Lucidez
(10 dedos)
O que seria eu com dez dedos se...
Em minha mente não houvesse lucidez?
O que seria eu com dez dedos se...
Faltassem-me os pés?
O que seria eu com dez dedos se...
Eu não tivesse amor?
O que seria eu com dez dedos se...
Faltasse-me a luz nos olhos?
O que seria eu com dez dedos se...
Minha voz não pudesse ser ouvida?
O que seria eu com dez dedos se...
Tivesse a resposta na ponta da língua?
O que seria eu com dez dedos se...
Os usasse para roubar?
O que seria eu com dez dedos se...
A saúde não fosse perfeita?
O que seria eu com dez dedos se...
Não houvesse coragem para o trabalho?
O que seria eu com dez dedos se...
Não sorrisse com meus pais?
O que seria eu com dez dedos se...
Não brincasse com meus filhos?
O que seria eu com dez dedos se...
Não declarasse amor pela minha esposa?
O que seria eu com dez dedos se...
Não dissesse bom dia ao idoso?
O que seria eu com dez dedos se...
Não houvesse sonhos para realizar?
O que seria eu com dez dedos se...
Eu não fosse amado?
O que seria eu com dez dedos se...
Não tivesse a fé em Cristo?
Uma coisa eu sei...
Se existissem dez dedos,
Não seria eu!!!
"O amor nunca acorrenta alguém; instrumentaliza o outro para que este decida, com lucidez, permanecer ou não, pois amar é ofertar a possibilidade de escolher."
Para uma pessoa ser considerada sã, ela deve ter o perfeito equilíbrio entre a loucura e a lucidez. A loucura e a lucidez nunca estão em perfeito equilíbrio.
DESESPERO
Experimentei o medo da perda e perdi.
Desesperadamente, bebi a minha lucidez e fugi.
Tentei me resgatar na fúria dos sentimentos desordenados.
Quase morri.
Me escondi de minha alma e enlouqueci.
Fiquei prisioneira no emaranhado do tempo
e sem tempo tive que partir.
Doeu-me às horas.
Pesaram-me as vertigens.
Contraíram-se todos os meus músculos
Desabei com o peso de minha própria carcaça
e estirada ao chão me arrastei.
Me senti lixo.
Chorei.
Perdido, confuso. Contundo, jamais desejaria ser tão cruel, com tanta lucidez .
Peço, um pouco de silêncio, mas quero barulho para sobreviver, de possibilidades.
Entre um tremor e uma guerra, vamos avacalhar os braços e mostrar o que temos de força, o aperto de mão.
Que talvez, mostre que a força caiu pro espaço.
Com objetos demonstrados pelo sotaque do tempo, conformado
vou seguindo, quero obter o conhecimento se adiante ou fora do compasso.
Seguindo, perdido, volto pro inicio de mais uma viajem.
É no remanso dos momentos de lucidez
que encontro equilíbrio para a minha insensatez...
De bem com a vida de agora
Vencendo meus calafrios
Tento não deixar ir embora
Nenhum de meus desafios...
mel - ((*_*))
