Mais que uma Mao Estendida

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Leves
Como pétalas ao vento
No mais preciso momento
Em que o vento leve
A um suave soprar
Se atreve
E quando a gente o percebe
Parece que está recebendo
Mensagem de pensamento
Advindo de uma brisa
Exatamente
Quando aquilo que mais precisa
É que o vento só leve
De volta, de leve e depressa
Alguma resposta
Qual fosse uma prece
E contasse pra Deus
Sobre sonhos e lembranças
A parecerem esquecidos
Mas que ainda estão guardados
No meu cântaro perdido
E são meus
Diferindo-se, enfim
Queria eu que fossem
Como prantos de pássaros
Que pelo vento enveredavam
Adentrando pelas janelas
Elas, que a tantos sorviam
Mas, que mesmo assim
Permaneciam como sendo
Cantares de passarinhos
Pois é assim
Que homens iletrados
Sozinhos
E simples, iguais a mim
Os conhecem
Enquanto o pássaro, feliz
De lado a lado, cruza o Céu.
Por vontade de Deus, se esquecem
Sem razão pra viver, ele voa
Esquecidos da dor que doía
Pra que a dor não lhes doa outro dia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Andando pra sempre sozinho
E agindo pra sempre
Como se eu fosse sempre
Muito mais que um
Obedecendo a lei que determina
Que o dia termina pra sempre
E que indeterminadamente
Sempre há de nascer mais um
E se juntar pra sempre o hoje
Com todos os outros
Que nasceram antes de anteontem
Não tenho nenhum
Eu venho de lugar distante
Que fica adiante de onde nasce a Lua
Mas como sempre o mundo gira
A Lua queimou numa pira
Perdida na esquina que vira
Desce a rua e chega
Em frente à colina
Onde a noite termina e sempre nasce o Sol
Mas esse Sol também se despede
E o tempo concede mais um dia
E mais um e mais um
E eu
Andando pra sempre sozinho
E agindo pra sempre
Como se fosse eu pra sempre
Sempre mais que um.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Que a alegria do mundo venha
E que tenha o aroma
Do vinho mais puro
E a cor da luz do Sol
Se essa branca luz
A taça atravessa
Mesmo que o mundo a beba
E permaneça escuro e cego
e não perceba-lhe o cromo
Amor, aroma, o odor, a presença
E desconheça a dor que me causa a sua ausência
Eu só peço à alegria que o faça
E se ela tiver tempo pra fazê-lo
Lhe lanço ainda, outro apelo ...enfim:
Se possível e por favor
Eu lhe peço que venha linda
E que tenha pressa
De depressa juntar-se a mim.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"mas logo desapareceu e não mais existia;
embora eu o procurasse,
não pôde ser encontrado."

Salmos 36;37

Inserida por edsonricardopaiva

"O tempo é o mais sincero dos amores"

