternidade a esperasse na outra margem, e nos meus delírios haveria uma terceira margem. Madrepérola ficou ali ao lado de Mogno velando os meus últimos momentos; o fundo dos mares e as florestas tinham algo em comum, mistérios e magias e todos os nossos manuseios em busca de um equilíbrio perfeito que o tempo e as enfermidades já não nos permitiam; às vezes ficavam ali sobre um banco de praça, mais unidas que nossos desejos e entrelaçadas por suas empunhaduras, enquanto ríamos de nossas aventuras desde o "até que a morte nos separe" numa igrejinha modesta e acanhada ali em juazeiro. Ainda tive forças de apontar-lhes Madrepérola e Mogno, vi através da vidraça, quando Zelda, uma das minhas irmãs as colocou no assento traseiro do DKW Vemag; essa história de amor continuaria, o conto das bengalas, provavelmente ganharia uma linguagem universal; alguém reforçaria que, os sonhos, as paixões e o amor não te deixam envelhecer. Doralice acompanhada por Miquica, a cadela vira-lata, corria numa praia, os cabelos ruivos ao vento no limiar de sua adolescência; dançava numa festa, esbanjando sensualidade num evento familiar no auge de sua juventude, ou simplesmente encantadora, vestida de noiva no altar casando-se com Dionísio, o meu melhor amigo; assim três meses depois eu casaria com Denise sua irmã, apaixonada por Dionísio; sabe aquele negócio de João amava Maria, que amava Joaquim, que amava... penso que são desencontros, uma prova, uma gincana a que nos submete o amor, ou só um capricho da paixão, um orgulho bobo por uma birra qualquer que a juventude com o poder de seus encantos usa como uma arma, quando seria menos doloroso um punhal. Mas o tempo... o tempo nos faz perceber a beleza dos crepúsculos. A empunhadura do mogno me fazia imaginar oscilações entre brisas e tempestades que castigam as florestas; por décadas os tons dos ocasos e o calor de suas luzes compuseram aquela madeira, ninhos de aves foram abrigados, insetos cumpriram com suas tarefas na constituição da vida do ecossistema. madrepérola tinha o mistério dos mares, o poder dos deuses e mantivera equilibrado o corpo de Doralice; mas agora, algo bem distante sussurra uma melancolia, as lágrimas nos olhos da ruivinha e nos meus entes queridos me dizem que somos personagens figurantes de um ato teatral que chega ao seu final. Mogno e Madrepérola apoiarão outros corpos, ávidos por amor e esgotados pelo tempo, serão testemunhas silentes da paixão, e assim o conto das bengalas continuarão marcando os passos de outros figurantes, aqueles que não desistiram da paixão, do amor, dos seus sonhos e da vida.

Inserida por tadeumemoria

⁠Não posso te falar de amor,
não posso te falar de amor
o meu amor é tão calado,
é tão mudo, tão silente, tão oculto
o meu amor é a periferia perigosa,
pisa em ovos,
olha de soslaio,
fala sozinho com essa multidão de becos,
travessas e vielas
essa multidão que não ouve,
não fala e nem escuta falar de amor

Inserida por tadeumemoria

⁠LIBÉLULA
Nenhum verso faz tempo,
faz tempo a solidão não incomoda,
às vezes procuro estrelas,
às vezes o firmamento com seus enigmas,
às vezes vou ver se estou na esquina, e estou...
olhar perdido na vidraça,
a libélula esvoaça sobre os lagos da minha infância,
é a parte mais bela de qualquer existência,
quando ainda não somos deuses
e não temos uma sentença pra cada rosto
as libélulas adornavam a minha ingenuidade,
agora pousam na minha ansiedade...
uma tatuagem na alma!

Inserida por tadeumemoria

⁠Acho que ainda não subi pro céu porque sou acrofóbico...

Inserida por tadeumemoria

⁠não sabes o que é o mundo
onde termina o horizonte começa a ansiedade
e a cidade é um monstro consumindo tua presença
não sei o que quero , mas tua ausência só me diz:
não sabes o que é o mundo...
e eu sei, pelo menos até saber-te perto
então transito, assim como se fosse tudo tão bonito
mas a brisa só deixa teu perfume a me dizer
não sabes o que é o mundo...
eu não sei

Inserida por tadeumemoria

⁠É hora dos anjos dormirem,
não se preocupem com as rugas
que eficaz o tempo risca,
não se preocupem com as tribos,
com as queimadas, os seres da floresta;
a Amazônia renasce silenciosa e tranquila,
e os vultos sinistros que chacoalham a terra
e envenenam as águas, queimam e desmatam...
os demônios ganharão seus infernos
as forças divinas comandam a natureza
e os olhos de Deus orbitam no firmamento
é hora dos anjos dormirem
ninguém se oculta sob a luz da aurora

Inserida por tadeumemoria

⁠Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus

Inserida por tadeumemoria

Não é difícil ser feliz, difícil é ter sensibilidade para saber -se feliz.⁠

Inserida por tadeumemoria

Não gosto de ver ninguém muito alegre, alegria desmedida tem laços estreitos com a imbecilidade⁠...

