Luis Fernando Verissimo poemas Sonhos
Tem vezes
Tem vezes que encaixamos acomodações onde nem cabem,
Para determos soluços doloridos apertados no peito.
Miramos lados inúteis onde sombras descem
E ao incolor damos na metáfora enormes coloridos.
Nesses momentos em que nada distrai as lembranças
E que até o pisar suave faz barulho na saudade
É imprescindível e salutar toda coerência
Disfarçada no sorriso que estampa falsa felicidade.
Vindos do lado norte
Ouviu-se uma explosão
Deveras forte
Ventos soprando intensos
Vindos do lado norte.
A notícia se espalhou
Logo se viu
Um verso não suportou
E, desolado, explodiu.
Enlutando a poesia
Num lamentar sem fim
Ainda bem que o poeta
Não desiste fácil assim.
Nenhum girassol
Piso num solo endurecido
Torrões resistentes
Barro ressequindo.
O sol escalda-me
Suor escorre
Nem uma nuvem
Rebelde acima.
Nenhum girassol
Um colorido qualquer
Para florir um sonho.
Há uma impiedade que assola
Que não aceita emoção,
Que seca; meu Deus!
E eu não sei ligar a razão.
Sorria...
Sorria...
Nada vai fazer o tempo voltar
Sorria...
Um dia todos irão embora
Sorria...
Viver é enfrentar decepções
Sorria...
A dor ensina e passa
Sorria...
A história já está contada
Sorria...
Transforme as angústias com graça
Sorria...
Logo virá outro amanhecer
Sorria...
Valeu a pena tudo viver
Sorria...
Há o infinito eterno.
Depois a gente chora
Sorria...
Ao menos sorria agora.
Pela vida
Era uma tarde florida,
Leve, alegre... Mágica
Sai a caminhar pela vida
Tempo para a água ferver.
Tempo para o pão crescer.
Prefácio
Que as estrelas não te vejam
Nem a escuridão te esconda.
Na noite que criarei
Num cenário exclusivo,
Serás prefácio do meu sorriso.
Espere amanhecer
A noite não foi feita para partir,
Sente-se na varanda
Prove o vinho
Enquanto trocamos alguns carinhos.
Não vá agora, espere amanhecer
Talvez a noite te convença a ficar,
Mas se assim não for
Vá de dia
A noite não foi feita para se despedir.
Basta
Basta uma nota
E pode virar música.
Bastam alguns versos
E pode virar poema.
Basta a distância
E vira saudade.
Bastava um beijo
E talvez, vire amor.
Basta um adeus
E vira história.
Insalubridades
É preciso a força da natureza
Para enfrentar tempestades
Paisagens de incertezas
Águas amargas de insalubridades
Pensamentos em correntezas
Sacudindo as extremidades.
Ansiedades
Olhos sem brilhos
Não são olhos de enxergar.
Sorrisos sem alma
Não são de alegria.
Sonhos com ansiedades
Não são sonhos;
São saudades.
Eterno
Se o céu me for dado
Minha alma
Apreciará do alto,
Sem castiçais dourado,
Mistérios vivos
De algum vale encantado.
Plenilúnio
A lua adormecia
Solitária, bela,
Inspiradora.
Admiro-a,
Sem nada dizer.
Não posso toca-la,
Embora um duto
Liga-me a seu coração.
Mágico sonho
Ela me ouve
E me chama.
Quero abraça-la,
Mas o cheiro de café
Chama o novo dia.
Píer
Deslizo nas contradições
De um píer falso
Sobre o olhar.
Tentações?
Pedaço de céu?
Alcançáveis?
Existência fatídicas
Imponderáveis
Brilhos sem vida.
E por amor
Me conta uma história de amor,
Mas por favor, não fale do final.
Todos os finais são tristes
E hoje não quero ficar mal.
Deixe subentendido
Tudo o que fizer o amor
Adquirir outro sentido,
Tudo o que possa parecer dor.
Fale da felicidade
Que fez duas almas sorrirem
Não suponha que a saudade
Gritou depois ao partirem.
Que seja digna de morrer
De voar sem asas
De fazer tudo ascender
De todo carvão brilhar em brasa.
Me conte uma doce história
Quero dormir ouvindo
Talvez fique na memória
Eu eu possa acordar sorrindo.
Feliz
Feliz de quem nunca desapaixona.
De quem não desiste de sonhar,
E não fecha toda a força do amor em outro amor.
Que ama, mas tem espaço para mais amar.
Feliz de quem divide o que sente,
Sem temer a felicidade
Sabe viver alegremente.
Feliz é quem compõe a valsa
E a executa com doçura
Tirando a vida para dançar.
Bar
Na esquina tem tudo,
Danças cambaleantes
E verdades do mundo.
Tanto riso solto
Pódio para quem mostrar
Dinheiro pelos bolsos
Na esquina a festa é contínua,
O que mais tem é algazarra e
Música que nunca para.
A ilusão te põe no altar
Desculpa te decepcionar
Na esquina tem apenas um bar.