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Difícil!
E tem sido a cada dia
Mais difícil vislumbrar
Vida inteligente nesta vida
Salvo parcos resquícios
De quem queira ver
E quando olhar no espelho
Iníquo
Ver-se
Tendo em vista
Ser todo sentido da vida
Avesso a qualquer conquista
Pois a lista de batalhas a vencer-se
Resume-se a si mesmo
Porque é este o motivo de estar aqui
E vivo
Porquanto é o mais duro oponente
O próprio orgulho
Que uma vez vencido
Por si mesmo
O ego
Fatalmente haverá perdido
Anular-se
Sem jamais aniquilar-se por completo
Vida, batalha perdida
Uma vez que se perdeu
Vencida
Porém
Conforme o poema discorria
Por um momento observou-se
Inócuo
A quantidade de pronomes oblíquos
Em detrimento aos do caso reto
Nem mesmo o poema
Tampouco o poeta
O dito pelo não dito
Movimento inerte
Inertes qual suas conquistas
Contemplando seus espelhos
Sem jamais serem vistos.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Sobe
lá no alto
Da melhor lembrança
Que tiver da vida
Mira-te
No mais claro e cristalino espelho
Busca calmamente
E responde a justa verdade
Pra teu coração somente
Enquanto a verdade é ainda oculta
Busca
Como no acalmar da lua
Quando a lua
Encara o mar sereno
Com o seu mais puro e pleno olhar
Se acaso desencontrar
Sobe mais no alto ainda
Relembra como era linda
A esperança
De uma hora poder ir até lá
No alto da melhor lembrança
E encontrar somente
Espelhos claros
Pra teu coração poder se olhar
Num difícil e mero olhar sincero
As flores partem junto à primavera
Impossível é negar-te eternamente
Pois a vida não é como o mundo a vê
O mundo é como a vida o vê
E nenhum dos dois é dono da razão
Diferente é a busca
Então
Se em algum momento
Não consegues mais admirar-te
E se vir somente
Olhos vermelhos de um tristonho olhar
Desça
Retome o caminho
E o refaça
Enquanto existe em ti
Ainda um traço de esperança
De modo a não guardar apenas
A lembrança de jardins distantes
Pequenas flores que sequer colheste
Percebe agora que viveste
Porém
Sem a graça da vida
Constantemente oculta
Dentro de você
Que nenhum caminho te mostrou
Há uma semente seca e morta
Escondida no mirar
O olhar que teu olhar não olha
Uma flor que teu chover não molha
O nome dela é alegria
E que apesar de morta
Morre e morre novamente
Todo dia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Fim
Mais um fim
Que apesar de o chamarmos assim
Diferente das ilusões
Às quais nós tanto nos acostumamos
Ainda não acabou pra gente
Pois a vida ainda segue em frente
Nem muito linda
Tampouco eternamente triste
É só a vida que a gente tem
Indiferente à nossa vontade, ela existe
Enfim
Mesmo se a gente não sorrir do jeito que queria
Que jamais percamos a alegria de seguir tentando
Viver é preciso
E um sorriso verdadeiro
Vai surgir de vez em quando
Pois que a gente tenha a força de viver
Esse nosso querer diário
De constantes quereres, se assim quiseres
Eles, o Universo sempre os enviou, diariamente
Indiferente ao calendário
A vida permanece
Não que a vida seja feita de vontades
Mas são elas que nos fazem levantar da cama, todo dia
Não em busca de alegria
Nem jamais em busca do querer
Porém, buscando serenidade em reconhecer
Lá no fundo do coração
A alegria de só saber
O que realmente quer, enfim
Com a mais linda e sincera vontade
O raro que se busca, não é forjado em ouro
Mas na simplicidade relegada, deixada de lado
Esquecida
E o brilho do ouro a ofusca
Pois que o mundo aprenda
A desvendar a essa busca, tão prosaica
Resumida em não e sim
Antes do fim.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Depois de tudo
Há sempre alguma coisa a mais
E depois de tudo a mais que veio
Ainda tem algo esquecido lá, depois que acaba
O mundo desaba, mas ainda não é o fim
A gente é que chama assim
Pra poder dar nome às coisas
Cuja palavra não criou-se ainda
A febre insana da semana passada
O desejo que virá
Lá pelo meio do ano que vem
Um beijo na estrela que está distante
Se nem o beijo e nem a estrela, muito menos a distancia
Nunca foram de verdade
É só uma vontade boba e sem importância que a gente tem
É só uma sombra que os olhos fazem
Uma espécie de arroubo, nada importante
Um querer de quem nem quer de verdade
Mas que vem, quando se vive
E eu os tive todos
Pois a vida é feita de sentir vontades
E não de fazê-las
Só lá pelas tantas é que vê
Quanta gente vive sem saber viver
Vive a vida de querer, mas acaba louca e infeliz
Pois a vontade de saber querer
É uma das poucas que nunca quis ter.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Quando a vida não dói mais.


"Às vezes vem sonhos ruins
A gente se assusta e se acorda
Mas, se não se recorda de sonhos assim
Não tem nada que nos faça
Ver a graça da chuva que te surpreende
Recordar-se da pedra, onde um dia tropeçou
Numa queda que te feriu.
Até mesmo na doença lá da infância
E de todas as distâncias que venceu
Nessa fase, onde tudo se ajusta
E você só vai vivendo a própria vida
Se não existe mais risada ou quase riso
Você deixa de ver graça em sonho bom também
Quando a gente se esquece e nem pensa
Em todo aquele medo que sentiu do escuro
Todo dia acorda
Porém, só se sente apressado...atrasado
E nem agradece à bênção da claridade
O pássaro voando é só uma ave que passa
Não enxerga mais a paz do voo, tanto faz.
Não existe mais mistério em nada
Não existe mais vontade de sorvete lá na praça
Nem mentira e nem verdade
Não há flecha que te atinja e nem te fira
Nesse duro coração vazio, fortalecido pela vida
Tanto faz ir ou ficar
Calor ou frio
Esqueceu-se da alegria
Quando, um dia era tão bom poder sair para brincar
À exceção daquilo que se enxerga
Não existe mais magia em nada...ela existia.
Mas o mundo tornou-te igual a mim."

