Luto Morte
- "O direcionamento à morte (o 'ainda-não') não diminui a vida!"
Pode clarear o sentido do que realmente merece ser vivido em nossa vida.
O detalhe irônico do estreitamento provocado pela neurose é que a pessoa procura evitar a morte, mas o faz anulando tanto de si mesma e um espectro tão grande de seu mundo de ação, que, na realidade, se isola e se diminui, ficando como se estivesse morta.
(Ernest Becker)
Não estamos preparados nem para a vida e nem para a morte. Apenas vamos nos adequando aos acontecimentos que vem ao nosso encontro diariamente.
A morte da tolerância é se valorizar e sair quando o respeito não está sendo ofertado.
Não existe presença de Deus em opções.
É interesse perceber que muitas relações podem morrer sem que ninguém declare sua morte. Basta que um pare de procurar e o outro se acostume a não ser procurado.
Milagre, a vida!
Nós não podemos vencer o sistema.
Nós não podemos vencer a morte.
Não temos escolhas a não ser duas.
Somos todos iguais.
Até quando vai mentir e repassar a mentira?
Mentiras, todo dia.
Todo dia a mentira.
O folêgo aparente é a única verdade.
O único milagre.
- Ramile Godon
viva, e ajude se puder, mas não prejudique,
Seus atos, são às únicas bagagens na morte.
Tenha uma Boa viagem!
Aquilo que chamamos nascimento e morte pode ser apenas alteração das relações entre elementos preexistentes.
Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo; porque o Senhor o disse.
Isaías 25:8
O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.
Isaías 9:2
“A morte é a curva da estrada”
A morte, com licença, é irônica por demais. E trágica, com a devida vênia, por excesso.
Ela é “a curva da estrada”, conforme poetou Fernando Pessoa no “Cancioneiro”.
Ah, senhora brincalhona! Ah, dona das estradas do mundo vasto mundo! Vosmecê tira a vida, mas eu a canto; vosmecê arranca o que as pessoas têm de mais importante, mas eu, pobre poeta, celebro o que elas possuem de mais caro, qual seja, a vida, ainda que Severina ou Caetana:
Bem, dona morte:
Está certo que a sra.
Anula toda sorte!
Todavia, as ações
Realizadas vão ficar
Imortalizadas de A a
Z: logo fim não há!
Era uma menina
Viva à procura do sEU
Adão de sua sina!
Ah, dama negra que quase tudo pode! Quase tudo, repito. Vosmecê arrebata Beatriz na curva da estrada, mas Dante há de continuar a longa caminhada...
Vosmecê, rainha das trevas, se apossa sem avisar da pequena Eva, mas Adão há de permanecer em vigília constante, atado às lembranças especiais. Porque a vida – presente da ventura – segue...
Até que um dia, na curva da estrada, a morte, pela enésima vez, aplicará o golpe fatal. Porque, como bem disse o poeta maior, “a morte é a curva da estrada / morrer é só não ser visto”.
O medo da morte frequentemente exerce sobre os vivos uma autoridade que a própria morte jamais precisou reivindicar.
Eu espero que quando a morte chegar eu esteja pronto para partir, sentado à mesa com um livro de recordações, repleto de lembranças boas e outras nem tanto mas que foram necessárias. Eu espero que quando a morte chegar ela me encontre feliz por ter feito coisas das quais gostava e vivido com pessoas que amava. Que em meus últimos segundos de vida tudo tenha feito sentido e que o maior legado tenha sido valorizar a vida que me foi dada pelo Criador.
Ei, já parou pra pensar que a vida e a morte não são inimigas, mas parceiras de dança? A gente vive correndo atrás de eternidade – academia, dieta, apps de meditação –, como se pudéssemos enganar o relógio. Mas olha só: sem a sombra da morte, a vida perde o brilho. É ela que dá urgência aos nossos amores, faz a gente rir alto num pôr do sol no Arpoador, ou escrever aquela poesia que queima no peito. A morte não é o fim cruel; é o que torna cada respiração preciosa. Argumento assim: se fôssemos imortais, procrastinaríamos pra sempre, desperdiçando o agora. Epicuro já dizia que a morte não nos diz respeito, porque enquanto existimos, ela não está aqui. Então, por que temer? Viva intensamente, abrace o efêmero. A vida ganha sentido justamente porque acaba.
E o Corvo, ao longe, como se fosse a
última lição, disse:
— Leve o que aprendeu. A morte te mostrou o espelho. Agora vá viver o reflexo, pequena vida.
— E lembre-se sempre: quando os humanos me compreenderem, não me temerão. E, quando não me temerem, serão livres.
(Muka e Toshu - A Construção da Felicidade)
