Mentiras
A razão não promete possuir a verdade inteira; oferece algo mais honesto: um método para aproximar-se dela sem transformar a ignorância em certeza.
Quando o Estado transforma uma crença em verdade oficial, a liberdade deixa de ser princípio e torna-se concessão.
Aquilo que parece imediatamente verdadeiro pode ser apenas uma ideia cujas mediações ainda permanecem invisíveis.
A verdade não se torna mais verdadeira porque possui maioria, tradição ou autoridade; torna-se intelectualmente mais resistente quando suporta a crítica.
O pensamento verdadeiramente livre não precisa destruir a tradição; precisa apenas impedir que a tradição se torne substituta da consciência.
Há uma nova forma de silêncio: estar permanentemente disponível e, ainda assim, não ser verdadeiramente encontrado por ninguém.
Uma Constituição verdadeiramente livre não determina aquilo em que devemos acreditar; determina aquilo que ninguém pode nos obrigar a acreditar.
A mente verdadeiramente viva jamais se cansa de aprender, porque cada resposta digna inaugura uma pergunta ainda mais profunda.
A verdade não precisa da pressa dos homens: o tempo, paciente e implacável, costuma separar o fato da aparência.
Quando a realidade puder ser fabricada, a verdade deixará de ser aquilo que vemos e voltará a ser aquilo que resistiu à fabricação.
Regular a religião é inevitável; compreender o sagrado sem destruí-lo é a verdadeira prova de maturidade constitucional.
A verdadeira sofisticação nasce quando a inteligência consegue alcançar a máxima expressão com o mínimo de elementos.
A verdadeira obra de arte não nasce apenas dos olhos que veem, mas da mente que transforma aquilo que vê em significado.
A verdade não se submete à sentença definitiva do intelecto; admite apenas aproximações sucessivamente mais precisas.
