Morto Vivo
Mato
Moro no mato,
vivo no mato,
trabalho no mato...
Minhas festas são no mato,
viajo para o mato,
vivo de mato em mato.
Se alguém me chamar para
passear no mato...
eu mato!
Em teus olhos, um reflexo de meu ser.
Vivo em ti, e em ti me sinto vivo,
teu coração, um ritmo a me envolver.
E em teu silêncio, um amor esquivo.
Eu busco em ti, um amor que não quer,
Mas em teu não, eu encontro um sim.
Teu desamor, um bálsamo a me doer,
E em tua indiferença, um amor sem fim.
Mas ainda assim, eu te quero, é verdade,
Com todas as d'ores, com todas as vontades.
E em teu não me querer, eu encontro a liberdade.
E assim, em teu silêncio, eu me sinto livre,
E em teu desdenho, eu encontro o que não disse.
E te gosto mais, por não me gostar, e isso é triste.
(Saul Beleza)
A melhor academia para mim é estar no coração do povo. O coração do povo me basta. Não vivo de enfeites.
Num mundo de quem se droga, se alcooliza e se dopa eu vivo longe de tudo isso encarando a vida de frente e sabendo que existe um Deus que não desiste de mim.
A Criatividade de um Amor Atipicamente Vivo
O seu amor atípico é mais verdadeiro e seletivo do que muitos; requer o bem do cultivo recorrente daqueles laços profundos — construídos pacientemente, sem nada forçado ou fingido, onde a ação do verbo amar se faça bastante presente.
O autismo permite ter um jeito muito atípico de perceber as coisas, demonstrando uma grande sensibilidade ao enxergar o mundo que está à sua volta com as lentes da sua ativa criatividade, que transforma a normalidade em vivências curiosas.
Usa, então, formas únicas e atípicas de aproximação e de se comunicar. Muitas vezes, a sua comunicação não é feita com palavras — não precisa falar. Ainda que não consiga expressar tudo aquilo que sente, que faz do seu comportamento algo muito peculiar.
A sua inteligência inegável é atípica, podendo ser explícita ou mais discreta, ter uma expressão agitada ou silenciosa, que só será percebida se houver uma consideração sincera na prática, que resulte consequentemente numa dedicação intensa diária.
Atipicamente, a falsidade não encontra brecha na sua conduta. Quando ama, é de verdade; mesmo que aparente uma certa desconfiança, segue sendo uma presença atípica de felicidade que ajuda a manter vivas a Fé e a Perseverança.
O desafio atípico é constante, uma dificuldade imensa de ser compreendido, mas, Graças a Deus, compensa por cada conquista, superação e descoberta; pela emoção do dever cumprido, por ter essa bênção atípica na vida e no coração, o Amor Atípico.
Escravos Cardíacos das Estrelas
Vivo no nordeste de um sítio, tão pequeno, que norte e sul se confundem, vivo numa montanha tão baixa que em meio passo chego ao mar, o ar que respiro é puro mas dói, tem cheiro de fumo, tem cheiro de gente que se mói. Vivo numa pequena casa de dois andares, e é enorme quando estou sozinho, nós somos 1 e eu lá sozinho. Estudo numa escola de gente grande, mas sou pequeno e pergunto-me se haverá algum esquema para crescer só por fora. Melhor, nem estudo mas tenho aulas que nem assisto, que nem existo mas estou sempre lá. Tenho medos que não conheço, paixões que não mereço. Amo cigarros e bebida alcoólica, como católico ama o terço, e torço secretamente para que a vida se vá a cada instante. E apesar de tudo, amo viver. Dói cada músculo que ouço, cada som que sinto e eu vejo um brilho de paz, não é droga, sem substâncias, eu sou nós que não somos iguais.
Sinto-me em casa em qualquer sítio; e é sempre o desejo que me manda embora.Os homens desejam ser escravos em qualquer parte e colher aí a força para dominar noutro sítio.Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu, estou hoje dividido entre a lealdade que devo àcalçada do outro lado da rua, como coisa real por fora,à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo,como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,desci dela, pela janela das traseiras da casa, fui até ao campo com grandes propósitos. Mas lá, encontrei só ervas e árvores, e quando havia gente, era igual à outra. Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade, estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, e não tivesse mais irmandade com as coisas, talvez uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua, a fileira de carruagens de um comboio, ou uma partida apitada de dentro da minha cabeça. No mais,uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
O mundo é para quem nasce para o conquistar, não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo. Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas, sou e talvez serei sempre, o da mata, ainda que não more nela,
Serei sempre o que não nasceu para isso. Serei sempre só o que tinha qualidades, serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta.
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,eouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Não posso ensinar nada, porque ainda vivo em construção, minhas certezas são andaimes e meu eu, uma casa inacabada.
O valor que crio é tangível e mensurável, não vivo de narrativas, vivo de entregas, quem busca resultado encontra meu sinal.
Tenho pavor da apatia. Prefiro a dor que me lembra que estou vivo ao gelo que me protege de sentir qualquer coisa.
Os espíritos imundos não param de sussurrar no meu ouvido, vivo em um cemitério de lápides vazias, quebradas, com nomes escritos que não consigo decifrar. Os fantasmas que me atormentam não têm rostos, não falam comigo, apenas me observam na escuridão em que me enterro.
Há uma diferença entre estar vivo e estar consciente da vida, e eu já não consigo mais separar os dois, porque cada instante carrega uma análise implícita, e, nesse excesso de lucidez, a simplicidade se tornou inacessível.
Eu ando solitário, vivo a vagar
A um caminho que trilho há muito tempo que chamo jornada
Acredito que me leve a algum lugar
Se a vida é finita, sei que um dia esta se acaba
E guando não houver mais vida, cessará o caminho não haverá mais solidão será o fim da jornada.
"Há uma inteligência sutil que rege as horas e sustenta o que é vivo. No passar dos dias, nada se perde e nada se apaga diante do Divino. Nossos atos e pensamentos são sementes que aguardam o tempo certo para florescer. Quem confia nesse fluxo aprende a caminhar em paz, sabendo que a vida, guiada por mãos invisíveis, organiza cada coisa em seu devido lugar."
