Mentiras
A verdade não precisa de polícia; quem precisa de polícia para proteger uma verdade talvez possua apenas uma crença.
O Estado que pretende conhecer a verdade última sobre o homem corre o risco de esquecer que também é formado por homens.
O verdadeiro esclarecimento não consiste em substituir antigos dogmas por novos, mas em conquistar o direito de duvidar de todos.
A consciência não nasce preenchida por verdades prontas; é a experiência que fornece à razão a matéria com que ela constrói o conhecimento.
A verdade não deveria depender da autoridade de quem a pronuncia; ela amadurece no tempo, na experiência e na confrontação com os fatos.
O erro submetido à investigação pode aproximar a consciência da verdade; a confusão protegida pelo dogmatismo apenas prolonga a ignorância.
Os sentidos fornecem informações, mas informação não é sinônimo de verdade; entre perceber um fenômeno e compreendê-lo existe todo o trabalho da razão e do método.
Investigar verdadeiramente exige coragem para identificar os preconceitos que chegaram antes da própria investigação e podem estar decidindo suas conclusões.
A verdadeira educação não fabrica pensamentos obedientes: ensina a consciência a distinguir entre aquilo que sabe, aquilo que acredita e aquilo que apenas repete.
O homem verdadeiramente livre não é aquele que acredita em tudo o que pensa, mas aquele que possui coragem para submeter seus próprios pensamentos à razão.
Não existe conhecimento verdadeiro onde a crença não aceita apresentar suas razões diante da crítica.
Uma crença pode parecer verdadeira; o conhecimento começa quando somos capazes de explicar por que acreditamos nela.
A verdade socialmente aceita possui uma história e pode influenciar aquilo que o Direito reconhece como legítimo.
Todo segredo militar nasce de uma justificativa de segurança. O verdadeiro teste jurídico começa quando perguntamos se essa justificativa ainda existe.
