Memórias
Tem gente que é tão íntima da gente que não tem dia nem hora pra chegar: chega à noite, senta-se à mesa do jantar e compartilha conosco a solidão gratificante desse instante.
Tem gente que chega com o balanço vagaroso de uma rede e ali fica no vai e vem preguiçoso das nossas mais doces lembranças.
Tem gente que chega com o silêncio nostálgico de um pôr do sol e debruçada na janela do olhar nosso, mistura-se às cores do crepúsculo.
Tem gente que chega com o cheiro leve de jasmim que invade as noites de luar e nos conduz até os sonhos mais bonitos.
Tem gente que chega com o cheiro bom de maresia, com o som melodioso das brancas ondas quebrando mansas nos rochedos, com a coreografia das gaivotas beijando a espuma prateada do azul mar.
Tem gente que chega com as manhãs ensolaradas de domingo e divide conosco esse prazer dominical, o calor mágico desse instante.
Tem gente que chega com campasso ritimado da nossa música preferida, se mistura às suas notas, tira nosso coração pra dançar e com ele valsa pelo salão iluminado das memórias.
Tem gente que desde sempre a gente ama, e vai amar eternamente na saudade, não só dessa, mas de todas as nossas vidas, porque estão tão intrinsecamente em nós que não sabemos onde terminam e onde começa nós.
Borboleta é uma palavra com asas que me remete à longos vôos à infância.
Acho que esqueci minhas asinhas em uma daquelas tardes perfumadas pelos ventos que traziam o cheiro das flores, prenunciando a primavera. Era ali no meio das flores que eu me embriagada com o olor primaveril e o canto nostálgico dos pássaros, que eu ensaiava a coreografia dos vôos ao lado de borboletas miúdas que vinham dorminhar nos jasmineiros floridos que eu cultivava na inocência do meu olhar de menina.
Há só UMA VIDA para muitos corações. Há só UM CAMINHO para muitas multidões; mas cada passo tem a sua identidade, cada escolha tem a sua realidade, e assim, a gente vive deixando nossas marcas... E a vida continua colecionando histórias. Há o João que aproveita cada emoção, o José que nem sempre está de pé, por cair demais... E assim, a vida vai seguindo, e nós existindo, depois nos tornamos memórias, e A VIDA fica para quem chegar.
Minha mente meio tórpida balança entre o agora e o talvez, absorvendo possibilidades que quase parecem lembranças de tão intensas sensações que experimenta.
Meu ser meio adormecido, tenta agarrar-se a dolorosas ilusões que aos poucos se desfazem e escapam feito poeira passando por entre os dedos.
Minha mente, agora lucida, castiga-me com memórias forjadas, desejos inalcançáveis e abre reais feridas.
Meu ser já tão cansado, entorpece-se mais uma vez e minha mente volta a balançar.
Os momentos são resultados, o que lhes dá valia e estima são os fatos que levam até eles.- O Homem Sem Memórias
Eu não sei o quanto durou, se foram minutos, segundos, anos ou milênios. O tempo é uma forma de delimitar tudo, mas naquele não o permitiria fazer isso. Pois nós éramos atemporais. - O Homem Sem Memórias
Mas, como sempre, as dúvidas me atormentavam num mundaréu de temores ocultos, que eu nunca consigo me desviar.
E, quando seus dedos sedosos e macios foram sentidos, uma orquestra pareceu estar dentro de mim, e o meu coração bateu mais forte. Minha respiração ficou pesada e minha boca, seca. Mas o pior de tudo: eu não consegui dizer nada. - O Homem Sem Memória
Deseje momentos que você gostaria de viver várias vezes, que você possa eternizar suas melhores memórias, e que o tempo perdoe as memórias ruins.
Em mil novecentos e antigamente...
Projetei-me!
Sai calmamente e consciente...
Desci as escadas...
Era cedo!
Chegando lá, sabia que não precisava de chaves.
Pois me projetei!
Fui ao seu quarto simplesmente fiquei o observando.
Não me contive e cheguei mais perto...
Você estava num sono tão profundo...
Eu me aproximei e o beijei...
Você sorriu! E me olhava com tanta ternura...
Sem noção, deve ter achado que era sonho.
Foram segundos!
Mas era real!
Eu me projetei! Conscientemente!
quebraram-se as nuvens, o chão ficou molhado de giestas, imóveis os pássaros no vidro quebrado dos meus olhos permanecem ainda na memória d'outras primaveras...
Hoje é o melhor dia da minha vida.....
Estive procurando o amor em todo o lado, na lua cheia,
Nos sussurros do vento, no brilho das estrelas, no fluir da água, nas partes rochosas da terra.
Durante muito tempo eu estava procurando o amor, em cavernas escuras, em prados cheios de luz, Nas folhas das árvores ao cair, no brilho dos olhos, nas gargalhadas,
Nas melodias e não pude encontrá-lo,
Então decidi pesquisar um pouco mais perto,
Em minhas mais belas memórias, nas ações mais puras,
Nos meus olhos, meu sorriso, no meu cabelo, na minha forma de ser.
Então hoje o encontrei, o amor está no meu coração e embora pareça algo lógico,
Para mim foi totalmente novo porque descobri que o amor que estava procurando
Não poderia encontrá-lo, nem no mundo, nem nas pessoas,
O amor que estava procurando era o que estava em meu coração,
Muitos costumam dizer amor próprio,
Mas eu decidi chamá-lo de reconhecimento das cores de minha alma.
Lembra?
O que eu vi ou lembro é apenas meu.
Por isso, a história difere para cada um
E as minhas memórias não são as suas.
O amanhã chegou,acordar é a parte mais dolorosa do meu dia,instintivamente estendo o braço para o outro lado da cama procurando o teu corpo,mas tu não fazes mais parte do meu mundo,tudo o que eu encontro são memórias, não estás mais aqui,não fisicamente mas no meu pensamento o que nós fomos ainda permanece vivo.
Michael Hayssus, Diário De Uma Traição
