Nao Consigo te Odiar
Era tão bela, um rosto meigo, cabelo que brinca no vento,
riso raro como se o mundo não lhe apresentasse muitos caminhos;
voz suave, quase um sussurro como se tudo fosse um segredo,
ou como se mexer no silencio fosse proibido
não é bem assim, cante suave ou assobie uma canção
e o mundo vai parecer mais bonito...
contanto que seja uma canção de amor
e se for só paixão não prenda tanto a respiração
e se for só mistério...mistério está no ar que nos sustenta
então respire fundo e beba o mistério da vida...
X-TUDO
Seja feliz, mas não seja tão feliz,
Tem tanta gente por um triz
Tem tanta gente por um x,
Por um x-tudo, por um cachorro quente
Por um cachorro
Tem tanta gente pra se certificar num raio x
Seja feliz, mas não seja tanto...
Chore de vez em quando,
De vez em quando seja um ser humano...
Meu amor, quando o amor não for teu;
e só o teu amor...
como se a dor do mundo nos teus ombros,
como se os escombros da paixão
farpassem teu coração na dor imensa da desilusão;
o amor não caminha com ansiedade;
amor é uma cidade tão tranquila;
gente bonita na janela,
um milharal, um cajueiro
e a poesia a se banhar num lago cristalino;
o amor é um menino com todo tempo do mundo,
o amor é dono dos horizontes
e do tempo e se não for assim,
é qualquer sentimento, menos amor
O SUSSURRAR DA BRISA
O silencio é tranquilizante
E conduz a tarde com o sussurrar da brisa
Não chove meteoros, não há nada apocalíptico
Mas a ansiedade ocupa a tua ausência ;
Um dia o mundo será mais belo
Que a beleza propriamente dita;
Mas tua presença é mais serena que as acácias
E propõe mais cores que a primavera,
Se eu pudesse entender esses tons
E os sons dos teus passos ao compasso do meu coração...
Plutão morrerá de frio com a tua ausência
Mas o que será de mim?
Triste eu não fico
Eu dou qualquer motivo pra felicidade
Eu canto uma canção de amor,
Eu planto uma flor, eu faço uma viagem
Que solidão que nada, eu flerto com a lua
Paquero as estrelas até de madrugada...
A minha namorada ainda não é minha
Mas sorrir e se despe enquanto
Caminha suave na minha direção
Nos momentos mágicos das minhas fantasias...
Ou na monotonia da minha solidão
ROMANCE DA PEDRA
Se não tivesse a solidez da solidão
porque do solo a aridez lhe fez a ilusão
e derramar-se assim num lago
enfim que algo afim lhe fez lágrima,
pedra de perde-se entre entulho
e que orgulho de obstaculizar caminhos,
nenhum carinho a lhe arremessar às valas
mãos embrutecidas sem noção
exata de viagens no espaço
o que teremos sidos em não topa-las,
em não pisá-las em não percebê-las
jamais saberemos que um dia foram estrelas
O que nos acontece diariamente talvez não seja diário para outros
e a beleza que percebemos,
talvez não seja exatamente beleza para outros olhos,
felicidade é uma coisa subjetiva
e amar talvez não seja um sentimento agradável para todos...
depois disso tudo, nada vai ser diferente
porque ficar olhando as acácias trazia me as mesmas sensações
de perceber tua presença;
o mundo é tão belo quando bela é a forma de percebe-lo.
Acho que é exatamente isso,
se bem que é inexato o modo de percebermos o amor;
mas esta intensidade que me sacode todas as manhãs
quando o teu sorriso dá sentido a vida...
as acácias tem esse tom, essa cor, essa luz...
de repente é tão fácil ser feliz e as pessoas não percebem as manhãs...
ninguém jamais te possuiu assim, eu sei, como sei que um dia você vai ser minha.
O que é solidão?
Eu não sei... está tudo tão escuro, tão silencioso.
Saudades?
eu tenho da saudade que eu tinha...
e agora eu não tenho mais.
o que eu sinto agora não tem nome,
não tem referência... é longe do longe,
vazio no vazio, frio no frio e indiferente
Sua referência é referência nenhuma;
solidão? eu não sei...
está tudo tão escuro, tão silencioso
pelo menos até que júpiter cante anunciando a matina...
CAMBAXIRRA
Não existe vida sem poesia...
Sem vida não existe
amor, paixão e fantasia
sem água e ar a gente repousaria...
mas sem poesia aonde esta ave pousaria?
Sabe, não sou o que se sabe por aí...
melhor nem saber
mas se o mundo se acabar
eu vou me equilibrar na linha do horizonte
entre o absurdo e o navegável
como as ilusões...
Só vive na solidão quem já amou,
quem nunca amou é apenas solitário,
e isso não dói...
só sabe o que é amargo quem já provou o doce,
quem nunca provou não sabe de sabores;
então o que é felicidade...
felicidade é esse gosto amargo
de saber que já foi feliz um dia...
e isso dói
então, nunca seremos felizes?
seremos... com netos, rugas e cabelos brancos...
mas isto é inexplicável...
