Memória de Elefante
Gosto muito de não registrar os acontecimentos da minha vida (não escrevo diários, não tiro muitas fotos) para poder recriá-los mais tarde nas minhas ficções com toda a liberdade, sem me preocupar com como realmente aconteceram, mas como me lembro deles. Eu realmente não me importo com a realidade dos eventos, mas como os vivi ou os senti.
A composição da água é parte oxigênio, parte hidrogênio, dizem, mas não sabem que é também parte memória. Cada pequeno evento em bilhões de anos ficou gravado em mim, desde os ruídos das arqueias flutuando solitárias em um mundo muito antigo até a primeira vez que um submarino tripulado chegou ao ponto mais fundo do oceano.
Afinal, as lembranças eram criaturas fantásticas - elas se erguiam com o mais leve sopro de alimento.
As lembranças no papel
podem sofrer contratempo,
amarelam ou se rasgam,
caem no esquecimento,
mas no peito essas memórias
não se apagam da história,
se eternizam pelo tempo.
Esperança, uma palavra que faz sentido
enquanto somos criança.
Quando amadurecemos, percebemos que a vida não é o que parece.
A gente cresce e se esquece de sonhar os sonhos da infância.
Conforme o tempo passa, tornam-se uma vaga lembrança.
Como retratos antigos nas prateleiras da memória.
Hoje, um conto remoto nos meus livros de estória.
De um passado distante, um caminho sem volta.
E agora? Apenas espero,
apenas espero, o agora.
Dos dias vividos, a intensidade e placidez dos que conquistaram as nossas gargalhadas são as que se entrelaçam à memória, sobrevivendo às pessoas e ao tempo.
Olhar aquela noite em perspectiva era quase melhor do que vivê-la pela primeira vez, porque o tempo não passava rápido demais e fugia ao controle, eu não precisava me preocupar com o papel e não me deixava distrair pelas dúvidas, porque sabia o que aconteceria no fim das contas. Revivi aquilo tantas noites que tudo deve ter acontecido apenas para que eu pudesse reviver depois.
Já passou por mim pessoas que marcaram e nunca esqueci, pessoas que não lembro sequer o nome e pessoas que ficaram e dão sentido a minha vida. Eu também já passei pela vida de muitos. Hoje não quero ser somente uma passagem, quero ser uma memória, uma lembrança de alguém que fez o melhor através de palavras, ações e obras. E isso é que chamo de legado!
Insta: @elidajeronimo
A imagem do seu rosto, com um sorriso estranhamente imperfeito e olhos de esmeralda me atormentaram o resto do dia.
As pessoas que não passaram por nada adoram contar histórias, enquanto as que passaram por muita coisa de repente não têm mais histórias para contar.
Novamente corrompido pela abstinência daqueles momentos. Novamente inebriado pelo velho e precoce estímulo jovem. Novamente velho.
Os buracos do asfalto que eu passo, me lembram as decepções que eu chamei de amor. Dentro deles, esfarela a poeira daquilo que um dia nutriu vida. Terra. Íngreme de viver.
Afastei a gata,
Reposicionei o tapete,
Afofei as almofadas e deitei na rede.
Seu balanço me levou ao meu:
Ando temendo sentir ou de tanto sentir passei a temer?
O balanço parou , omeu também.
Achei que não tinha entendido nada e nem sentido nada também.
Trouxe de volta a gata e a reposicionei ali, no lugar de origem.
Ela não quis mais, saiu. Foi deitar lá na almofada que eu afofei.
E então eu entendi:
Depois que o formato ou composição é alterado,
as coisas nunca mais voltam a ser como eram, se ressignificam.
Existe sim o temor, mas a gente busca um outro lugar, outro formato e
outro desconhecido pra sentir de novo.
Aguei então as plantas.
Me veio o cheiro do quintal de vó. Passei um café pra acolher tudo aquilo, que eu voltei a sentir depois do cheiro do quintal da minha vó.
Olhando pro nada e sentindo tudo, tomei meu café imaginando os estalos e o cheiro da lenha queimando no forno, se preparando pra receber as fornadas de biscoito e pão que ela fazia.
Não era imaginação. De fato o cigarro aceso tinha caído no tapete, levantando fumaça e deixando nele a marca do dia, em que eu voltei a sentir.
"Como o poderia eu saber, aliás, pois que além dos nossos corpos agora separados, nada nos ligava, nada nos lembrava um do outro"
Durante anos, tive apenas raiva, uma enorme raiva que sentia até fisicamente e à qual atribuí tudo de ruim na minha vida...
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