Inserida por tadeumemoria

⁠Perceber ausências...
de repente o mundo tão bonito,
não é tão bonito,
ausentes entes que se foram,
entes que partiram,
entes que não viram a lua vermelha,
o eclipse, o cometa, o apocalipse;
lhes beijo as faces em face do que posso,
eu posso amar o mundo e possuir mulheres,
que queres de mim...
se eu fosse alguma coisa, eu seria o óbvio,
óbvio é amar o que eu fosse,
se eu não fosse o lago a acolher libélulas,
mas elas não sabem... perceber ausências,
as tardes são mais longas do que eram antes...
antes que eu me esqueça,
como eu tenho me esquecido,
como eu esqueço de mim, esqueça.

Inserida por tadeumemoria

⁠Não tenho medo mais da solidão,
já enganei meu coração
que posso ser feliz sem teu amor
se as noites são vazias eu penso assim,
e penso, assim eu vivo esta ilusão.

Inserida por tadeumemoria

⁠depois que eu aprendi a ser feliz, toda esta ansiedade me devora
depois que eu descobri que não sou só, sinto me tão solitário
olhava o céu sozinho como se as estrelas fossem minhas, agora olho a lua e os astros e nada me pertence; quero te contar algum segredo, mas não é mais segredo o que eu quero... segredo é a ilusão que me mantém vivo, essa coisa que grita no meu silencio; eu não tenho mais controle do meu descontrole, agora eu penso, eu tenho certeza dessa incerteza, esse cair é o que me ampara...

Inserida por tadeumemoria

⁠Não quero entender a noite, nem as mulheres ou a primavera...
as coisas que eu amo têm um lugar seguro nesta minha fragilidade e a minha fragilidade ocupa o mundo.

Inserida por tadeumemoria

⁠as vezes penso que sou triste,
as vezes não penso em nada,
as vezes tenho saudade do que nunca tive,
mas era tudo o que eu tinha
quando eu não tinha nada...
agora nem tenho essa ilusão...

Inserida por tadeumemoria

⁠TREM DA PAIXÃO
Não foi só paixão, foi muito mais
o que o rio leva e a cachoeira cai...
uma força além do que eu podia suportar
eu me perdi assim...
o meu lugar comum me guarda desse olhar
nem quero acreditar que o mundo é belo...

se uma andorinha só não faz verão,
verão que a dor do amor dói em qualquer estação
não quero nunca mais sonhar...
além desse ocaso o acaso deste além
o que nos conduz a dor, ao amor
é o trem dessa paixão, é o trem do teu olhar, é o trem...

Inserida por tadeumemoria

Seria impossível uma mulher não ser feliz, se ela pudesse imaginar e tornar útil, todo o poder que Deus lhe deu⁠.

Inserida por tadeumemoria

⁠E quando for verdade o que não for verdade
eu levo dessa cidade o que não for cidade
eu levo o tempo que eu não tenho
pelo tempo que eu tenho perdido...
eu acredito tanto que a vida pode mudar,
se mudarmos um tanto nesse acreditar;
ah, podemos ser felizes sim
mesmo se só restar um olhar, um aceno, uma canção...
a vida é pródiga, a existência profícua...
temos a lua e o tobogã, a esperança e mente sã...
e o lago que eu imagino,
eu atravesso a nado como se fosse um menino,
mas, nada nada assim no nada...
o que não existe além do que eu imagino
se a estrada é o sonho e o caminho é caminhar,
ainda sou um menino de cinquenta anos,
tenho minhas fantasias, ainda faço planos
ainda me apaixono às vezes, às vezes sete vezes por dia...
dezessete vezes por dia eu acredito nesta rebeldia
de me acreditar menino, de me acreditar poeta.

Inserida por tadeumemoria

⁠SOBRE AS ESTRELAS CADENTES
E A CADÊNCIA DAS ESTRELAS NO TEU OLHAR

Eu sei que não existe nada
além do que eu sei que não existe.

Inserida por tadeumemoria