Luto Morte
A morte vem rir do meu passado, mas o que ela não sabe é que as cicatrizes contam a história de um guerreiro que não se rendeu.
A vida é uma morte e um batismo contínuos. Os fins não são punições, mas a poda cirúrgica que garante o espaço vital para o novo, celebre a clausura para que a abertura ressoe com a força de um evento cósmico.
Meu maior pavor não é a morte biológica, mas a morte sensorial: tornar-me um autômato que executa rotinas sem habitar a própria alma.
A maior crueldade da existência talvez não seja a morte, mas conceder ao homem a lucidez apenas quando já não existe ninguém capaz de receber o amor que ele finalmente aprendeu a oferecer.
O tempo apenas consome o ego que fazia daquela pergunta uma questão de vida ou morte. O silêncio do tempo não é esquecimento, é desapego forçado.
A pior ausência não é provocada pela morte, mas pela permanência sem presença. Há olhares que continuam diante de nós enquanto já habitam outro universo. Descobrimos tarde demais que o abandono começa muito antes da despedida. Primeiro desaparece o interesse, depois a escuta, depois a delicadeza. O corpo permanece por educação; a alma parte sem fazer ruído. Poucas tragédias são tão silenciosas.
- Tiago Scheimann
É como sufocar em pleno ar, gritar em silêncio com a garganta trancada, e sentir a sombra da morte espreitando, mesmo quando o corpo ainda insiste em viver.
Priscila de Araújo
Nascimento, Vida e Morte do Amor
Te conheci numa cama de hospital,
Você doente, chorando de desilusão,
Naquele dia algo especial aconteceu,
Senti que o amor em minha vida apareceu,
Depois que vi lágrimas em seu rosto angelical,
Meu coração doeu, tremeu de emoção,
Desde então minha vida rumou em prol da sua recuperação,
Passamos por várias barreiras impostas pelo destino,
Com muita força e dedicação conseguimos derrubá-las,
Mas à medida que você foi curando,
Eu fui adoecendo,
Adoeci de amor,
Parece que o mal saiu de você e me pegou,
E a partir daí precisei de carinho e você negou,
O amor que em nós nasceu,
Foi sendo destruído pela doença que em mim brotou,
Doença que você tinha a cura e negara com frieza,
Frieza, egoísmos e falta de consideração,
Você me iludiu, usou e jogou fora,
Todos os bons momentos foram mentira?
Será que nas horas de amar você também fingia?
Hoje vivo sem respostas,
Não sei como aconteceu, mas sei que acabou,
Esse “Amor Bandido” deixou marcas,
Cicatrizes permanentes no coração,
No meu pensamento você vaga há todo momento,
Preciso expulsá-la e me reerguer,
Pois um homem frio e sem amor me transformando estou.
“O homem não teme a morte da carne; teme a morte daquilo que chamou de ‘eu’. Porque, quando o personagem morre, a consciência revela que a maior mentira que ele sustentou foi acreditar que precisava ser alguém para finalmente ser.”
“Todos nascemos sentenciados à morte; por isso, a maior rebeldia da existência é viver de tal forma que o fim encontre uma vida que valeu a pena.”
“Todos estamos condenados ao mesmo destino: a morte. Mas alguns cumprem a sentença apenas sobrevivendo; outros a transformam em legado. A diferença entre existir e viver está no que fazemos enquanto o tempo nos executa.”
“Todos estamos sentenciados à morte; portanto, que a nossa maior sentença seja fazer da vida uma obra tão intensa que nem o fim consiga anulá-la.”
Vamos repensar?
Nietzsche — “Deus está morto.”
“O maior perigo não é a morte de Deus, mas a morte da capacidade humana de buscar sentido. Uma sociedade sem valores superiores não se torna livre; pode apenas se tornar perdida.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vamos repensar?
Heidegger — “O homem é um ser para a morte.”
“A consciência da morte não deve gerar medo, mas despertar. Quem entende que o tempo é finito deixa de sobreviver automaticamente e começa a existir intencionalmente.”
Carlos Eduardo Balcarse
“A Morte do Amor”
Dizem que o casamento deve durar
até que a morte os separe.
Mas ninguém nos preparou
para a morte que acontece antes do funeral.
A morte do amor.
Há sepultamentos que nunca encontram um cemitério.
Porque existem corpos que morrem.
E existem sentimentos
condenados a permanecer vivos debaixo da própria lápide.
O amor raramente morre de uma vez.
Ele agoniza.
Morre em pequenas hemorragias invisíveis.
Sangra no silêncio das palavras
que deixaram de ser ditas.
Na ausência do abraço
que já não encontra morada.
Na indiferença que lentamente substitui o encantamento.
Descobri que o oposto do amor
não é o ódio.
O ódio ainda olha.
Ainda reage.
Ainda se importa.
O verdadeiro coveiro do amor
chama-se indiferença.
Mas há uma morte ainda mais cruel.
O dia em que o respeito. Abandona a casa.
Porque quando o respeito parte, o amor perde o endereço.
Onde o respeito morre,
o amor apenas sobrevive por aparelhos.
E aquilo que continua sendo chamado de casamento
muitas vezes já é apenas
a convivência de duas solidões
dividindo o mesmo teto.
Sem respeito, o carinho torna-se obrigação.
O toque transforma-se em protocolo.
O diálogo converte-se em disputa.
E os olhos, que antes eram janelas, passam a ser muros.
Poucos percebem que a violência começa muito antes do grito.
Ela nasce quando deixamos de enxergar a humanidade do outro.
Quando a compaixão é substituída pela razão.
Quando vencer uma discussão
se torna mais importante
do que preservar um coração.
É nesse instante que a alma começa a ser aprisionada.
Porque não existe prisão maior
do que permanecer onde o amor já partiu, mas a esperança insiste em vestir suas roupas.
A alma deixa de viver.
Passa apenas a sobreviver.
Respira.
Mas já não floresce.
Sorri.
Mas já não habita o próprio sorriso.
Existe.
Mas já não encontra sentido
na própria existência.
E então compreendi que a pior solidão não é dormir sozinho.
É deitar ao lado de alguém
que deixou de nos encontrar.
Há mãos que se tocam sem jamais se alcançarem.
Há beijos que nunca chegam à alma.
Há alianças que unem os dedos, mas jamais os destinos.
Talvez seja por isso que tantas pessoas permaneçam presas
não por amor, mas pelo medo.
Medo do julgamento.
Medo da culpa.
Medo da mudança.
Esquecem-se de que o amor nunca aprisionou ninguém.
Quem aprisiona é a ausência dele.
O amor verdadeiro sempre foi liberdade.
Nunca cárcere.
Nunca sentença.
Nunca sobrevivência.
No fim, descobri que a promessa não era permanecer
ao lado de alguém até que a morte os separasse.
Era impedir, todos os dias, que o amor morresse antes da vida.
Porque, quando o amor morre,
não são apenas duas pessoas
que deixam de se amar.
Morre a delicadeza.
Morre a empatia.
Morre a compaixão.
Morre o respeito.
E quando o respeito morre,
a alma continua respirando…
mas deixa, lentamente, de viver.
Carlos EDUARDO Balcarse
