Mensagem de Mágoa
Se a alma resolver tirar um cochilo no céu e sentes esse vazio é porque o corpo tá pesado demais de mágoas e ressentimentos.
Pingo de gente perdido por aí...
Menino na idade...
Crescido nos hábitos...
Rondando os bares...
O que busca?
O que quer?
Entre o real e a bela fantasia...
Contando as horas...
No transcorrer dos dias...
Correndo a cada passo...
Desejando aquecer a alma fria...
Contando entre versos e prosas a sua história...
Quem lhe diria...
Onde o devaneio voa...
Em uma vida à toa...
Vara a madrugada...
Pelas ruas...
Só mais uma espiada...
Alguns o fazem de morada...
Qual é a sua culpa nessa estranha jornada?
Sombra de seres curvados e encolhidos...
De peitos dilacerados pelas mágoas...
Os bares acolhem àqueles que o amor abandonou...
Sandro Paschoal Nogueira
No tempo dos segredos...
Todas as coisas eram possíveis...
Era no tempo em que os meus olhos...
Não tinham visto tantas coisas frias...
Antes das palavras gastas...
Antes de não termos já nada para dar...
O que chega, não fica...
Nem mesmo abre em nosso peito feridas...
Já não se passa absolutamente nada...
A rosa se descobriu a perder a cor...
Fechou os olhos e adormeceu...
E quando amanheceu veio o vento e a arrancou...
Ocultam-se as paixões...
Sob os véus da ilusão...
Tudo acaba como começa...
Sem guardar a lembrança de um amor...
Pobre e frio coração...
Ninguém te abriu...
Ninguém verteu lágrimas de puro afeto...
Ninguém lhe sorriu...
Refém das mágoas que a si mesmo causou...
As histórias são recontadas de tantas formas...
Tudo indefinido...
Destino...
Acaso...
Desejos...
Escolhas...
Talvez...
É bom às vezes sentir medo...
Raro ser compreendido...
À frente o desconhecido...
De tudo que se acreditou...
Onde o silêncio esconde pensamentos...
De tudo que já sonhou...
Sandro Paschoal Nogueira
E vinha vindo a noite por entre os pinheiros...
E vinha a sonhar...
E perguntava-me ...
Por que te devo amar?
Porque há vida...
A doer com as mágoas...
A rolar as lágrimas...
Por que andas de repente...
Entre idas e voltas...
Dos que esperam a luz...
Em densas trevas...
No vácuo mudo...
De um desolado coração...
De quem não espera...
A sua compaixão...
Do esquecimento inviolável...
E olvida, como quem está já morto…
E, interrogando o destino...
Sente desconforto...
Verdade...
Qual delas?
Que estão além das cousas transitórias. ..
Correr do tempo onde o amor se perde...
Para onde vais...
Sem eu poder ficar?
Sandro Paschoal Nogueira
