Medo de Falar
Quando tenho que decidir sobre alguma coisa difícil, questiono-me sempre, por onde tenho medo de ir! E depois, vou por aí ...
Vou por onde o meu medo me levar ...
Porque os medos são fantasmas do Passado, sem rosto, que nos "travam" o viver! Fantasmas que devem ser exorcizados.
Alguém me perguntou:
... e você não têm medo da escuridão?!
Respondi:
Não porque os meandros da minha solidão são mais densos que a própria escuridão!
Bem - aventurados aqueles que, tendo medo, vão em frente, porque deles será, a coragem, a vontade é a força de viver!
Tenho mais medo da vida que da morte. Pois na morte é aonde tudo se acaba. E a vida é onde tudo pode acontecer.
Se quer ser feliz tem que aprender a perder o medo e não deixar que o passado sofrido te atormente e te impeça de dar o primeiro passo!
ALVORECER
Já tive muito medo de adormecer e
não amanhecer
Já chorei muito por não conseguir
certas coisas entender
Já me decepcionei com pessoas que
não souberem me reconhecer
Já caí tantas vezes e achei que
não fosse mais me reerguer
Já me perdi muito dentro de mim por
tantas vezes me esquecer
Já amei demais e até adoeci por quem
não quis comigo alvorecer
Já me doei ao ponto de nada
em troca receber ...
Mas eu amanheci
Mas eu entendi
Mas eu reconheci
Mas eu me reergui
Mas eu me encontrei
Mas eu alvoreci
Mas eu percebi ...
Que minha felicidade não dependia de nada e
nem de ninguém
Somente do profundo de mim.
Ah... Só de mim!
Vejo a arte como um finíssimo cristal! Tenho medo até de respirar perto dela, e toda beleza estilhaçar-se no chão. Então, calo-me!
FIM DA VOLTA (soneto)
E pelo cerrado eu fui, prosseguia
No coração só saudades e medo
No olhar lembranças em segredo
O vento pálido em prece reluzia
Longínquo o horizonte, romaria
Espesso e truncado o arvoredo
Rasteiro, estava mudo e quedo
Nenhum pio ao derredor ouvia
Parca aragem, alma em degredo
Ferindo-me no silêncio aí eu ia
No peito a dor velava o enredo
Fim da volta, para ti eu partia
As mãos tomando-me um aedo
Tive que aprender nova alegria...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Fevereiro de 2017
Cerrado goiano
TANTOS AIS...
Correntes se arrastam, Madrugada à fora
Seria uma aparição?Tremor de medo...
O bater das asas do corvo? Lenora...?
Não. Este lamuriar possui outro enredo...
É uma angústia que aperta o peito.Dorida!
Seca a garganta na solidão que ensandece
Treme a carne. Titubeia, vã, a alma sofrida
Na ausência do amor, tudo que é flor, perece.
É a saudades que grita memórias mortas...
Dos tempos que o beijo acariciava o rosto
A caos na cerne adentra. Fechem as portas!
E de que há de servir o trancar dos umbrais?
Se aquilo que destroça já alojou-se na alma?
Ajam, Deus, auroras para tanta dor. Tantos ais.
O TEMPO QUE FOR.
As emoções duram enquanto duram
as alegrias, as dores, o medo.
São sentimentos e vão durar
o tempo que for necessário
ou o tempo que você achar necessário.
Reflexão
Sabemos que todos nos vamos morrer,mas todos fugimos do assunto.Medo ?
Quando se vive em crise,ou derrotado,sem dinheiro e endividado,falamos muito de vida sem saber muito dela,na dificuldade vemos realmente quem somos,por onde andamos e o que achamos.
MEDO
Ando apressadamente
Ligeiramente...
Rapidamente...
Ouço vozes...
Sussurros, murmúrios...
Altos, baixos...
Roucos, suaves, estridentes, maledicentes...
Risonhos, melancólicos...
Tristes, alegres...
Esperançosos, lamentosos...
Queixosos...
Caluniosos...
Como um caleidoscópio de sons.
Elas se emaranham na minha mente.
Sufocam meu tímpano.
E gritam no meu ouvido.
Ressoam, retumbam, propagam, reverbera por todo meu ser.
Me sufocam, me agridem, aterrorizam.
Apresso o passo...Tento fugir...
Estou cercada, cercada por uma imensa e sufocante multidão...
Mas estou só, sozinha...
Isolada numa ilha cercada por multidões.
Olho cada pessoa desta multidão...
São tantos rostos...
Desconhecidos...Conhecidos...
Mas estou só...
Completamente só... Sozinha.
Me abraço...Me aqueço...Me sinto
Sinto a dor...
Ela vem forte...
Em imensas ondas...
Devastando meu ser...
Me perco nesta insana música destes vozerios.
Me maltrato, me resguardo, me domino, me aquieto.
Olho pros lados, cercada, cercada e acorrentada pelos meus medos.
Temores que me aprisiona.
Aflições que me algema.
Sozinha, sozinha e prisioneira.
Sinto um grito angustiante e apavorante emanar de dentro do meu ser.
Minha alma grita e emiti sua libertação.
Deixo a fera que existe em mim...
Se soltar...
Dominar, invadir...
Me liberto...
Liberto do medo, da angústia, das aflições.
Agora ando sem medo.
Theo Lanusa
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