Meu Eterno Amor minha Filha
Caminhada de Sábado, foram três quilômetros de minha casa ao palanque de processamento das comemorações cívicas dos 30 anos da Senador Canedo. E o caderno de ponto estivera a 300 metros dali. Mas, não o assinei, passava das nove horas, e a coordenadora não ia esperar mais. Bateu-me uma revolta, daquela que faltou aos escravos de outrora, que não passou até agora.
Das paredes orgânicas da minha progenitora
Tanta coisa se passou, minha memória não ignora
Quatro quilos e duzentos gramas quando cheguei cá fora
Bebé saudável e passei pela incubadora
Noventa e quatro é o ano, Agosto se não me engano
Hospital Central de Maputo, parto cesariana
Mãe crente, de uma família carente
Dono do feto ausente, conheci o amor materno somente
Filho único educado a respeitar não pelos bens
Respeitas-me, respeito-te, não pelo que tens
Brincava na rua das sete às dezassete
Com os amigos, descalços, sem camisete
Luta punho a punho, não havia canivete
Conversas cara a cara, não tínhamos internet
Ao anoitecer, telejornal, novela e cama
Mata-bicho pão com «badjia» raramente havia Rama
Cresci a jogar tétulas, não tinha Super-Mário
Carrinhos de arrame, sem bolo no aniversário
Fiz um rolamento, chamaram-me engenhoca
Bilhares de papelão, minha imaginação era louca
Época de férias metia o pé até a praia
Nunca sozinho sempre com amigos da mesma laia
Nando e Hipólito, Lima, Acácio e Caló
Companheiros de infância nunca estivemos só
Fazíamos casinhas, brincando de Papá e Mamã
Todos disputávamos para o papel de Papá
Diferente de uns, nunca fui a creche
Aprendi sozinho a não mexer o que não se mexe
O vício pelo dinheiro não bateu a minha porta
Mas a necessidade sim, o motivo pouco importa
Comecei a vender sucatas ao pé do cinema «Charlote»
Semanalmente tinha que conseguir outro lote
A rua foi a escola, meus amigos os meus docentes
Meus familiares próximos também estiveram presentes
Na construção da personalidade e na minha educação
Palavras não bastam, agradeço-vos de coração
Por cada lição dada com dedicação
Por cada punição a cada má acção
Por cada correcção, por cada «sim» e «não»
E por tudo que não posso dizer nesta ocasião.
1
É a porra de mais um dia
e hoje agarro a minha bic
Se a barriga está vazia
não é por falta de apetite
É a crise na economia,
concretamente em Moçambique
Há uma semana não padecia
e hoje padeço de gastrite
2
Carrego a crise nas entranhas
bem antes da idade
Não há machambas castanhas
nem no campo, nem na cidade
Mas nos mercados apanhas
preços a uma disparidade
E esses cabrões nas campanhas
prometeram-nos prosperidade
3
Enganaram-nos de novo
já não é novidade
O novo patrão é o povo
é o slogan da actualidade
Um patrão que não tem vez
e seu pranto é censurado
Que paga a dívida que fez
o seu ex-empregado
4
Não há emprego, não há trabalho
nem uma oportunidade
Licenciados estão sentados
como estiveram na faculdade
Outros a serem formados
formatados pela universidade
Mestrados e doutorados
amputados a sagacidade
5
Estou incluso na lista
de estudantes universitários
A fome e a fadiga
são os dilemas diários
Mas o que faz com que não desista
são os meus conselheiros
A palavra deles me instiga
porque são verdadeiros
6
Além da barriga,
há que alimentar a mente
E quanto a mim felizmente
ando saciado como é evidente
Apostando no futuro
lançando a semente no presente
É o investimento mais seguro,
mais maturo e consciente
7
Como o outro dizia:
a crise já foi mental
Hoje de barriga vazia
percebo que chegou ao metical
Mas não precisa da CIA
nem da perícia criminal
A cara da cleptomania
é o ex-dirigente nacional
8
Nada fez a polícia
nem o supremo tribunal
Quando se difundiu a notícia
na TV e no Jornal
O sistema está fudido
já dizia o mano Chacal
Enfraquecido e corrompido
pelo partido imparcial
9
A democracia é enganação
cuidado que és assassinado
Só tem liberdade de expressão
o cidadão não letrado
Recordo da manifestação que
não aconteceu ano antepassado
Fez-se a rua um batalhão
da milícia bem armado
10
Ficou claro desde então,
não, ficou confirmado
Que nos querem ver calados,
sentados e conformados
Nossos direitos confiscados,
nossos prantos revogados
Salários magros atrasados,
mais subsídios aos deputados.
