Mais que uma Mao Estendida

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⁠Num lugar que ainda existe
Onde nunca mais voltei
Onde eu acordo todo dia
Sem flecha apontada
Nem pra nós
Nem pela gente
Noites de fogueira
e festa e fada e bailarina
e sonhos
Todo dia era essa noite
Esse lugar havia
Mas a gente precisou buscar
Alguma coisa
Que não tinha nome
Que não tinha lá
Que estava num dia
Que não tinha nascido
Talvez fosse melhor assim
Muitas folhas vão morrer
Antes que o fruto de uma árvore
Também possa cair e apodrecer
Não por nós, nem pela gente
Faz parte de um outro ciclo
E de uma outra verdade
Não muito poética
Mas gera sementes
Numa duradoura espera
Por olhares de monge
Que não tinha nome
Que não estava lá
A procura de um tempo
Que ainda ia nascer
Que tivera de partir
de algum lugar pra onde
Nunca mais voltou, partiu pra longe
Mas pelo resto da vida
Trouxe uma velha paisagem no olhar
Onde, nela amanheceu
Até seu último dia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Quais serão teus pensamentos?

O ato de compreender
É tão ou mais importante
Que o fato de te dizer
Aquilo que no final
Parece que não foi dito
Apesar de parecer
Não equivale ao escrito
Centelha de vida
Orelha mouca
Pouco divaga, ideia vaga
Ovelha que bale, diz mais
Quais serão seus pensamentos
Creio eu, serão iguais
Se pouco puderes
Deixar os teus pés flutuarem
Ao ouvir a voz do vento
Pedir pruma estrela o desenho
Se não tenta entender
Que, apesar do alicerce
Os céus se movem
Fecha os olhos pra enxergar
A arte de menino arteiro
Em parte foi, talvez, a única
Que me creditaram por inteiro
Há muito tempo
Aquela parte
Sobre dizer o que não foi dito
Que te é ilícito
Que te não parece implícito
Que cresce como o cinzel
Que desvenda o vulto
Oculto a sorrir-te
Detrás do monólito
Num grito inaudível
Lançado ao possível
Este acorrentou-se
Aos braços do impossível
E lá permaneceu
Deus, que prescruta-lhe a alma
Bem sabe...
A ovelha que bale, diz mais.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Mais que o caminhar.

Pensar
Tirar pedaços
do espaço incompleto
Imaginar-me
Somente imaginar
Lembrar de todo faz de conta
Quando mesmo o próprio ar
Chegava a ser concreto
Em que a chuva no terraço
Era um laço com o poético
Toda espera era esperança
E que pensar na vida
Era viver sem precisar
Pensar na vida
Era somente imaginar
Sem questionar a distância de um passo
Mas a vida não era assim
Era a gente que era
E quando a chuva passa
Vem a hora da ciranda
Varanda inocente, gente rindo
A gente ria sem sequer lembrar
Tudo era graça
Era engraçado o querer esquecer
Do que nem tinha certeza
Seguir sempre e nem sempre saber
Que o caminho era importante
Mais que o caminhar até
Esse, o tempo o faz sozinho e à pé
Hoje, todo mundo tão repleto
Tudo tão completo de ares concretos
Esquecidos de pensar
Tá tudo em seu lugar, tá tudo certo
Tão certo quanto a gota d'agua
Que evapora na roseira
Quando a chuva passa
Certamente ela passa
Pois, não mais existe
Aquele lado imperfeito, poético
E todo mundo é cético a seu jeito
O velho contrato firmado
Perante o abstrato
É velho, é só isso
Vale o visto
Quem manda é a ciranda do tempo
E seu ar inocente
Um a um
Sem pensar, nos engolindo.
Lindo, veja:
Ela vem vindo!

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Feridas.

De tanto viver em descompasso
O dia é sempre um dia e nada mais
Pensar no amanhã, jamais
Sem lugar pra voltar, sem abraço
De viver eternamente
O mesmo passo a passo
Era somente a vida e o estar vivo
Era ser pra sempre
A própria ferida
Todo dia o mesmo curativo
Transpondo as pedras que surgissem
Uma a uma, passo a passo
Uma hora, nem percebe, se acostuma
As gotas de chuva na cara
A vida segue...o coração não para
Se é que a gente de vez em quando
Para e olha
As gotas de chuva na cara
Tanto faz se molha
A paz se instala
Os olhos veem, o ouvido escuta
O coração fala menos comigo a cada dia
Sem lugar pra voltar, sem abrigo ou abraço
...e sem palavra arguta
Vou pra onde o vento me levar, não ligo
Não levo um sorriso e nem lágrimas
Nem meu coração não fala mais comigo
Tanto faz, nada faço
Cada dia é sempre o dia e nada mais
Um dia a paz, ela vem e se instala
Nesse descompasso
Minh'alma se cala também
Tem um Deus, também calado
Passo a passo desse dia a dia
Pensar no amanhã, jamais
Trago meu coração em silêncio
Na ferida da vida que eu vivo
Todo dia o mesmo curativo.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Tem sempre alguma coisa.

