Migalhas de Amor
É da fraqueza que nos alimentamos, e é justamente nessa hora que esquecemos de onde vem as migalhas que sustentam nossa alma e cruelmente viramos as costas.
Deus se faz presente nos mínimos detalhes, em forma de migalhas a formar o pão da Terra, em forma de banquete a se transformar no Céu
Chuvas sempre arrastaram migalhas, mas nem mesmo a maior das tempestades será capaz de mudar o peso da espiritualidade sobre teu destino
Somente um pagão é capaz de sentir a dor de se alimentar de migalhas advindas do banquete servido pelos deuses
Levamos um tempo para entender que as migalhas não serão mais suficientes para nos preencher. Quando entendermos isto, entenderemos que somos suficientemente completos para não esperarmos nada externamente.
Feliz daquele que sempre aprende com suas próprias falhas! Deus te fez capaz de conquistar um pão inteiro, se tu confia, se recuse a viver de migalhas.
Também tenho dificuldades para aceitar pobres que se prestam, a bajular ricos, para deles receberem regalias e usufruir das migalhas que lhes são oferecidas...
“Quem trabalha com o possível se conforma com pouco. Já quem dá o seu melhor não se contenta com migalhas.”
O olhar fala, o coração grita muito mais que as palavras. Se não houve reciprocidade, não insista. Nenhum sentimento deve ser implorado. Você não precisa de migalhas para ser feliz. Somos completos, e quando entendemos isso, naturalmente tudo começa fazer sentido.
A dor...
A dor nos alimentou, se doou, fez de tudo para não nos largar. E hoje, a dor faminta, pelo tudo que deu na sua entrega, de fome desfalece, mas insiste em doar suas ultimas migalhas, pelo desejo de tê-la insistentemente presente, por si só, mesmo que da dor não nos alimentemos mais, pois quando na malícia ela se fez vício, almejava que nunca, o não mais, viria a ser o que se tornou, digo do alimento, mesmo que aos passos do fim, destruída, mas ainda cheia de vigor pelo que em outrora nutriu no coração!
Mettran Senna
Migrantes
Migro minguando a minha vida
Já esfacelada pelas intempéries
De uma Nação em desconstrução
Abatido. Faminto e desesperançado
Magras migalhas me jogam por onde passo
Penetro
Estreitas passagens debaixo de arames farpados que
Roçam minha pele abrindo feridas pelo meu corpo
Ou pulo cercas
Suado. Cansado pelo caminhar desnorteado.
Minguantes. Crescentes. Novas
A Lua não muda a minha sorte
De migrante destruído pelas armas
E corações empedernidos
Com discursos de ódio
Locupletam as esferas de poder
E por querer
Um mundo indiferente
Patético, assiste a minha triste sina...
De ter nascido numa Pátria fria
Calculista.
Onde o ouro negro jorra
Materialista
Contrastando com o vermelho
Dos que tombam sem nenhuma chance de vida.
Ainda que como a minha
Vida MINGUANTE.
Eu não quero um peixe!.
Eu quero o rio, o mar e o oceano..
Eu não quero um peixe!.
Eu quero a linha, o anzol e a vara de pescar!
Eu não quero migalhas, nem metades!
Eu quero tudo, eu quero inteiro..
Floresta em que Hiena comanda, somente haverá um povo fraco e risonho e de festeiros... Por isso a coroa é dada ao Leão, forte, rígido, justo, e não brinca com seus súditos.Assim que se governa...
"Não nos basta esquecer as dores; mudar os amores; pedir nem ganhar flores; muito menos depender de favores. Nos amar é aceitar não viver de migalhas. Até por que, nós somos aquilo que vivemos..."
