Nao Chega aos meus Pes
Que ironia é esta que nos obriga a proteger os nossos sapatos da chuva enquanto os nossos pés ficam desprotegidos ?
"Espiritualidade"
"Os joelhos são os pés de quem caminha para onde só a fé o leva."
@Suédnaa_Santos.
Há caminhos que cansam a alma antes mesmo de cansar os pés, mas ainda assim, Deus sustenta cada passo com propósito.
A Dança da Loba e a Terra
Ela tem a raiz nos pés e o céu no pensamento,
Traduz o que o vento sopra sem precisar de voz.
Ser mulher é ser árvore, rio e movimento,
É ser a calma do lago e a correnteza veloz.
---------- Eliana Angel Wolf
Sinta o pulsar da terra sob seus pés ainda descalços,
O instinto que guia e a força que no peito não se cala.
Que o seu "bom dia" seja um abraço do universo,
E a serenidade, a melodia que em sua casa se instala.
-------- Eliana Angel Wolf
Menina no sonho, mulher na atitude,
Trazendo o sagrado, a luz, a virtude.
Onde põe os pés, floresce o destino,
Com um passo maduro, mas um riso divino.
------- Eliana Angel Wolf
Pés no chão, evita grandes tombos;
Um passo de cada vez, evita grandes perdas;
Molhar o pé, evita grandes frustrações;
Pé atrás, evita decepções;
Passo maior que a perna, causa arrependimentos;
Enfiar o pé na jaca, causa confusões;
Estar aos pés de alguém, causa desilusões;
Meter os pés pelas mãos, causa conflitos.
Porque é você o meu sol
A fé com que vivo
A potência da minha voz
Os pés com os quais caminho
É você, amor, minha vontade de sorrir
O adeus que não saberei dizer
Porque nunca poderei viver sem você
-Tu-
Cérebro para pensar, coração para sonhar, pés para alcançar, olhos para enxergar… e poesia para acalmar a alma.
É fácil erguer as mãos para o céu no domingo quando se usa os pés para pisar nos outros o resto da semana.
Dói perceber que, enquanto eu mergulhava fundo, você talvez estivesse apenas molhando os pés na superfície. É um tipo de solidão estranha descobrir que as memórias que eu guardo como tesouros, para você, podem ter sido apenas instantes passageiros, descartáveis. Fica esse gosto amargo de notar que eu fui imenso onde você escolheu ser pequena.
Mas eu me recuso a me arrepender da minha intensidade. Amar com verdade nunca será um erro; o erro seria endurecer o coração e fingir que nada daquilo existiu. O que eu senti foi real, foi vivo e foi meu. Se você não conseguiu — ou não quis — sentir na mesma medida, isso diz mais sobre os seus limites do que sobre o valor do meu afeto.
Hoje a ausência ainda machuca, mas eu sei que a dor é passageira. Com o tempo, esse peso vai se transformar apenas na prova de que eu sou capaz de entregar o meu melhor, sem reservas. Eu sigo com a consciência limpa de quem soube amar de verdade, mesmo que tenha sido para alguém que preferiu não sentir nada.
