Mensagens de Perda
O amor encontrou o seu lugar
❝ ... Me perdi em teu sorriso, seu abraço
Aquece minha Alma, sua vós me arrepia.
Tentei desviar o meu olhar do teu, tentei
Não te amar, quis ser teu amigo, mas
Confesso que o Amor encontrou seu lugar...❞
-------------- Poetisa: Eliana Angel Wolf
Ciclos
Perdi as contas de quantas vezes morri
Algumas vezes fui apunhalada sem misericórdia
Assassinada pelas mãos de quem jurou estar ao meu lado
Outras vezes fui levada ao suicídio
Pelo desejo em findar a dor
A dor das feridas abertas em minha Alma.
Perdi as contas de quantas vezes morri
Mas todas as vezes que a morte me beijou a vida me abraçou
Me fazendo perder as contas de quantas vezes renasci.
Acelerado caminho a passos largos
Em alta velocidade seguro a sensatez
Perdi a calma em pensamentos vagos
Parou-se o tempo, rompendo a lucidez
Vivi momentos de caos, na escuridão
Nos meus lamentos me afoguei sozinho
Ganhei desprezo de quem estendi a mão
E vi cavarem covas no meu caminho
A chuva lá dentro encheu minhas cisternas
Acúmulo de águas sem nenhuma saída
Alguns dizem que as dores são eternas
E que a eternidade só dura uma vida
Mas eu só vivo uma vez a cada dia
E toda a vida, por vezes, num só momento
O mundo parece que te afoga em agonia
E a vida mostra a beleza de tal tormento
Sinto pela minha capacidade de sentir demais
Sinto por todas as vezes que perdi a paz
Sinto por correr desorientado na escuridão
Sinto quando precisei, mas soltei minha mão
Sinto pelas vezes que feri e fui ferido
Sinto quando não deixei que o amor fosse nutrido
E quando sinto dói bastante, não vou mentir
Mas a vida é sentir para viver e viver para sentir
"Todas as vezes em que perdi meu chão, caí mesmo! Não fiquei tentando agarrar-me a qualquer coisa, o "qualquer coisa" nunca valeu a pena. Me deixei sentir o que de fato estava acontecendo, para assim conseguir me reerguer firme, cada vez mais forte ."
Busca
Muitas vezes
juntei do quebrado coração,
todos os pedaços que perdi pelos caminhos,
onde tentei estar perto da beleza, do amor,
perto de ti...
Muitas guerras eu perdi,
mas quem disse que eu
merecia vencer?
E porque não morrer?
porque me rendi ao teu amor.
§
A CRIANÇA QUE PERDI:
Esta noite eu não dormi, com meu siso,
Decidi... Viajei no passado (...).
E presente me encontrei com a criança
Que havia deixado a chorar na estrada sem tino
Do alto do consciente, a vi... E entendi.
Pra rever meus sonhos, planos, e desejos...
Eram todos fúteis!
Nasciam da fértil e quimérica imaginação
Daquela homérica criança.
Neste instante, inexoravelmente anseio
Seu resgate
Porém não me é dado êxito
Ah! Meu mundo surreal
Ofusca a aura clara
Do régio ser que um dia fui.
E dormi apenas eu...
O leviatã rugirá impiedosamente aos descalabros, trazendo em sua espada a glória e a esperança perdida.
Sou mais corajoso do que era, porque perdi tudo; e quem não tem nada a perder pode correr todos os riscos.
Perdi as contas de quantas vezes pensei que morreria.
Mas então raiou o dia
E eu estava de pé outra vez.
Há muito tempo, eu perdi o foco. Aprendi a perder e negociar.
Todos os dias eu desisto de alguma coisa, mas às vezes, eu as recomeço no dia seguinte.
Segunda Metade
Eu corri tão depressa, sem olhar pra trás
Me perdi nas promessas que o tempo desfaz
Colecionei cicatrizes, deixei sonhos no chão
Acreditei que a vida era só ilusão
Mas agora eu vejo, há mais pra viver
Não é sobre o tempo, é sobre aprender
A segunda metade é pra me encontrar
Costurar os pedaços que o vento levou
Fechar as feridas, deixar cicatrizar
O que a primeira metade quebrou
Já não busco respostas em quem não ficou
Nem carrego saudades do que não voltou
Cada linha no rosto é um mapa, um sinal
Que a vida começa depois do final
Se a dor foi um dia meu porto seguro
Agora eu navego sem medo do escuro
Porque sei que o sol sempre vai despertar
E o que me feriu já não pode me quebrar
A segunda metade é pra me encontrar
Costurar os pedaços que o vento levou
Fechar as feridas, deixar cicatrizar
O que a primeira metade quebrou
Não sou quem eu era, mas sou quem eu quis
A segunda metade me fez mais feliz
Em desespero noturno
busquei a minha alma
que um dia perdi
sem perceber
numa noite fria
quando ouvia Wagner
as notas valquirianas
embriagavam-me
depois de duas taças de Merlot
soube que esta é a sua cota diária
então, quando a poesia não mais me queria
soube que a musa de apolo me olhava
pelas frestas dos buracos de Einstein
de outra dimensão, surgiu o fio de ariadne
assim a poesia se fez verbo em mim
eu, que outrora mudo não sabia
que no amor platônico de amigo
a mante de fato existia.
MONÓLOGO DA FOME
Eu estou com fome, meu senhor.
Perdi meu emprego, fiquei doente
E hoje moro na rua.
A covid matou metade da minha família.
De onde eu sou?
Não sou da Disneylândia, já morei na Ceilândia, na Estrutural,
No lago Azul, em vários lugares, nesses lugares em que as pessoas não desejam morar.
É hoje eu moro aruá, lugar em que muitos desejariam morar, para ter a liberdade que eu tenho, mas para morar na rua a pessoa precisa passar por onde eu passei, viver o que eu vivi.
Meu senhor, por piedade, diga-me, o senhor vai ou não me dar um prato de comida?
LABIRINTO
Andei sem rota,
batendo na porta
que não se abria.
Meu medo sumiu.
Perdi a razão.
Neguei ao oráculo
meu sangue e perdão.
A musa Ariadne
se esqueceu de mim.
Não veio ao encontro
marcado no fim —
no fim da viagem,
da tola miragem
que venderam pra mim.
Eu sei que estou
perdido no caos,
no vácuo do mundo,
sem paz ou redenção.
Sou homem, sou tolo,
vestido de púrpura,
coroa de espinho,
ferida divina,
forjada do barro
que volta ao chão.
Procurei,
em trova, soneto e prosa,
nos versos líricos do poeta;
o significado de Te Amar?
Perdi-me, e não sei quando,
talvez em rimas poetando;
este teu sorrir a Florejar.
Meu Universo
Perdi-me em meus pensamentos, quando me permitiu que entrasse nos seus, minha claridez se vez escuridão, no ofuscar de seus olhos vi o conforto que de mim foi tirado.
De minha alma levaste a alegria que outrora me conduzia à eternidade de um novo universo, onde habitava tão somente você e eu.
Não me sufocarei na angustia dos dias que virão, nem na monotonia das lágrimas que derramei, mais as guardarei nas profundezas de meu coração, pois só assim fará parte do que eu fui e não do que sou.