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Me lembro quando em criança
Voar num barranco gramado, morro abaixo
Acho que nunca mais voei tão alto
Recordo de olhar pros lados:
Nada, nem ninguém
E eu era bem feliz assim
Se minha vida visse o brilho nos meus olhos
Quando eu lembro dela
Talvez ainda fosse aquela amiga
Quem sabe, ela pensasse em mim também
Me lembro de noites escuras
Eu acho que venci meus medos
Descendo lá, desde as estrelas, infinito abaixo
A partir de então, nada foi tão claro e tão bonito
Quanto subir novamente...e correndo
Nada nunca me fez ficar lá, desistir
Quando olhei pros lados
Nada, nem ninguém
Tudo bem, pois a vida é assim
Mas há dias em que eu quase rio também
Onde as tardes são lilazes
Se a vida me pudesse ver
Diria que eu pareço ser feliz ainda
Nos momentos que eu olho pra ela
Vida, aquela velha amiga que virou-me as costas
Me deixou lá embaixo
Nem viu que eu subi novamente
E contente
Tanto eu corri nesta vida
Acho que fui mais além
Quando a vida me procura e olha pros lados
Nada, nem ninguém.


Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠"Passarinho, fim de tarde
Pensamento, Sol que ardia
Finda o dia, nunca é mais um dia
Há um só momento, uma hora boa

O gosto de voar contigo assim
Breve instante em que eu te olho
E vejo em meu pensar à toa
Qual se fosse um passarinho

Eu trouxe o meu sorriso pra mostrar
Você nem viu, não veio
Não existe olhar que alcance

Passarinho foi-se embora
O olhar ao longe chora, ecoa
Pensamento não se cansa, voa. "


Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠"Há dias
Em que aquela chuva
Que se toma com alegria
Chega a ser bem mais concreta
Que a fortuna bem arquitetada
Pois essa, sem amor
Não vale nada."

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Você nunca mais poderá estar lá
Mesmo estando nas quaresmas
As mesmas coloridas
Granulosas, do início das nossas vidas
Hoje surge um novo Sol
Sendo ainda o velho Sol de sempre
Daquela hora linda, mas que a gente esquece
Quando Deus criou o acaso
E a semente germinou num vaso
Como coisa que acontece
Como talvez nunca mais
Nem natais, nem carnavais
Dois dias iguais na semana
Pensamento que perdura
De um momento que se nega
e que nunca acontece
Uma rede de pescar, correnteza levou
Deixando a saudade de olhar
Que de olhar se via
Eram horas iguais no mesmo dia
Onde eu estava e pra sempre vou estar
Fica a escassez de detalhes a esbanjar riqueza
Pra sempre estaremos ausentes
Fica aqui a dor que se sente e pela qual se vive
Igual a tudo que se foi
Mesmo sem jamais ter sido.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Penso em amigos
Aqueles desconhecidos
Que nos são às vezes próximos
E que conhecemos mais que a nós
Porque somos como as andorinhas
Que não voam sós
Mas só nós, que temos corações vazios
Como os céus matinais, que são só azuis
Azuis de tão vazios, frios, claros, sombrios
Caros amigos distantes
Que cruzam o céu do pensamento
Como andorinhas que cruzam a azul por momentos
Eu nem sabia que podiam voar tão alto assim
Quem sabe a gente se encontre
Lá no fim do caminho profundo
Nos fundos desse claro infinito
Vazio, infinito e azul crescente
Num traço descendente e meridional
Onde não existe espaço para o vazio da solidão
Vidas tristes, amiúde
Olhos rudes, apertados, mirando uma linha
Eu não sabia que voassem tão alto
Mas sempre atentei para o fato
De, amigas ou não
Jamais voarem sozinhas
Quem sabe elas também não conheçam
As amigas de jornada
Mais que a si mesmas
Sobre quem não sabem nada.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Não me lembro bem que ano era
Tem bem mais que muito tempo
Era só mais outra primavera
Mas setembro tem o dom dessa saudade
Tinha um sapo que cantava à toa
Sua voz tinha o som de piano ou de sanfona
E tinha a sapa, que valsava
E tinha uma canção, que vinha no vento
O sapo era tão vagabundo
Que esperava a balsa pra ganhar o mundo
E tinha a rã, com cheiro doce, de hortelã
Porém, a sapa era do mês de agosto
A marrafona era mulher sem rosto
E eu ainda era criança
Mas o tempo passa e sempre tem setembro
Trazendo essa saudade, essa lembrança
Uma coisa boa, uma verdade que é so minha
E não me lembro muito bem que ano que era
Nem qual idade que eu tinha.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu te prometo nunca mais
Te prometer mais nada
Vou te buscar detrás das nuvens
Causar-te pressa de voltar pra casa
Motivo pra essa vida
Eu te prometo:
Nunca mais vou te fazer promessa
Serei tua prece atendida
Quero ser coisa boa e boba na tua vida
Invisível, como a flor colhida
Estar em cada pequena alegria
Ser o começo e o fim do dia
No pôr do sol, no recreio
Na lembrança, o tudo que não volta
Na saudade, o todo que não veio
Porventura houvesse
Em tudo eu recomeçaria
Ser teu telhado, guarda-chuva, escudo
Encabeçar a lista da melhor lembrança
O suor que conquista
Colocar você no escrito do poema
E, se deixar-te
Deixar-te algo bonito pra dizer de nós
Estar naquele canto que ficou vazio em minha ausência
No frio que virá veloz...sem pressa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Os passos que se ouvia
Eram tanto, eram muitos
Porém, jamais suficientes
É preciso um pouco mais que isso
Não bastasse Deus aparecer num sonho
A face oculta da noite nada apagou
O compromisso ali firmado não valeu
Eram tanto, eram muitos
Eram todos do outro lado
E, se houve porventura, algum laço
Esse, há muito foi rompido
Sigo só no meu caminho
Na graça de Deus, esquecido
Foi preciso um pouco mais que eu
E muito menos de mundo
Face oculta e breu
Passos na calçada
Vozes que não mais se escuta
Uma espécie de conhecimentos
Cujos quais...careces
Casas, cujos nem telhados
De longe de vê
Lugares onde nunca estive
E nem nunca irei
Esqueça a vida e cresça
Há muito a vida esqueceu você.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Fito.

