Mentiras

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O Estado laico não pergunta qual religião é verdadeira; pergunta quais direitos pertencem igualmente a todos, porque a verdade metafísica não pode ser decretada por maioria parlamentar.

O Estado laico não declara que todas as religiões são verdadeiras; declara que nenhuma pode ser juridicamente obrigatória, deixando em aberto a própria questão metafísica que o agnosticismo se recusa a encerrar artificialmente.

O amor começa como encantamento, mas sua verdade revela-se quando o encanto sobrevive ao cotidiano.

Existem verdades cuja primeira condição de nascimento é o silêncio.

Libertar-se é ter coragem de interrogar os valores que nos ensinaram a chamar de verdade.

Há um instante em que o homem deixa de obedecer às verdades recebidas e começa a escrever as suas próprias perguntas.

A verdadeira liberdade não consiste em escolher entre verdades prontas, mas em conservar o direito de questioná-las.

Entre o que desejamos que seja verdadeiro e aquilo que podemos legitimamente afirmar como verdadeiro existe o território da dúvida; é nesse território, precisamente, que a razão aprende sua humildade e a liberdade encontra sua forma mais alta.

Uma sociedade verdadeiramente civilizada não pergunta apenas o que pode fazer com o indivíduo, mas aquilo que jamais deveria fazer dele.

A ciência cresce não apenas quando descobre o verdadeiro, mas quando aprende a reconhecer o falso.

Quem não examina a origem dos próprios valores pode passar a vida defendendo como verdade aquilo que recebeu apenas como herança.

O verdadeiro inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão de que já sabemos o bastante.

A grandeza intelectual não consiste em possuir uma verdade definitiva, mas em conservar a capacidade de reconhecer o erro quando ele finalmente se apresenta.

Amar verdadeiramente é permitir que o outro nos transforme sem que, nessa transformação, deixemos de reconhecer a pessoa que escolhemos ser.

Existir é escolher; e toda escolha verdadeira contém uma pequena morte, porque cada caminho assumido sepulta os inúmeros caminhos que poderiam ter sido.

A verdade costuma atravessar a história como um estrangeiro indesejado: primeiro provoca riso, depois resistência e, quando finalmente se torna familiar, passa a parecer tão óbvia que ninguém mais se recorda de quando foi contestada.

O corpo é a primeira fronteira da consciência e talvez sua mais incômoda verdade: antes de sermos ideias, projetos ou biografias, somos matéria vulnerável atravessando o tempo.

Mil palavras podem ornamentar a ignorância; uma única verdade, quando compreendida, pode despojá-la inteiramente.

Não transformes a tradição em verdade apenas porque o tempo lhe concedeu antiguidade.

Aquele que busca a verdade precisa conservar uma pequena pátria interior onde até suas próprias certezas possam ser julgadas.