Meio
Uma civilização que iniciou e prosperou usando a matemática, astronomia, aprendeu com a Terra, a natureza, usou a agricultura e a pecuária está a beira de uma destruição eminente e pré-datada, onde não se olha mais para a matemática e astronomia como antes; onde o próprio lar onde pisamos foi esquecido.
Eu olhei para todas aquelas palavras saindo da minha boca e tudo me parecia familiar. Cada palavra. Cada uma delas. Foi aí que me dei conta de que já as havia escutado antes. Eram todas suas. Te pertenciam. Todas aquelas palavras que quebraram meu espírito estavam quebrando o espírito de outra pessoa agora.
Temos de continuamente parir nossos pensamentos em meio a nossa dor, dando-lhes maternalmente todo sangue, coração, fogo, prazer, paixão , tormento, consciência, destino e fatalidade que há em nós.
(In A Gaia Ciência)
No percurso da vida é natural se contradizer em várias ocasiões para entender que o equilíbrio é estar no meio.
PINGOS D’ÁGUA DA CHUVA
(Gleidson Melo)
Um, dois, três... Milhares de pingos d’água. Assim é a chuva. Suave, acalma e traz a tranquilidade necessária ao bem-estar.
Conforto para os corações apaixonados pela vida. Num cantinho especial e reservado, somente para contemplação da natureza: sozinho, sentado e sentindo o cheiro de terra molhada.
Cai em forma de chuvisco, fazendo barulho no telhado. Lava as calçadas e molha os campos verdejantes. Enche os rios, os riachos e escorre nos vales. A vida acontece. Na beira do lago, dá um sentido todo especial ao momento e traz a felicidade.
Os pensamentos repousam na calmaria, enquanto dezenas, centenas, milhares... Incontáveis pingos proporcionam a paz e “faz chover”.
Primeiro,
Nos vendem sonhos
Nos vendem amores
Nos vendem a liberdade.
Depois,
Nos tiram sonhos
Nos tiram amores
Nos tiram a liberdade.
No resumo,
Você vive pra se encaixar nesse sistema.
~ ou ~
Você vive pra destruir esse sistema.
No fim,
Você não vive, só fim.
Sendo consumido pelo segredo
Perdendo forças pra lutar
Perdendo a vontade de agir,
deixando tudo assim.
A morte de Bento Rodrigues
O que eu posso fazer é um poema,
Já que o meu dilema
Ninguém vai escutar.
A lama lambeu Mariana
E numa atitude insana
Passou também a vomitar.
Ficou tudo dejetado
Que até o meu compadre
Veio a se afogar...
Pobre de Bento Rodrigues
Que morreu soterrado
Na Barragem do Fundão.
O culpado, segundo atestado
Foi um tal de Samarco
Que fazia a exploração...
Agora ficou complicado
Pois até em Espírito Santo
Essa lama chegou.
Tudo foi contaminado
Pelo pior dos pecados
Que é a ganância
Desse povo explorador.
Leandro Flores
BH, 09/11/2015
*Em solidariedade as vítimas no desastre ambiental em Mariana-MG.
Em meio a multidão apenas uma me chamou atenção, ela tinha um rostinho lindo e sereno, um olhar safado e curioso ao mesmo tempo. Um sorriso único, (porém metálico), também havia um jeitinho livre, solto, desenrolado que me cativava ainda mais, haveria também um jeito estranho de se comunicar, entre tapas e beliscões. Não sei ao certo mais só precisou dessas características estranhas para que eu pudesse me apaixonar.
Cada árvore derrubada é um corte no coração do mundo, veja a plenitude das cementes implorando por um destinado rumo