Caminhada
Caminhar, caminhar. Como é bom caminhar. Os pés se ajustando ao chão, se distendendo ao abranger a zona de equilíbrio do corpo. Era assim que eu pensava ao caminhar em círculos pelo meu quarto. O quarto não é grande mas tem uma saída, a janela. Lá enxergo os pombos asejando de topo a topo dos prédios. Logo ali as caturritas fizeram um ninho na parte alta do pinheiro. Ficam na altura da janela. Levam galhos para a rústica construção. São como eu, voltam para casa o quanto podem e se abrigam das feras. As feras estão em toda parte, menos no meu ninho. Há uma porta, um computador, um rádio, uma janela e um telefone. São canais que me ligam ao exterior. Eu vejo as feras no computador. É quando aparecem mais assustadoras, se pavoneando, mostrando os dentes e tentando ser sedutoras. Eu nunca me manifesto: que não saibam que eu existo. À noite tomo um chá. Queima a boca, eu gosto. Ontem o telefone tocou e eu estava tomando um chá. Respondi com uma voz fumegante. Fiquei com medo que não ligassem mais. Não tenho amigos, mas aí a ter inimigos, não dá! Eu não tomo remédios, mas alguém me indicou o Oxalato de Escitalopram. Mas para comprar só com receita. Então fui ao médico. O homem me examinou, mediu, dissecou. Descobri que eu era um doente, crônico, um neurastênico, quase oligofrênico. E com pressão alta. Observei as pombas da janela do médico e perguntei-lhe se ele gostava de caminhar. Ele me olhou desconfiado e eu imaginei as neuroses que ele estava descobrindo dentro do meu cérebro inocente. Fui saindo de mansinho enquanto ele escrevia alguma coisa. Deveria ser uma sentença. Um diagnóstico. Um epitáfio. Cheguei à farmácia com a receita. Os nomes dos remédios pareciam fórmulas químicas e eu, assustado, não comprei nada. Voltei para o meu quarto e fui ouvir uns discos. Essas coisas modernas não têm cheiro, nem vida. A música do vinil fluía junto com o som da agulha correndo pelos sulcos. Havia ruídos, estalos e uma sonoridade sofisticada e quente. A Wanda Landowska e o chá de capim cidró, isso combinava, mas queimei a boca de novo. O toca-discos era um mecanismo, mas não era uma criação que produzisse um som fantasmagórico como o do CD. Manifestação dos elétrons do micromundo. Já sonhei com os espíritos e mesmo já os ouvi. Ficam sob a minha janela cantando para mim para que eu fique louco. Serei um louco que acha que é médium, ou um médium que ouve espíritos loucos? Uma vez eu comprei uma tartaruga chinesa de pelúcia e dei de presente. Não gostaram. Então eu pedi de volta e nas noites quentes sonho em nadar nos trópicos com a tartaruga em evoluções fantásticas à luz da lua cheia. E também com as minhas bonecas espanholas ao som da salsa e do merengue. Ontem me lembrei de um tio, já morto. Já foi tarde. Como é bom envelhecer e ir ficando livre das malas. Haverá um dia, depois da guerra, da peste e da fome, em que eu estarei sozinho. Tão só que eu não vou ter mais motivo para não me conhecer profundamente. Depois de muitas décadas não haverá gente no caminho e eu vou poder me encontrar comigo. Vou estar em cada esquina, em cada bueiro, em cada ninho de pomba. Vou me enxergar como eu sou, não como agora em que deixo partes invisíveis. Vou me desejar sem a interferência de toda essa poluição humana.
Às vezes, o desejo de mudar o mundo nos faz olhar tão longe que deixamos de agir onde nossos pés já pisam.
“Nasci”
Nasci do encontro
entre sonhos e tempestades,
com os pés descalços no mundo e o coração cheio de vontades.
Nasci sem saber caminhos,
mas com coragem de andar,
aprendendo que até as quedas também ensinam a voar.
Nasci para sentir o tempo,
para rir, chorar e crescer,
porque a vida escreve poesia
em cada jeito de viver.
E mesmo quando a noite pesa
e a esperança parece partir,
carrego dentro do peito
a força bonita de existir.
Ao investir vá sem medo, meta os dois pés à frente. Invada este mundo que é só seu.
Só que tenha prudência:
Use seus dois olhos para ver pelo retrovisor o que está passando, para não tomar um golpe.
Audaz sem ser besta!!!
Saboreio os teus beijos
a teus pés de joelhos,
No teu peito semeio
um vendaval profundo,
Onde ali permaneço,
e o meu reino estabeleço.
Tudo o quê você quiser
também hei de querer,
Romance nascido austral
não há mais regresso,
Não há de ser distante,
pois está em nossas mãos.