Não me lembro se chovia ou não
Era só mais um dia
Todo aquele, que anda fora do quadrado
Há de lembrar-se assim
Tinha a escada, lá no fim da rua
Um caminho sem volta
Não me lembro se pisei devagarinho ou não
Era só mais uma estrada torta
e tinha outra ao lado
Dessas, que tem muitas, era sempre assim
Sinuosa como a vida
Todo mundo pensa
Em vencer o tempo um dia
Tempo que povoa nossa fantasia
Momento e momento sem conta
Voa ao vento
Coisa boa é ver o tempo flutuando
Que, voando lento
Atento, te desmonta
Nem dá tempo de pensar
Não pense
Pise bem devagarinho a vida.
Confia no tempo, ele espera
Era ainda de manhã, bem cedo
O caminho era sem volta
Segredo, que a palavra vida abrange
Quando é a gente que flutua
Pra um lugar chamado longe
Mesmo perto
O destino põe deserto intransponível ali no meio
Pois domina a arte, essa desconhecida
De partir e repartir o tempo
O lenço, aceno, a despedida
O incompleto e o pleno
O atalho, o orvalho, o sereno, a madrugada
E, volta e meia... a vida alheia
Grasna, a gralha
Queima a ponte, o ninho, a palha
Torna sem retorno esse caminho
Mente descontente:
O morno, o incipiente que povoa a nossa fantasia
Voa ao vento a vida à toa
Flutua até a lua, beija e volta
Noite e meia, olha de longe
Luz do sol, essa que dourava a pele
Toda vez, agora agoura
Lírico empirismo
Limite do que não se vê
Se havia um fito na existência
Era do espírito
A vivência de saber ser leve
É hora de aprender, se apresse
A beleza da vida, em resumo, era essa
O tempo, em seu vagar garboso de aprumado
Não deu tempo de pensar, não pense
O tempo brumo, impiedoso
No final, te vence.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Um Lugar Chamado Nunca Mais.

Nenhum de nós jamais
Conseguiu reter pra si
Sequer a própria presença
Olhe a sua imagem refletida
Nas águas desse rio da vida
Enquanto ele evapora
E que carrega a tudo que hoje tanto preza
Ninguém jamais teve palavra que resuma
Nem desenho que descreva
O que se esconde atrás do nevoeiro
Nada, além de brumas
Até que a veja de frente
Até que seja tarde pra saber
Um dia essa melancolia leve
Vem, bem de repente
Leva embora noites de tristeza
Tardes de alegria
Pra um lugar chamado nunca mais
Por mais que se pretenda
Tudo é feito pra viver
No dia que amanhece, alegre ou triste
Não existe tempo que se prenda
O mundo é feito de algo igual ao ar que se respira
Você sempre poderá voltar e perceber
E lugar nenhum jamais terá guardado
Um pôr de sol sagrado, um dia do passado
Tudo reinicia novo e novamente
E você nunca o poderá trazer de volta
A gente é que deixou passar
Tornar-se, então, deserto e mudo
E, dessa vez, distante
Começou a deixar de ser o que era
No momento em que você deixou que fosse
Pois, na verdade, de outra forma não podia ser
Um dia terá sido sempre a última vez
Só que dessa vez
Você não terá sequer percebido
O ruído dos seus passos
Abraços perdidos
Olhos, cujos teus olhares nunca mais verão
Olhares, que de tão indiferentes
A gente não guardou nos braços, nem no coração
Passos se afastavam lentamente
Até que, então, silenciassem
Num fluxo constante, instante após instante
Lembranças de um passado que desbota
Algumas alguém lembra
Tudo mais é coisa tão desimportante
Que ninguém sequer nem nota
Nem pensa em tomar nota
Tudo é a própria imagem refletida
Nas águas do incessante rio da vida
Coisa que não se represa
Ela evapora e chora e chora
Como o ar, que se respira e se renova.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva