Nao Alimentar Esperancas

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A coisa que mais me deixa com medo são aqueles raros momentos em que não sinto medo de nada.

Ter uma carreira é maravilhoso, mas ela não pode te aquecer numa noite fria.

Não entendo a tristeza como ausência de felicidade. Acho que elas coexistem. Somos felizes e tristes. Felizes porque tentamos entender a nossa missão. Tristes porque assim tem de ser. A tristeza nos empresta respeito ao outro e percepção mais aguçada da dor. Talvez tristeza seja ausência de alegria, de riso fácil, não de felicidade.

Eu não sou um homem, sou um campo de batalha.

Ah, meu amor, não tenhas medo da carência: ela é o nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Não me lembro de nenhuma necessidade da infância tão grande quanto a necessidade da proteção de um pai.

Não me cante canções do dia, pois o sol é inimigo dos amantes. Cante as sombras e a escuridão, cante as lembranças da meia-noite.

Saber que não tinha coragem de fazer o que era necessário, me fez sentir horrível.

Eu estou só. O gato está só. As árvores estão sós. Mas não o só da solidão: o só da solistência.

A gratidão é a maior medida do caráter de uma pessoa. Uma pessoa grata é uma pessoa fiel, não te abandona, está sempre contigo. Nela você sempre pode confiar.

Deus não está tão acima de você que não possa ser tocado pelas suas lágrimas!

Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate

Carlos Drummond de Andrade
Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

Aqui nessa pedra, alguém sentou para olhar o mar. O mar não parou para ser olhado. Foi mar pra tudo que é lado.

Paulo Leminski

Nota: Adaptação de poema de Paulo Leminski

Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só vêem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si.

Não tem pessoas que cosem para fora? Eu coso para dentro.

Clarice Lispector

Nota: Trecho de entrevista a João Salgueiro, Affonso de Sant’Anna e Marina Colasanti para o Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, em 20 de outubro de 1976.

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Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou

Fernando Pessoa
PESSOA, F. Poesias. Lisboa: Ática. 1942 (15ª ed. 1995). p. 152

Felicidade é coisa que não tem nome. É silêncio que perpassa os dias tornando-os mais belos e falantes. Felicidade é carinho de mãe em situação de desespero. É olhar de amigo em horas de abandono. É fala calmante em instantes de desconsolo.
Felicidade é palavra pouca que diz muito. É frase dita na hora certa e que vale por livros inteiros.

Sinto saudade, mas não quero correr atrás. Ai, até onde vai tanto orgulho?

O amor é sempre novo. Não importa que amemos uma, duas, dez vezes na vida - sempre estamos diante de uma situação que não conhecemos.

Paulo Coelho

Nota: Trecho de "Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei"

Eu canto a dor que eu não soube chorar.

Chico Buarque

Nota: Trecho da música Desencanto.