Morto Vivo
Tenho pavor da apatia. Prefiro a dor que me lembra que estou vivo ao gelo que me protege de sentir qualquer coisa.
Os espíritos imundos não param de sussurrar no meu ouvido, vivo em um cemitério de lápides vazias, quebradas, com nomes escritos que não consigo decifrar. Os fantasmas que me atormentam não têm rostos, não falam comigo, apenas me observam na escuridão em que me enterro.
Há uma diferença entre estar vivo e estar consciente da vida, e eu já não consigo mais separar os dois, porque cada instante carrega uma análise implícita, e, nesse excesso de lucidez, a simplicidade se tornou inacessível.
Existe uma diferença brutal entre estar vivo e sentir-se verdadeiramente presente na própria existência.
Em certos dias, estar vivo é apenas sustentar a consciência de que o mundo segue enquanto minha alma negocia com o próprio eco.
Pintura deslumbrante, ao vivo e sem moldura, em uma exposição emocionante do Artista Divino entre cores e texturas, onde cada detalhe é expressivo e formam uma linda estrutura.
Eu não vivo de acordos de agenda. Não negocio o chamado em troca de favores.
É Deus que abre portas, é Deus que nos dá púlpitos.
Estou vivo e aqui perto de você. Será que voltei de outra vida ou estou tendo o prazer de despedir de você assim sem tocar?
Quem me lidera sou eu, o sentimento; só faço o que sinto vontade, só vivo o que sinto vontade, e minha razão não pode me atrapalhar nisso.