Agradeço ao universo pelas pessoas de alma perfumada e coração bonito que ele tem colocado em minha vida, ao olor que essas pessoas espalham em meu viver, à luz que emana delas e enche o meu olhar de brilho e cor. Agradeço a todas às vezes que me proporciona enternecimentos indiscretíveis, risos largos, gargalhadas intensas, frio na barriga, suspiros longos, abraços demorados e borboletinhas no estômago. Agradeço pela poesia diária que como água pura de nascente borbulha em minha fonte lírica, flui, escorre pela ponta da minha pena. Agradeço às vezes que na taça do tempo brindou-me com a chuva, com as gotas translúcidas de orvalho que perfumam a alvorada, com as lágrimas cristalinas que regam minha emoção. Agradeço por recepcionar-me com a luz da aurora, com o divino sorriso do sol que nasce com o crepúsculo; por abrir-me as portas do dia a cada vez que minhas pálpebras se abrem para o clarão do amanhecer. Agradeço pela conexão com o guardião das estrelas e com o meu meu sagrado feminino.
Agradeço e brindo a tudo e a todos que de uma forma ou de outra acrescentam vida ao meu viver! Tim! Tim!
Tenho que recomeçar uma nova página na minha vida sem sua presença, mas devo manter em minha memória sua existência por esses longos anos que ficarão para atrás, é no passado que vamos ficar guardados e tudo que vivemos um ao lado do outro...
Escrevi
Para viajar nas letras
e no papel, assim deixarei vestígios
desta minha existência
e expressar em tinta as emoções
As dores que a alma
Já sentiu…
As cores que eu vi
Ao amar um alguém
A qual dei a paixão
Mas nem todos
Sabem entender
Compreender a magnitude
De algo verdadeiro
Incluindo a cumplicidade
E a paixão
(DiCello, 02/06/2019)
Se a minha beleza intelectual e espiritual for mais aparente do que a minha beleza física, ficarei feliz, pois denota que tenho um verdadeiro sentido pra viver.
Na minha alma tenho o jardim da esperança, onde existem flores que jamais morrem, porque são regadas com a minha fé e adubada com o amor que sinto por meu criador Deus.
Desprezado por causa da minha simplicidade.
Humilhado por causa da minha humildade.
Odiado por causa da minha sinceridade.
Invejado por causa da minha criatividade.
Contudo,
admirado pela minha peculiaridade.
valorizado pela minha originalidade e
amado por quem me conhece de verdade.
Abandonei a minha Tese de Doutoramento em Tecnologias de Informação e Comunicação em prol de uma causa de vida mais transformadora e elevada: a Comunicação Não Violenta. Escolhi o que faria mais sentido verdadeiro para a minha vida e a dos outros.
CNV — Comunicação Não Violenta
Dentro da minha alma ainda ferida, guardo as vozes e as lembranças de quem tenho saudades, para recordá-las enquanto meu coração fica em silêncio !
Não sou de brincadeira
nem muito forte e nem tão fraca
seilutarà minha maneira
não dou murro em ponta de faca
Não sou tímida e nem ousada
sou real e sou do bem
um pé na nuvem e outro na estrada
o caminho conheço muito bem
Gosto de aprender sempre nova lição
ensino também o pouco que sei
respeito e ser respeitada faço questão
e dessa forma até meu fim viverei
Se pudesse atrasar o tempo o faria para ter de volta você em minha vida. Sinto muito a sua falta, nem o tempo fez me te esquecer.
Quem dera, eu pudesse voltar o tempo, só pra sentir seus braços a me envolver em teu abraço. Quem dera o tempo voltasse.
Shirlei Miriam de Souza.
