Mensagem de Solidão
É na solidão, no silêncio interior, que nos encontramos conosco mesmo. A aversão a primeira e a repulsa pela segunda, manifesta pelo homem contemporâneo, são claros sintomas de nosso desfibramento. De nossa degeneração.
Sertão esquecido!
A fome e o abandono
a tristeza e a solidão
o desprezo do patrono
sem poder de decisão
terra seca não tem dono
da primavera ao outono
ninguém liga pro sertão.
Solidão.
Meu maior medo é a solidão;
Solidão que me assombra, solidão que me atormenta.
Solidão essa que me impede de dizer;
Tenho medo de te perder
E isso me faz te querer cada vez mais;
Pois você me trás a paz.
Por onde eu tenho andado?
Teria eu vagado temorosamente pela solidão ou caminhado calmamente pela solitude?
Exatamente neste momento, há um enorme silêncio, tranquilidade e paz que tomam conta do meu ser. Não sinto falta de nada e de ninguém. Me sinto pleno.
Sim, estou em solitude!
Nessa solidão sem fim
Barulhos enfim dias assim
Pessoas caladas mentes barulhentas...
Morreram por dentro
Mais sobreviveram
Lutaram lutas que ninguém pode imaginar
Mais ninguém enxerga
Então ele segue
Como se tudo fosse nada!
Esperança.
A vida trava uma guerra
contra a fome e a solidão
é um cabrito que berra
é um boi caído no chão
é a planta seca na terra
mas nada disso encerra
o meu amor pelo sertão.
LEVEZA
No derradeiro, se percebe no fado:
que a solidão contém partida e vinda
as lembranças fitas em laços, atado
a lua na solidão tá sempre na berlinda
a madrugada não é grande nem pequena
que o possível no possível pode ainda
que a saudade é frágil como uma pena
e que as coisas mais leves, tem cheiro,
que a van filosofia prescinda...
Luciano Spagnol
2016, dezembro
Cerrado goiano
É verdade que viver sem amigos é como viver em um deserto de solidão. No entanto, sempre haverá aqueles que estarão rodeados de pessoas. E mesmo assim permaneceram no deserto. Contudo, esses lobos solitários costumam ser a espécie mais rara de amigos que se possa ter.
Onde a solidão ruim
lá me encontra
Onde a saudades perturbadora
lá me encontra
Onde a angústia profunda
lá me encontra
Onde a tristeza sem fim
lá me encontra
Onde a choro e soluços
lá me encontra
Onde a desprezo
lá me encontra
Onde a adeus, abandono
lá me encontra
Enfim... Encontra todas
lá bem dentro de mim.
LACUNA (soneto)
Solidão, de insistir-te, não és esquecida
A saudade anda exagerada em te trazer
Nem sequer és o pretexto do meu viver
Pois se a sorte é triste, alegre é a vida!
Nada neste exagero é de fato pra crer
Se há ganhos e perdas, vinda e partida
Ter desvario é querer chuchar a ferida
O vital é mistério, bom é se surpreender
Pois a mesma estória tantas vezes lida
Traz história enlouquecida ao escrever
Tudo passa, não é só subida e descida
Ai, pode voar o tempo, tempo morrer
Tudo tem princípio e o fim, na medida
E nesta metamorfose, vai o nosso ser...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Cerrado goiano
2017, início de janeiro
Vai navegar na solidão, afundar nas profundezas do teu ser... e mesmo assim, não deixará de existir.
A solidão não me mete medo .
Gosto do meu casulo !
Prefiro me ausentar
do mundo lá fora .
Prefiro estar longe mesmo
e navegar profundo em meus tantos ,
desenhando meus sonhos ...
Respirando meu silêncio
por entre luas e estrelas .
SOLIDÃO BORRALHEIRA (soneto)
Erma solitária solidão borralheira
Que atulha o cerrado de melancolia
No entardecer encarnado em romaria
Alongando o minuto em hora inteira
Assim só, os sonhos vão pra periferia
A espiar a sofrença além da fronteira
D'alma, caraminholando oca asneira
A crepitar agonia em atroada sombria
O vazio do imenso céu sem cabeira
Nos engole com chilreio e zombaria
Galopando apertura numa carreira
Tétrico encanto da solidão crua e fria
Que do silêncio é a sua mensageira
E que ao coração saudades anuncia!
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro de 2017
Cerrado goiano
Um dia quis te entender, mas seu silêncio me interrompia.
Um dia quis te amar, mas a sua solidão não me favorecia.
Então, um dia resolvi te esquecer, e você não fazia questão nas palavras que eu dizia.
Na solidão, me esqueço. E nos silêncios com as noites sôfregas, que são povoadas de desejos ávidos, me olho no espelho e me acho dentro do isolamento...
Marilina Baccarat no livro "É Mais Ou Menos Assim"
