Nao Alimentar Esperancas
Não saber se existe um Deus pode ser intelectualmente mais honesto do que inventar certezas para preencher o silêncio.
O agnóstico não nega Deus; apenas se recusa a transformar o mistério em propriedade da própria certeza.
Entre a fé que afirma e a razão que investiga, existe a dignidade de não pronunciar um veredicto sobre o infinito.
Há momentos em que dizer “não sei” exige mais inteligência, coragem e honestidade do que construir uma resposta.
A verdade não se torna mais verdadeira porque acreditamos nela, nem menos verdadeira porque ainda não conseguimos encontrá-la.
O agnóstico deixa aberta a porta para Deus, mas não permite que a esperança seja apresentada como prova.
Não acredito em tudo o que desejo, nem nego tudo o que não compreendo; entre essas duas tentações, construo minha liberdade.
Se Deus existe, minha dúvida não O diminui; se não existe, minha honestidade não precisa inventá-Lo.
O universo pode permanecer indiferente às nossas perguntas; isso não nos dispensa da responsabilidade de fazê-las com seriedade.
O mistério não é uma derrota do conhecimento; é o horizonte que impede o conhecimento de confundir lucidez com onisciência.
O agnóstico não escolhe entre Deus e o nada; escolhe não mentir sobre aquilo que não pode demonstrar.
Entre a certeza de que Deus existe e a certeza de que Deus não existe há um espaço intelectualmente raro: a coragem de suspender o julgamento.
A dúvida não destrói o sagrado; ela apenas impede que alguém transforme sua interpretação do sagrado em instrumento contra a liberdade alheia.