Um dia
Mesmo o coração de olhar mais duro
Lança um olhar à estrada
Depois de muito ter partido
Porque nada a paisagem lhe diga
Quanto ao começo
Tem sempre um pedaço que fica
Esse é o preço da vida
Num mundo onde tudo é de graça
Passa tudo, passa o tempo
Passa toda e qualquer ilusão
Não mais me iludo
Mesmo o coração mais puro
Não foge a ter o olhar endurecido
Mesmo que a paisagem lhe diga tudo
Tem sempre alguma coisa que não fica
Porque nada é de graça
Um passo deixa sempre rastro
Um mastro ao longe, uma pegada
Mentira acreditada, conta que não fecha
A estrela errada que te orientou
Tem sempre alguma coisa a ser lembrada
No pouco que se traz ou deixa
Esse é o preço da vida.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Sem tempo,
Sem vida,
Sem sentidos,
Essa é a obra mais inútil da existência.

Inserida por joaoeudesdeana

E a regra da natureza é essa:

Noites mais sombrias; estrelas mais brilhantes

Inserida por joaoeudesdeana

Tão sutil e simplório é o amor que seria capaz de passar despercebido até pelos corações mais amáveis.

Inserida por joaoeudesdeana

Agora.
Depois: talvez nada mais, só silêncio.

Inserida por joaoeudesdeana

Na mais brusca e infinita matéria de um ser; existe um universo desconhecido que quer te conhecer.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠Quero ir mais além de um colorido de cores enfeitado sobre a terra, quero penetrar sua esfera
Quero ir mais além de um céu azul vestido de manjedoura, quero desavessar seus mistérios...
Quero ir mais além do infinito e da profundidade, quero possuir o território das essências, aonde olhos nenhum podem ir.

Sem choro
Sem lamento
Sem dor
Quero ir pra onde não tenha adeus e nem lembranças

Quero uma ida sem volta
Sem medir distâncias e altitudes
Quero ir aonde o limite não me alcance

Quero ir...
Apenas ir...
Deixe- me ir...
Preciso ir...

Quero ver a linha do horizonte acima do oceano a me guiar
Quero ver os raios de luzes se desprender no caos da escuridão
Quero ser o passado no presente
Quero ser o futuro no presente
Quero ser a ironia do tempo
Quero fazer o que ninguém ousou
Quero ser o que o mundo esqueceu
Quero ser o diferente dos iguais
Quero ser apenas um entre muitos
Quero a chave da minha liberdade que me roubaram
Quero ser livre
Quero ser prisioneiro de mim mesmo
Quero ser apenas eu em espírito e em verdade, e mais nada.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠A casa de Riquinho é mais fria e solitária, do que a casa de mãe Joana.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠A dor mais cruel não é a que mata, mas a que se vive no espetáculo da vida, com direito a plateia, porém sem aplausos. Quando todos os aplausos seria mais que merecido.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠⁠Quem me dirá se as lágrimas que caíram dos meus olhos eram bem mais profunda do que o oceano que me banhava?
Quem me falará se o pequeno pedaço de chão onde meus pés pisaram era bem mais firme que as ondas da maré que vinha constantemente me bater onde naufraguei?
Quem adivinhará se morri ou sobrevivi naquela profundeza de um mar profundo que me lançaram? Ah! e o ar que eu prendi me diz tantas coisas (...) uma delas que estou vivo!

Inserida por joaoeudesdeana

Saiba que tu és muito mais do que achas e eu sou mais simples do que pensas.

Inserida por Zuccarato

⁠Fale a linguagem popular para que os beneficiados por suas idéias sejam justamente os mais necessitados.

Inserida por Zuccarato

⁠
A paz é sinônimo de felicidade.
É saber que pode mais.
Sensação de que faz o seu melhor.
Que faz a diferença.
Que a chave é aquilo que não tem preço.
A felicidade te leva à paz!

Inserida por juliobaiz

⁠O amor
é a mais virtuosa
e inspiradora das seletividades!
Visto que, entre as tantas
e possíveis opções,
ele sempre escolherá
a vida!

Inserida por maurotoledo

⁠O que mais espanta no homem,
não é a sua veraz erudição;
a vistosa capacidade em saber
cada vez mais...
Mas sua insistência emportar-se
como um ser inferior; e, sobretudo,
alheio aquilo que
sabe!

Inserida por maurotoledo

⁠E nesses tempos
de pálidos resquíciosde bom senso,
fica cada vez mais evidenteque
a grande tragédia dos jovens deixou
de sersua natural rebeldia, a teimosa contestação à ordem vigente;
mas a assustadora ausência daqueles
sobretudo capazesde lembrá-los
de que exista uma
ordem!

Inserida por maurotoledo