Nao Chega aos meus Pes
Odeio a sensaçao de despedida, mas quando ela chega, chega...Fernando Pessoa já fala ''tudo que chega chega por uma boa razão''. A despedida chegou, e com ela, vai um pouco de mim, do que eu senti. Mas prefiro encarar a despedida como um vagão de trem, estou pronto para ir em busca de novas estações, com novos inicios e novas partidas. Respiro fundo, olho para ela, e falo, foi muito bom enquanto durou, percebi coisas que pensei que estivessem adormecidas. Mas se não estamos na mesma estaçao deixa eu partir....
Fecha os olhos, solta o nó,
na imensidão de ser uma só.
A noite chega pra te abraçar,
e o pensamento, enfim, paralisar.
Não há cobrança, não há porquê,
o mundo descansa dentro de você.
O peso do dia o sono consome,
a alma descansa e o medo some.
Entrega ao silêncio o teu caminhar,
amanhã é tempo de recomeçar.
Boa noite.
Fotografar é aceitar que o agora já passou.
A luz sempre chega depois.
E o que chamamos de instante
é apenas passado revelado.
A luz viaja a aproximadamente 299.792 quilômetros por segundo.
Do Sol até a Terra, ela percorre cerca de 150 milhões de quilômetros
em aproximadamente 8 minutos e 20 segundos.
Isso significa que o Sol que vemos agora
é o Sol de mais de oito minutos atrás.
Quando o obturador se fecha,
a cena já percorreu uma distância no tempo.
Não existe presente absoluto na fotografia.
Existe informação luminosa que levou tempo para chegar.
Toda imagem é física aplicada.
É relatividade cotidiana.
É passado transformado em memória visível.
Migalhas
Todas as tardes
uma senhora de vestido estampado
chega ao banco da praça
com um pequeno saco de pão nas mãos.
Senta-se devagar
e começa a lançar migalhas
sobre o chão gasto de passos.
Os pombos logo aparecem
serenos, platinados,
alguns escuros, outros claros
caminhando em círculos
como se conhecessem o ritual.
A tarde passa sem pressa.
A luz se inclina nos prédios,
e o horizonte começa a escurecer.
Quando as últimas migalhas se acabam,
a senhora limpa as mãos no vestido,
levanta-se com calma
e segue pela alameda.
Não diz palavra alguma.
Também não precisa.
Entre o bater de asas
e o silêncio da praça,
tudo
já foi dito.
Transforme-se em artista para os teus filhos, pois, a velhice chega amanhã e os melhores observadores e críticos do que criamos durante a vida, são os nossos filhos.
A NOITE CHEGA
A noite chega e traz com ela o perfume das flores. Traz as lembranças de um passado, a calmaria, o momento em que o silêncio se aloja e as vozes da noite se reúnem para um aparte. Por trás da escuridão, a luz se intensifica trazida pela lua que dormia no colo do horizonte. Os pássaros que em revoada anunciavam o dia, agora descansam. Assim são as noites, intensas como nossos sonhos, bela como as águas serenas e perfumadas como as flores primaveris.
Chega um dia em que o casulo aperta,
em que a raiz, de tão profunda, transborda.
E a gente percebe que a verdadeira cura
não está em guardar a luz dentro de um pote, mas em ser o próprio farol.
* Retrospectiva 2025*
"Tem gente que chega do nada na nossa vida e faz um burburinho de bondade no coração que, em um segundo, todas as tristezas passadas viram realmente passado. A gente compreende o porquê de ter passado por tantas provações. Acho que é o significado de validação: saber filtrar o que realmente vale a pena manter distância e, principalmente, o que devemos cultivar com amor.
2025 foi pesado, tenso, corrido e, ao mesmo tempo, um ano de grandes revelações. E o que pesou mesmo foram todos os bons momentos. Esses, eu vou continuar regando para que em 2026 cresçam e floresçam. Os livramentos já até deixei para trás.
A vida é muito boa para se perder tempo remoendo o que não nos acrescenta nada. Seja muito bem-vindo, 2026! 😉"
O silêncio chega sem aviso, atravessa o corpo e nos obriga a olhar para o abismo do que somos. O “eu” é apenas um fio, tecido por memórias que se apagam e ecos que nunca nos abandonam, e o infinito não está lá longe: pulsa na respiração que falha, no coração que não cabe na caixa torácica, na mente que tenta nomear o indizível.
Entre o eu e o infinito, há apenas um instante de lucidez. Um sopro onde todas as certezas desmoronam, onde a consciência se abre como pétala que não se fecha, onde o universo, finalmente, se revela dentro de nós. E quando passa, o eu retorna diferente: mais leve, mais profundo, mais inteiro.
— Douglas Duarte de Almeida
[Antífona do Último Sábio a deixar o Recinto]
O fim,
Chega para todos,
Em sua totalidade.
O mundo é deveras medíocre,
Se não o fizermos extraordinário.
Em cada contorno
Um universo peculiar,
A cada traçado,
A obra-prima
Se revelando.
Eu não ousaria dizer
O que você deve fazer
Com a sua vida,
Porque eu não admitiria
Que você dissesse,
O que eu devo fazer
Com a minha.
A vida vai ter
Que me arrancar daqui,
Eu não vou sair
Por conta própria.
Eles condenaram o mundo,
Enquanto dormíamos
Tranquilamente,
Sonhando com um futuro,
Em nossa ingenuidade
Permanente,
Esquecemos,
Que para fazer planos
É necessário um presente.
Quando digo eles,
Estou dizendo
Nós.
Constatando
A estupidez
Estampada na carne,
Só há uma forma
De viver neste mundo,
E é discordando dele.
Pois,
O destino do poder é a
ruína.
Às vezes
Queremos atribuir,
Um sentido grandioso
E extraordinário,
A momentos
Específicos da vida.
Mas com o tempo,
Percebemos,
Que só os instantes
Mais singelos,
São sublimes.
E que a
simplicidade
É o que há,
De mais sofisticado
No UNIVERSO.
Assim sendo,
Tudo
Chega ao fim,
Até mesmo
A finalidade.
E a Poesia começa,
Quando o Poeta
termina.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Quando a maturidade chega, um gostar muito sincero e verdadeiro pode valer mais do que um eu te amo falso.
A impressão de quem chega pode ser a mesma de quem já está há mais tempo. No fim, diminuir ou rir de alguém não te torna maior — apenas te iguala à falta de conhecimento.
