Mistério
"O amor deixaria de ser um mistério para se tornar a única equação matemática onde um mais um resulta em um inteiro indivisível."
A ação do cristão é sempre aprofundar no mistério de Deus. Este mergulho mais profundo se dá mais no silêncio do que no pensamento. É só no mergulho do silêncio contemplativo que consigo navegar ao encontro do meu coração.
Como o horizonte, o amor é um mistério: quanto mais caminhamos em sua direção, mais ele se expande diante de nós.
O amor é um mistério: a gente tenta entender com a cabeça, mas ele só funciona com o coração (e um pouco de paciência).
Mesmo depois de todo esse tempo, você continua sendo o meu mistério favorito. Às vezes, me sinto exatamente como naquelas noites em que minha cabeça não para: meio tonto com o seu jeito, tentando decifrar o que se passa nessa sua mente linda enquanto você me atrai e, logo depois, me afasta com esse seu sarcasmo — do qual eu, sinceramente, não saberia como viver sem.
Quero que você saiba que eu vejo tudo. Vejo quando o mundo tenta te massacrar e vejo você segurando o choro — e, mesmo assim, continua sendo a pessoa mais linda que já vi. Você é minha musa e, ao mesmo tempo, a mulher mais incrível que já conheci. É o ritmo que embala meus dias e a melancolia que me faz querer ser alguém melhor.
Às vezes, sinto que estou com a cabeça embaixo d'água, tentando entender a nossa intensidade, mas, curiosamente, é ao seu lado que eu respiro melhor. Não me importa o quão difícil as coisas fiquem ou o quanto a gente arrisque colocando as cartas na mesa; eu prefiro perder com você do que ganhar sem você.
Eu amo suas curvas, seus limites e, principalmente, as suas "perfeitas imperfeições". Não mude nada. Eu entrego o meu tudo para você — meu fim, meu começo e tudo o que houver no meio — porque o que temos é a única coisa que me faz sentir que, no final, tudo vai ficar bem.
Ela possui um olhar que diz tudo sem precisar de uma única palavra; um mistério que a gente não quer resolver, apenas admirar. É aquele tipo de poesia delicada nos gestos, mas com uma profundidade que nos faz querer mergulhar.
Tem a calma de um fim de tarde, mas carrega nos olhos a imensidão de um céu estrelado. Seu jeito meigo desarma qualquer pressa e seu sorriso é capaz de iluminar até os dias mais cinzentos.
Ela transborda uma leveza rara, transformando pequenos momentos em memórias inesquecíveis. É a combinação perfeita entre a pureza de um anjo e a força de quem sabe exatamente o fascínio que exerce.
Enquanto o mundo discute se almas gêmeas existem, meu coração resolveu o mistério: mesmo fazendo de tudo para te apagar, o seu rosto e a sua voz viraram leis fixas na minha memória.
Quem muda todos os dias de opinião em o que aceita na vida, não é um mistério, é mesmo falta de rumo.
A matéria escura é um verdadeiro mistério do universo, não absorve luz e não pode ser visível aos nossos olhos.
Percebemos que ela existe pela força gravitacional que eles exerce. Para que nenhuma estrela saia desgorvenada pelo espaço, é necessário que haja uma massa extra para segura-las, caso contrário as estrelas não teriam rumo ou fixação..
O Retrato do Ingrato
Existem laços que, em vez de sustentar, sufocam. É o mistério doloroso daquela mãe que, em nome de um amor incondicional, permite que o próprio filho transforme seu lar em arena e sua alma em banquete. Ele chega como se o mundo lhe devesse tudo, portando o título de "filho" apenas para exercer uma tirania mesquinha. Com o nariz empinado e o coração seco, ele não entra na casa da mãe; ele a invade.
O narrador da vida observa: enquanto ela oferece o pão e o afeto, ele devolve o palavrão, a piada de mau gosto e a encenação barata que visa humilhar quem mais o apoia. Ele sente inveja da felicidade dela, como se cada sorriso da mãe fosse um roubo ao seu próprio ego. Ele tenta mandar nos irmãos, ditar as regras de um teto que não é seu e sugar a energia de um ambiente que deveria ser sagrado.
É o filho que se acha "dono do mundo", mas não consegue sequer dominar a própria má educação. E a mãe? Ela assiste a tudo com os olhos marejados de quem vê um tesouro onde só existe cascalho. Ela silencia, não por falta de voz, mas porque o amor a faz acreditar que, em algum lugar debaixo daquela armadura de arrogância e desrespeito, ainda existe a criança que ela nalgum dia embalou. É o sacrifício silencioso de quem aceita ser ferida para não ter que ferir o fruto do próprio ventre.
Nota do Narrador: "Há filhos que são âncoras, que nos prendem ao chão pelo peso do amor; e há filhos que são tempestades, que nos destroem por dentro enquanto juramos que o céu ainda está azul.