Eu ainda não me entendo,
como pedir compreensão;
ainda não me percebo,
como pedir crepúsculos,
ainda não sei o que é amor,
onde e quando o amor faz bem ou mal,
a beleza se perde no fascínio de olhar,
mas perceber e intuir desencanta;
não é a solidão que nos faz sós,
somos nós solitários que fazemos a solidão,
então inventamos os ocasos
e tudo o que é inatingível como o horizonte;
o outro lado do rio é sempre o mais belo,
no outo lado da montanha é onde o sol se põe;
a terra prometida estará sempre
depois de algum deserto...
mas onde estaremos quando percebermos
o deserto que nos habita o ser?
Talvez não seja tão coerente ser coerente
talvez não seja feliz sermos contentes
talvez não seja humano ser gente
De vez em quando temos
que ter a presteza dos equinos
a leveza dos pássaros
a ternura dos cães...
Salvo: Ter, 08/06/2021 12:38
Aproveite a noite se não for amor, se for amor, aproveite a noite, durma bem e sonhe com os anjos, certamente ela me diria isso; essa pessoa existe e certamente anda por aí pelas praças; contemplando os jardins e fontes e observando os bustos e catedrais. Essa pessoa existe; é romântica e sonhadora, gosta de poesia, deve ter lido muito fotonovela, livrinhos de faroeste e contraespionagem ou talvez não tenha tido essa sorte de alcançar este tempo, mas assistiu muito novelas e deve ter chorado com a dor de seus personagens preferidos e com a saudade deles quando essas novelas se acabavam. A poesia está no seu olhar, nas suas palavras, ela respira poesia e provavelmente chora com certas cenas de filmes, trechos de livros e da vida real e certamente se deprima com a destruição da fauna e da flora. Essa pessoa caminha pelos bosques e se encanta com o canto das aves e sofre com o extermínio dos índios; tem um nome exótico, que nos remeta às lembranças de nascente e poentes, às vertiginosas altitudes que formam vales românticos que sopram brisas suaves nas tardes mornas, silenciosas e aconchegantes, por onde certamente corram boatos de extraterrestres e seus discos voadores reluzentes. Essa pessoa cantarola no banheiro músicas românticas como se fossem trilhas sonoras de momentos inesquecíveis de sua vida ou de momentos que ela imagina no futuro, sonha e sente saudade de pessoas, da ingenuidade do passado, pipas, bolas de gude, petecas, bolas de meia; entes queridos que partiram, dos que foram embora, dos que disseram adeus, dos que sumiram e se perderam na sua indiferença. Você que espera alguém, saiba que essa pessoa existe; você que só aproveita a noite porque ainda não se encontrou nos seus abraços, você que nem sabe que espera porque se acomodou com as garrafinhas de cerveja e administra atitudes agressivas de palavras ríspidas, essa pessoa existe e é alguém que você pode falar dos seus sonhos, dos seus erros dos seus tropeços; alguém que você vai poder olhar nos olhos, e apesar de todo tempo perdido ainda vai te restar uma eternidade para ser vivida, mesmo que só te reste um dia para viver.
As lembranças são lindas,
As saudades são belas;
As lembranças não envelhecem,
As saudades não decepcionam
CRIADO MUDO
Alguma coisa deve mudar de hoje em diante, os fantasmas que vejo é Mentira... não somos tão solitários assim, eu e meus eus distintos,
Às vezes sou velho, às vezes num berço, embalo o tempo da inconsciência
Às vezes morro de saudade do meu eu menino
Mas nada disso é motivo ou explica nossas dores
Os corredores silentes passeiam nossos fantasmas,
Que cobram por desilusões e murmuram antigos amores
Alguma coisa deve mudar de hoje em diante
Vovó se espreguiça sobre a cama como se o tempo
Lhe esticasse sem dó suas canelas depois de levar o seu juízo
E sobre o criado mudo a dor revela, próteses que já foram seu sorriso
não posso mais te olhar como o céu, a noite e as estrelas, agora outra imensidão me preenche e os raios da manhã dourando a tua silhueta na calçada me faz imaginar que o infinito é o espaço ínfimo entre teus olhos, teu sorriso e tua boca... sei que essa viagem é longa e a eternidade é feita de segundos, mas onde estarei na ausência do teu abraço, a eternidade é tão lacônica e a brevidade das ilusões sussurra nas brisas matinais... não posso mais te olhar como um luar que morre nos primeiros raios da manha; este sentir me ensinou pra sempre que pra sempre é sentir assim... as aflições que conduzem a noite trazem a serenidade que nos ensina a esperar, é isso que chamam de esperança. ah, este sentimento esquisito de sentir as estações como se pudéssemos manusear o tempo... o tempo bate portas, colore as florestas, descolore as nossas cãs em busca de horizontes, mas essa ilusão que acolhe nossos olhares é só um tema poético batido, surrado e de validade prestes a vencer. quero caminhar por uma trilha que me conduza sempre a tua presença
Eu não sei se sou triste
ou se é só mais uma ilusão que eu alimento,
mas esta felicidade ninguém tira de mim...
NÓS, VÓS, ELES
A minha solidão é tão sozinha,
não é só minha essa paixão,
a dor de existir é só uma ilusão,
ávida como a vida...
a minha solidão não é só minha,
se avizinha a solidão de todo mundo,
a solidão de toda multidão
