Mãos
Ainda que ousem calar minha voz, a minha mente barulhenta protestará,e minhas mãos inquietas escreverão verdades nos muros do tempo.
- Você pode me fazer um "pavor"? - Claro que sim, respondeu, estendendo-me as duas mãos. Uma para me ajudar e outra para me cobrar!
Essa merda de sentir...
Sentir o que os meus olhos veem e o que não veem
O que minhas mãos tocam ou não
O que meu olfato fareja com ou sem máscaras
O que meus ouvidos ouvem e até o que nunca disseram
O que a mim compete
O que a mim não deveria interessar
O que a mim compelem
O que a mim nem chega.
Essa merda de sentir...
Sentir a solidão das massas, a morte de um desconhecido entre milhares, a milhares de quilômetros de mim
Sentir a indecência de quem não se importa sequer com o possível perigo aos teus
Sentir medo pelo próprio País
Sentir medo para além de todas as fronteiras, imagináveis ou não
Que merda é essa de só sentir a impotência de sentir, sentir, sentir?
Que porra é essa de sentir tudo ao extremo assim?
Que porra é essa de ter fugido da insensibilidade para depois ser outra vez a esponja de não só o que me fazia insensível, como se um castigo fosse?
Se bem que justiça seja feita, pra quem já não andava a sentir quase nada, talvez essa tenha sido a forma como a vida encontrou para dizer-me mais uma vez que o controle nunca esteve em minhas mãos.
Mas estás a pegar pesado demais, vida!
Ah se estás!
Estás a matar rápido demais, corona vírus, inclusive a esperança!
Estás, estás...
"Ei, se desprenda! Você segura essa corda com tanta força, suas mãos estão sangrando. Você precisa aceitar a hora de soltar isso." Ela disse, com a rigidez necessária para a mensagem perpetrar. Desistir não era do feitio dele, mas ainda não havia aprendido que o peso do mundo devia ser carregado por Atlas e mais ninguém. "Eu tô muito cansado. De andar e andar e só chegar em lugar nenhum. Um amor não se guarda para si, mas parece que são mais reais na minha mente, do que possíveis no mundo real." Ela o compreendia, a maldade do mundo é o que o fazia girar. Desde os grandes que esmagavam os pequenos, até os sonhos que jamais saíram do imaginário.
A conversa seguiu com um forte abraço. A linguagem universal da compreensão e do carinho. "A noite é realmente mais escura, pouco antes de amanhecer. Transforma teu sentimento em poesia, tem gente lá fora que se sente feliz por não ser a única a passar por coisas assim. De certa forma, não estamos sós." Disse ela, levantando-se e despedindo-se.
As palavras não estão vivas. Em mim não encontram morada, das minhas mãos não saltam ao papel.
As palavras estão fugindo, em êxodo da minha própria mente.
O que era inspiração agora é passado, velado e relutantemente esquecido.
Se para o cientista, o gosto está na descoberta, para o poeta, está na moça que vai e que volta. Quando ela não volta, a tinta da caneta seca, a mente não produz, e o poeta se torna uma estátua de sal.
Olha, nem sempre o amor é o destino andam de mãos dadas. É possível que você já tenha visto o amor de perto, imaginado que seu destino seria com ele, e no fim não aconteceu." Ela não sabia o que pensar, as palavras do rapaz ecoaram em seus ouvidos, nada dispersas, objetivas e profundas. "O que eu deveria pensar? Ou fazer?", disse ela.
"Não sei. As pessoas vivem amores épicos, coisas que parecem amor, paixões, e toma para si o risco da decepção. Eu não sei se desperto qualquer um desses sentimentos em você, mas espero que quando você parar de correr, se cansar ou coisa do tipo, eu seja o seu destino."
As palavras dele chegaram sem rodeios ou avisos prévios. Ela passou o cabelo por trás da orelha e sorriu, revelando o largo passo daquele gesto.
Verticalmente de braços abertos
Pensamentos podres e indigestos
Mãos, martelos e pregos.
Olhos sedentos e cegos
Cumprindo a ordem que estava em suas mãos
Soldados com ou sem compaixão
Não tripudiaram em executar a missão
Mantendo a decisão da crucificação
Maria, mãe das dores.
Gritos, pedidos e clamores.
Sete mil foram suas dores
Ao presenciar aqueles horrores
Longinus, o soldado, com um golpe direto.
Cravou o coração no lugar certo
Do homem que horizontalmente
Estava de braços abertos
O sangue que lhe respingou
Seus olhos, curou!
Sua vida transformou
A fé cristã lhe contagiou
Braços abertos em qualquer direção
Estendo-lhe as mãos
Pois quem o condenou e crucificou
Foi quem os braços, cruzou!
Sentir
Pensei que não sentiria mais calafrios, estômago borbulhando e nem veria minhas mãos suarem.
Um coração machucado, não se recupera tão rápido, por mais que cicatrize, sempre haverão marcas.
Entretanto, em um dia qualquer, segura de mim, eu o vi. Cabelos pretos e um olhar que penetrou minha alma, minha razão pedia calma, impossível!!
Parecia que já o conhecia e, com certeza, meu coração já o queria.
Lábios carnudos, um sorriso encantador, gestos de gentileza, uma verdadeira mistura de sons e poesia, talvez o que ali eu não sabia, era que se tornaria amor.
Mesmo no sol, na chuva, no frio, é calor, vigor, um verdadeiro primor. Sinto meu corpo em cada detalhe, estremecendo em cada toque que me enaltecem cada sensação de paixão.
Errou tanto, trocou os pés pelas mãos, que o orgulho virou direção, e agora vai até o fim, com dor, remorso e insensatez triste
"Um bom punhado de unção e uma fé ousada sempre caminham de mãos dadas com uma intercessão constante."
Ergui sonhos e afeições como castelos de bruma, mas nada se prendeu às minhas mãos. No silêncio desse desvelo, acolhi minha essência, o pulso livre de uma luz que sempre foi só minha, pois, não posso sentir falta do que nunca foi meu.
Num canto repousa um violão silenciado, ansiando por mãos que o façam lembrar do que é ser música. Eu, a poucos metros dele, também espero: que alguém me toque com a mesma delicadeza que se dedica a um som prestes a nascer.
Sim! A pétala foi arrancada, mas perfumou as mãos que interrompeu sua vida. Pq tudo que Deus faz é perfeito!
JOSEFINA
Matriarca, raiz que o tempo não arrancou,
hoje repousa no infinito.
Nas mãos do vento, espalha-se em nós,
semente eterna de força e memória.
O ciclo não cessa, transforma.
Ela é agora o sussurro das árvores,
o abraço do sol, o silêncio que acalma.
Uma partida que não é fim,
mas caminho que floresce em outros.
(Minha vó te amarei nas palavras e nas memórias 🤍 Saudades eternas!)
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- Poema de Mãos
