Luis Fernando Verissimo poemas Sonhos

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A vida
Evito ao natural manusear
Vou lendo de lá pra cá,
Prefiro não saber se acabei
Ou se estou apenas a começar.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Hoje passei no bosque
em trilhas que antes já fiz
revi vestígios da amarelinha
em apagados riscos de giz.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Ele veio
Nos guiar
Trouxe brilho em sua luz
Ao tilintar do sino
Com fé, amor e paz
Saudamos o Menino Jesus.
É Natal.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Acaba ano, inicia ano e vamos nos guiando pelos resultados das escolhas que fazemos.
Acertos e erros, separadamente, não servem para nada. Vale o conjunto, vale o todo.
Quando jovem cremos que a velhice não chegará.
Tenho uma surpresa para você!
Você vai envelhecer.
Quando rebeldes cremos que o mundo está errado, virado, ultrapassado.
Outra surpresa!
Você só mudará a si próprio. Lamento te dizer, mas o mundo não vai dar lhe muita atenção.
Quando maduros sonhamos em desfrutar o melhor da vida. Poucos conseguem.

Por fim, quando saudáveis cremos que nunca adoeceremos. Cuidem-se, pois nem sempre isso se confirma e quando enfermos a gente só deseja poder viver o próximo.

Aliás, talvez este deveria ser o objetivo de todos: viver plenamente o próximo ano.
Feliz e pleno ano novo.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Vós
Quase a última voz do verbo
Ofereço-te complacência
Nada em ti renego
Com tua soberba e negligência
Por vezes de tristeza me entrego
O que supões inteligência,
É inflação do ego.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Leveza
Anoiteceu na aldeia,
Como um vulto,
A aranha
Balança-se na teia.

Que sorte tem ela
Agarra a própria linha
Se lança destemida
Segura de si.

Me vejo imóvel
Não tenho igual certeza
Não me desprendo da teia
Me falta a leveza.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Enquanto vivo
Vejo a beleza
Em poesias que alguém
Faz.

Jamais terei tal perfeição,
Carrego a inquietude
De não desistir.

Não aprendi transmitir
A sensibilidade
Estocada no peito
Querendo sair.

Tento frear.
Nessas horas
Recolho-me e disfarço
Mas a alma...
A alma sempre chora.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Leve

A um bando me juntei
Por fim...
Voei.

Desprendi-me
Nas asas poéticas
Que criei.

Vai poesia
Rufle seus versos
Iça o poeta
Ás nuvens da inspiração.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Atravesso-me
Sou demasiado frágil
Sinto.
Regresso ao ponto.
É onde sempre
A vida segue.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Sobre mim
Pingos de chuva
Guarda-chuvas.

Réstias de sol
Guarda-sóis.

Rosas dos ventos
Pétalas se abrindo
De um girassol.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Regressou
Desfez seus poemas
Escureceu o cabelo
Sumiram as rugas
Livrou-se da experiência
Confundiu os sabores
Correu no campo
Pés descalços
Árvores
Rios
Um tantinho de colo de mãe
Finalmente
Nasceu.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Pés
O caminhar feminino
dá vida aos saltos
em passos que lembram pássaros.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Lástima
E o rio a me percorrer
Léguas de águas enlameadas
Ansiada!
Perdido na cabeça
A crença despenca.
É lenda
É lenta
É alma.
Os olhos lastimados
Olham o sul.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Nada existe
A solidez frágil
Vira carências.
Ao vento o sonho
Bagunçado
Esvazia-se.

O silêncio entra na alma
Rasgando o véu.
Quanto mais me afasto
Mas nele me acomodo.

Nada existe
Só o tempo insiste
Em passar.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Folhando
Na Canção do amor imprevisto
Um Poeminha do contra a encantar
A poesia descobri com Quintana
E outros gênios passei a admirar.

Letras de poetas expoentes
Motivo de Cecília em instantes
Traduzindo-se Ferreira Gullar
E o Quixote Miguel de Cervantes.

Vinícius compondo sonetos
Olavo ouvindo uma estrela
Carlos e seus anjos tortos
Em Pasárgada, eternizado, Bandeira.

A Violeta de Alves a brotar
O Prefácio de Barros sorridente
Cora admirando a Lua-Luar
O Inverno de Lima presente.

Dias escutando o sabiá
Drummond consolando José
Nos versos íntimos Augusto
Em Linha reta Pessoa é o que é.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Silenciar
Olhos cansados de pensar
Fecham sem relaxar
E veem no infinito
O que pode ser visto
Sem olhar.

Basta sorrir de encantamento
Que a vida te chamará para a dança
No ritmo frenético do vento.

E quando tudo virar lembrança,
Sob o reflexo lunar
Sente-se e vamos silenciar.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Sereno
E para formar o rio
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.

E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Espalhar
Amanhã, quem dera
Depois da noite escura
Ter o sol na janela.

Dar bom dia entusiasmado
Acordar a felicidade
E no mundo a espalhar.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Feliz
Tarefa danada de peculiar
Escolher o nome para um bichano
Não inspira nada este miar. Miar?
Não. Daria pra manga muito pano
Passaria as sete vidas a reclamar.

Não quero deixa-lo sem batismo,
Quem não tem nome se some
Chama-lo apenas gato
É como ser chamado só de homem.

Escutando seu tranquilo ronronar
Dou-lhe a esperada diretriz
Percebo que está a me escutar
Olhos fechados, aconchegado... FELIZ.

Inserida por MoacirLuisAraldi

Vinho pra mim é verbo:
“Vinhar”
E sua conjugação
É perfeita e regular.
Nos meus tempos verbais
Nem preciso dizer
Muito mais-que-perfeito
É degustar um tinto Cabernet.

Inserida por MoacirLuisAraldi